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Mercado Financeiro

Dólar sobe a R$ 5,15 com eleições no Brasil e tensão entre EUA e Irã; Ibovespa recua

Mercado financeiro inicia a semana com maior cautela diante da disputa eleitoral brasileira, do risco de novas sanções contra o Irã e da queda do petróleo; Boletim Focus reduz projeção do PIB de 2026


Publicado em: 24/08/2026 às 11:30hs

Dólar sobe a R$ 5,15 com eleições no Brasil e tensão entre EUA e Irã; Ibovespa recua

O dólar comercial opera em alta nesta segunda-feira (24), refletindo o aumento da cautela dos investidores com o cenário eleitoral brasileiro e as tensões geopolíticas no Oriente Médio. No fim da manhã, a moeda norte-americana era negociada na faixa de R$ 5,15, depois de oscilar entre aproximadamente R$ 5,14 e R$ 5,16.

O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, também abriu sob pressão, acompanhando a queda das ações de tecnologia no exterior e a desvalorização do petróleo. O indicador operava próximo dos 170,6 mil pontos, abaixo do fechamento da sexta-feira.

Dólar abre em alta após queda de 1,4% na semana

A moeda norte-americana começou o pregão cotada a R$ 5,1468, com valorização de 0,06%. Ao longo da manhã, ganhou força e alcançou a região de R$ 5,15, com máxima próxima de R$ 5,16.

O movimento representa uma correção após a forte queda registrada na semana anterior. Na sexta-feira (21), o dólar comercial recuou 0,93% e encerrou o dia cotado a R$ 5,1443.

No desempenho acumulado, a moeda apresenta:

  • Queda de 1,44% na semana anterior;
  • Alta de 1,47% em agosto;
  • Desvalorização de 6,27% em 2026.

A cotação do dólar continua sensível às pesquisas eleitorais, às perspectivas para a taxa Selic e ao comportamento dos investidores estrangeiros no mercado brasileiro.

Cenário eleitoral aumenta volatilidade no câmbio

O mercado financeiro acompanha a evolução da disputa pela Presidência da República. Pesquisa BTG/Nexus divulgada nesta segunda-feira mostrou um cenário apertado entre os principais candidatos.

No primeiro turno, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aparece com 41% das intenções de voto, enquanto o senador Flávio Bolsonaro tem 37%. Considerando a margem de erro de dois pontos percentuais, o levantamento indica empate técnico no limite.

Em uma eventual disputa de segundo turno, Lula registra 46%, ante 45% de Flávio Bolsonaro. A proximidade entre os candidatos reforça a possibilidade de maior volatilidade nos mercados à medida que as eleições de outubro se aproximam.

Investidores buscam avaliar os possíveis impactos do resultado eleitoral sobre a política fiscal, a trajetória da dívida pública e o ritmo de crescimento da economia brasileira.

Tensões entre Estados Unidos e Irã pressionam mercados

No ambiente internacional, o foco permanece nas tensões entre Estados Unidos e Irã. O mercado aguarda o anúncio de possíveis novas sanções econômicas norte-americanas contra Teerã.

As incertezas envolvem principalmente o Estreito de Hormuz, rota estratégica para o transporte mundial de petróleo. O Irã ameaça manter restrições ao trânsito de embarcações e adotar novas medidas em resposta às sanções dos Estados Unidos.

O aumento do risco geopolítico favorece a busca pelo dólar como ativo de proteção. Ao mesmo tempo, investidores acompanham as negociações diplomáticas e seus possíveis efeitos sobre a oferta global de energia.

Ibovespa recua após forte alta na sexta-feira

O Ibovespa iniciou a sessão em baixa e operava na faixa dos 170,6 mil pontos durante a manhã. O índice devolve parte da valorização registrada no pregão anterior, quando avançou 1,84% e encerrou aos 171.015 pontos.

Na semana anterior, a Bolsa brasileira acumulou alta de 2,45%, apoiada pela entrada de investidores estrangeiros e pela recuperação das ações de grandes empresas, especialmente Vale, Petrobras e bancos.

Mesmo com a reação recente, o Ibovespa ainda acumula queda de 3,92% em agosto. No ano, porém, mantém valorização de 6,14%.

