Fiagros crescem 204% e fortalecem novas alternativas de crédito para o agronegócio brasileiro
Patrimônio líquido dos Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais saltou para R$ 44,7 bilhões em dois anos, impulsionado pela busca do setor por financiamento além do crédito bancário tradicional.
Publicado em: 16/07/2026 às 17:30hs
O mercado de capitais vem ganhando espaço como uma nova fonte de financiamento para o agronegócio brasileiro. Dados da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) mostram que o patrimônio líquido dos Fiagros (Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais) avançou cerca de 204% entre março de 2023 e março de 2025, passando de R$ 14,7 bilhões para R$ 44,7 bilhões.
O crescimento reflete a busca de produtores, empresas e cadeias agroindustriais por alternativas ao modelo tradicional de crédito rural, ampliando o acesso a recursos para investimentos, expansão produtiva e fortalecimento das operações no campo.
Mercado de capitais ganha relevância no financiamento do agro
Segundo especialistas do setor, o agronegócio sempre apresentou uma forte demanda por crédito, mas durante décadas permaneceu concentrado em poucas fontes de financiamento, como bancos públicos e linhas oficiais.
Para Israel Malheiros, COO da Vertrau Tecnologia, o movimento atual representa uma aproximação crescente entre o campo e o mercado financeiro, com empresas estruturando mecanismos próprios para financiar produtores, fornecedores e parceiros comerciais.
Essas soluções permitem reduzir a dependência das linhas tradicionais de crédito e criar modelos mais conectados às necessidades específicas de cada cadeia produtiva.
Estruturação financeira exige tecnologia e controle operacional
Apesar do avanço dos instrumentos financeiros, a implementação desses modelos exige uma estrutura operacional robusta. O processo envolve gerenciamento de documentos, contratos, garantias, pagamentos e integração entre diferentes participantes da cadeia.
Nesse contexto, empresas especializadas em tecnologia financeira passam a desempenhar papel estratégico na organização e segurança das operações, permitindo maior eficiência na formalização e acompanhamento dos créditos.
FIDCs ampliam possibilidades para produtores e agroindústrias
Um exemplo dessa nova dinâmica é a participação da Frivatti, agroindústria paranaense do setor de carne suína, que foi a primeira colocada no FIDC do Agronegócio do Paraná, iniciativa vinculada a um programa da Fomento Paraná.
A empresa pretende utilizar o modelo para oferecer condições mais competitivas de financiamento aos produtores integrados e estimular investimentos na ampliação da capacidade produtiva.
Na operação, a Vertrau será responsável pela infraestrutura tecnológica envolvendo simulação financeira, formalização de CPR-Fs (Cédulas de Produto Rural Financeiras), registro e cessão dos créditos ao fundo.
Crédito estruturado deve ganhar espaço no agronegócio
A expansão dos Fiagros e dos FIDCs indica uma mudança gradual na forma como o agronegócio acessa recursos financeiros. Com estruturas mais acessíveis e processos mais digitalizados, a expectativa é de crescimento da participação do mercado de capitais no financiamento das cadeias produtivas.
“O agro sempre teve uma necessidade muito grande de crédito, mas durante décadas ficou dependente de poucas fontes de financiamento. O que estamos vendo agora é uma aproximação cada vez maior entre o agronegócio e o mercado de capitais”, destaca Israel Malheiros.
Segundo o executivo, à medida que esses instrumentos se tornam mais simples e operacionais, a tendência é que mais empresas passem a utilizar Fiagros, FIDCs e outros modelos estruturados para financiar suas operações e fortalecer suas cadeias produtivas.
Fonte: Portal do Agronegócio
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