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Mercado Financeiro

Dólar oscila perto de R$ 5,19 nesta sexta-feira, enquanto mercado acompanha varejo dos EUA, tarifas e cenário fiscal

Moeda americana opera próxima da estabilidade no Brasil após dados mostrarem queda inesperada das vendas no varejo dos Estados Unidos; Ibovespa enfrenta sequência de perdas e tensão comercial aumenta cautela dos investidores


Publicado em: 14/08/2026 às 11:00hs

Dólar oscila perto de R$ 5,19 nesta sexta-feira, enquanto mercado acompanha varejo dos EUA, tarifas e cenário fiscal

O dólar opera próximo da estabilidade ante o real nesta sexta-feira (14), em uma sessão marcada pela divulgação de novos dados da economia dos Estados Unidos, pela tensão comercial entre Brasil e EUA e pela crescente cautela dos investidores com o cenário fiscal e político doméstico.

Na manhã desta sexta, o dólar à vista chegou a oscilar entre alta e queda, permanecendo na região de R$ 5,18 a R$ 5,19. Por volta das 10h20, a moeda era negociada próxima de R$ 5,19, depois de encerrar a sessão anterior em alta de cerca de 0,23%, aos R$ 5,1896.

O comportamento do câmbio ocorre em meio a sinais de enfraquecimento da atividade econômica norte-americana, que aumentam as apostas de que o Federal Reserve poderá encontrar espaço para flexibilizar sua política monetária nos próximos meses.

Varejo dos EUA cai mais do que o esperado

O principal destaque internacional do pregão veio dos Estados Unidos. As vendas do varejo recuaram 0,6% em julho, para US$ 763,6 bilhões, depois de uma alta de 0,2% em junho. O resultado ficou abaixo das expectativas dos analistas, que projetavam crescimento de 0,1%.

O dado reforça a percepção de desaceleração do consumo norte-americano e contribuiu para pressionar o dólar no exterior. O índice que mede a moeda americana contra uma cesta de seis divisas chegou a recuar aproximadamente 0,4% durante a manhã.

A queda das vendas ocorre poucos dias depois de indicadores de inflação dos Estados Unidos mostrarem sinais de menor pressão, aumentando a atenção do mercado para os próximos passos do Federal Reserve.

Embora a possibilidade de uma mudança na política de juros dos EUA ajude a limitar a força do dólar globalmente, o cenário permanece sujeito a oscilações diante das tensões geopolíticas e comerciais.

Tensões entre Brasil e Estados Unidos permanecem no radar

No Brasil, investidores acompanham os desdobramentos da Lei da Reciprocidade Econômica, acionada pelo governo brasileiro em resposta às tarifas impostas pelos Estados Unidos.

A disputa comercial adiciona uma nova camada de incerteza ao mercado de câmbio e pode afetar empresas exportadoras, cadeias produtivas e setores brasileiros com forte exposição ao mercado norte-americano.

Dados divulgados nesta sexta-feira pela Amcham Brasil mostram que as exportações brasileiras para os Estados Unidos recuaram 12,2% entre janeiro e julho de 2026, para US$ 21 bilhões. Nos produtos atingidos pelas sobretaxas, a queda chegou a 31,5%.

Para o agronegócio, o ambiente exige atenção especial, principalmente em segmentos que dependem do mercado norte-americano ou de insumos e componentes precificados em dólar.

Bolsa brasileira acumula forte pressão em agosto

Enquanto o dólar permanece próximo de R$ 5,19, a Bolsa brasileira enfrenta um período de maior aversão ao risco.

O Ibovespa fechou a quinta-feira (13) aos 167.100 pontos, com queda de 0,23%, registrando a oitava sessão consecutiva de baixa. A sequência representa uma das mais longas séries negativas do índice nos últimos anos.

Na abertura desta sexta-feira, o mercado voltou a demonstrar cautela. O desempenho da Bolsa é influenciado por preocupações com a trajetória fiscal brasileira, juros elevados, ambiente eleitoral e saída de capital estrangeiro.

Entre os dias 3 e 12 de agosto, a Bolsa brasileira chegou a perder aproximadamente R$ 279 bilhões em valor de mercado, enquanto o Ibovespa recuou para níveis próximos aos registrados no início do ano.

O movimento contrasta com o desempenho das bolsas norte-americanas, que seguem sustentadas por resultados corporativos e expectativas relacionadas à política monetária.

Juros futuros também refletem cautela

No mercado doméstico de juros, as taxas dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) apresentavam pequenas oscilações positivas na manhã desta sexta-feira.

O DI para janeiro de 2028 era negociado próximo de 13,93%, enquanto o contrato para janeiro de 2035 permanecia na região de 14,64%.