A sessão desta segunda-feira é pressionada pela queda do petróleo, pela cautela internacional e por notícias corporativas envolvendo empresas de grande relevância para o mercado doméstico.

Petróleo recua e afeta ações do setor

Os contratos futuros do petróleo registram queda depois de seis sessões consecutivas de valorização. O Brent recuava cerca de 1,35%, negociado próximo de US$ 91,39 por barril.

A desvalorização da commodity pressiona ações de empresas brasileiras do setor de óleo e gás, com destaque para Petrobras e companhias independentes de exploração e produção.

O comportamento do petróleo permanece diretamente ligado às negociações entre Estados Unidos e Irã. Embora novas sanções possam limitar a oferta global e elevar as cotações, o mercado também considera a possibilidade de avanços diplomáticos que permitam a normalização do fluxo energético pelo Estreito de Hormuz.

Braskem entra no radar dos investidores

No noticiário corporativo, as ações da Braskem recuam após a empresa protocolar um pedido de recuperação extrajudicial na Justiça de São Paulo.

A companhia pretende reestruturar aproximadamente R$ 55 bilhões em dívidas. A notícia amplia a cautela entre investidores e também provoca reflexos sobre empresas e instituições financeiras expostas à petroquímica.

As ações da Braskem chegaram a cair aproximadamente 2,3% no decorrer da sessão.

Boletim Focus reduz previsão para o PIB

No cenário econômico, o Boletim Focus divulgado pelo Banco Central trouxe uma nova revisão negativa para o crescimento do Brasil.

A projeção do mercado para o Produto Interno Bruto de 2026 caiu de 1,98% para 1,85%. A redução reforça os sinais de desaceleração da atividade econômica diante dos juros ainda elevados.

A estimativa para o IPCA permaneceu em 5,02%, acima do teto de 4,5% do sistema de metas. Para a taxa Selic, a expectativa foi mantida em 13,75% ao ano no encerramento de 2026, ante o nível atual de 14%.

Para agosto, as instituições consultadas pelo Banco Central projetam deflação de 0,18%, influenciada pelo abatimento temporário nas contas de energia elétrica decorrente do Bônus de Itaipu. Relatório Focus do Banco Central

Bolsas internacionais operam com viés negativo

O cenário externo também limita o apetite por risco no Brasil. Em Wall Street, o S&P 500 recuava aproximadamente 0,46%, enquanto o Nasdaq perdia cerca de 0,94%, pressionado pelas empresas de tecnologia. O Dow Jones destoava e avançava 0,27%.

Na Europa, o Stoxx 600 registrava leve queda de 0,10%. Na Ásia, as principais bolsas fecharam em baixa, com forte pressão sobre empresas de tecnologia, inteligência artificial e semicondutores.

Os investidores também aguardam os discursos de autoridades monetárias no simpósio de Jackson Hole. O evento pode trazer novas indicações sobre a trajetória dos juros nos Estados Unidos.

IPCA-15 e dados dos Estados Unidos entram no radar

A agenda econômica da semana reúne indicadores capazes de provocar novas oscilações no dólar, nos juros e na Bolsa brasileira.

No Brasil, o principal destaque será a divulgação do IPCA-15 de agosto, prevista para quarta-feira (26). O mercado espera uma leitura negativa, influenciada pelo desconto nas tarifas de energia elétrica.

Também serão divulgados dados do mercado de trabalho, incluindo informações da Pnad Contínua e do Caged.

Nos Estados Unidos, investidores aguardam a revisão do PIB do segundo trimestre e o índice de preços PCE, indicador de inflação utilizado como referência pelo Federal Reserve. Os resultados podem alterar as expectativas para os juros norte-americanos e influenciar o fluxo de capital destinado aos mercados emergentes.

Com eleições, política monetária e tensões no Oriente Médio simultaneamente no radar, o mercado financeiro brasileiro inicia a semana sob maior volatilidade. O dólar tende a continuar oscilando de acordo com as pesquisas eleitorais, as sinalizações fiscais e os desdobramentos da crise geopolítica.

Fonte: Portal do Agronegócio

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