A curva de juros continua incorporando uma combinação de fatores domésticos e externos, entre eles a política monetária brasileira, as expectativas de inflação, a trajetória da dívida pública, o comportamento do Federal Reserve e o câmbio.

A Selic está em 14% ao ano, após o ciclo recente de redução dos juros promovido pelo Banco Central, mas o ambiente de risco limita a possibilidade de uma trajetória mais acelerada de cortes.

Petróleo e Oriente Médio aumentam volatilidade

O mercado internacional também acompanha o agravamento das tensões no Oriente Médio. Os Estados Unidos indicaram que podem manter o bloqueio naval contra o Irã por período prolongado e ampliar a pressão econômica sobre o país.

O cenário contribui para sustentar os preços futuros do petróleo Brent e aumenta a preocupação dos investidores com possíveis impactos sobre inflação, energia e crescimento global.

Para o Brasil, alterações no preço do petróleo podem ter efeitos sobre combustíveis, inflação, custos logísticos e formação de preços em diferentes cadeias produtivas.

Dólar acumula alta na semana

Mesmo com a estabilidade observada nesta sexta-feira, o dólar mantém desempenho positivo no curto prazo.

Com base nos dados de mercado divulgados nesta sexta, a moeda acumula aproximadamente:

  • Alta de 1,88% na semana;
  • Alta de 2,16% em agosto;
  • Queda de aproximadamente 5,64% no acumulado de 2026.

O movimento mostra que, apesar da valorização recente, o real ainda registra ganho acumulado no ano frente à moeda americana.

A trajetória, contudo, permanece dependente da combinação entre fluxo estrangeiro, diferencial de juros, cenário fiscal, política comercial dos Estados Unidos e percepção de risco dos investidores.

Impactos para o agronegócio brasileiro

A cotação do dólar é um dos principais indicadores acompanhados pelo agronegócio brasileiro. Uma moeda americana mais valorizada tende a aumentar a receita, em reais, de exportadores de commodities, mas também pode elevar os custos de insumos e produtos importados.

Para produtores de soja, milho, café, algodão, açúcar, carnes e outras commodities exportadas, o câmbio influencia diretamente a formação dos preços internos e a competitividade brasileira no mercado internacional.

Ao mesmo tempo, fertilizantes, defensivos agrícolas, máquinas, componentes, combustíveis e outros insumos com exposição ao mercado internacional podem sofrer pressão de custos quando o real perde valor.

Por isso, a manutenção do dólar na faixa de R$ 5,18 a R$ 5,20 merece atenção das empresas do setor, principalmente diante das decisões de comercialização da safra, contratação de insumos e planejamento financeiro.

Mercado acompanha agenda doméstica

No Brasil, os investidores também monitoram os acontecimentos políticos e econômicos desta sexta-feira. Entre os eventos previstos estão declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a divulgação de uma nova pesquisa eleitoral.

Às 11h30, o Banco Central realiza leilão de 50 mil contratos de swap cambial para rolagem do vencimento previsto para 1º de setembro.

A operação também estará no radar do mercado, especialmente em uma sessão de maior volatilidade no câmbio.

O que esperar do dólar nesta sexta-feira?

O cenário para o dólar permanece dividido entre forças externas que favorecem a queda da moeda americana e fatores domésticos que sustentam a demanda por proteção.

De um lado, a queda das vendas do varejo nos Estados Unidos e os dados recentes de inflação podem reduzir a pressão por juros mais elevados pelo Federal Reserve, enfraquecendo o dólar globalmente. De outro, as tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos, o cenário fiscal, a saída de estrangeiros da Bolsa e os riscos geopolíticos mantêm a cautela elevada.

Assim, o dólar deve continuar sujeito a oscilações ao longo do pregão, enquanto investidores avaliam novos indicadores econômicos e os desdobramentos da política comercial entre as duas maiores economias do continente.

Para o agronegócio, a cotação próxima de R$ 5,19 mantém o câmbio como variável estratégica nas decisões de venda, proteção financeira, compra de insumos e formação das margens das empresas exportadoras.

  • Dólar hoje: cerca de R$ 5,19
  • Ibovespa: 167.100 pontos no fechamento de quinta-feira
  • Selic: 14% ao ano
  • Vendas do varejo dos EUA em julho: -0,6%
  • Dólar na semana: +1,88%
  • Dólar em agosto: +2,16%
  • Dólar em 2026: -5,64%

Os valores do dólar e dos mercados são referentes às cotações disponíveis durante a manhã de sexta-feira (14), sujeitas a alterações ao longo do pregão.

Fonte: Portal do Agronegócio

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