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Mercado Financeiro

Dólar hoje sobe para perto de R$ 5,22 com tensão no Oriente Médio e petróleo acima de US$ 90

Moeda americana avança diante da maior aversão ao risco global, enquanto o Ibovespa tenta interromper uma sequência de dez quedas com apoio das ações da Petrobras


Publicado em: 18/08/2026 às 11:00hs

Dólar hoje sobe para perto de R$ 5,22 com tensão no Oriente Médio e petróleo acima de US$ 90

O dólar opera em alta frente ao real nesta terça-feira (18), refletindo o agravamento das tensões no Oriente Médio, a valorização do petróleo e a elevação dos rendimentos dos títulos públicos dos Estados Unidos. O ambiente internacional mais cauteloso favorece a procura por ativos considerados seguros e pressiona moedas de países emergentes.

Nos primeiros negócios, a moeda norte-americana avançou 0,25%, cotada a R$ 5,2137. Às 9h09, o dólar à vista subia 0,15%, negociado a R$ 5,2074 na venda, enquanto o contrato futuro para setembro, o mais líquido na B3, registrava alta de 0,04%, aos R$ 5,2245.

Com a continuidade das negociações, a divisa permaneceu na faixa de R$ 5,21 a R$ 5,22. O movimento ocorre após o dólar encerrar a segunda-feira próximo de R$ 5,20, com queda de aproximadamente 0,4%, interrompendo uma sequência de cinco sessões consecutivas de valorização.

Oriente Médio e petróleo pressionam o câmbio

O principal fator de pressão sobre o mercado financeiro é o impasse entre Estados Unidos e Irã. Declarações divergentes sobre a situação do Estreito de Ormuz, corredor estratégico para o transporte mundial de petróleo, ampliaram a incerteza entre os investidores.

O presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que não existem negociações em andamento com o Irã e declarou que o Estreito de Ormuz estaria aberto e operacional. Autoridades iranianas, entretanto, sustentaram que a passagem permaneceria fechada até o cumprimento de condições previstas em um acordo provisório.

O cenário mantém o petróleo Brent acima dos US$ 90 por barril. Durante a manhã, os contratos chegaram a superar US$ 91, refletindo o temor de restrições à oferta global da commodity. A região responde por uma parcela relevante do petróleo comercializado internacionalmente.

Além do risco de abastecimento, a alta do petróleo renova as preocupações com a inflação mundial. Combustíveis mais caros podem pressionar custos de transporte, produção industrial e alimentos, reduzindo o espaço para cortes de juros pelos principais bancos centrais.

Ibovespa tenta interromper sequência de dez quedas

Apesar do ambiente externo desfavorável, o Ibovespa iniciou o pregão em alta, apoiado principalmente pelas ações de empresas ligadas ao petróleo.

Às 10h41, o principal índice da Bolsa brasileira atingiu 167.436,82 pontos, com valorização de 0,39%. Petrobras e Prio avançavam acompanhando a alta do Brent e ajudavam a compensar o desempenho negativo de outros setores. Segundo o acompanhamento em tempo real do mercado, o índice buscava encerrar uma sequência de dez sessões consecutivas de queda.

Na segunda-feira (17), o Ibovespa recuou 0,09%, aos 166.783,57 pontos. Foi a pior sequência negativa do índice desde 2023, em meio à retirada de capital estrangeiro, às preocupações com o crédito no Brasil e à repercussão do pedido de recuperação judicial da Casas Bahia.

A saída líquida de investidores estrangeiros da B3 já alcança aproximadamente R$ 15,6 bilhões em agosto, fator que reduz a sustentação do mercado acionário e aumenta a volatilidade dos ativos brasileiros.

No acumulado do mês, o Ibovespa registra perda próxima de 6,3%, mas ainda mantém valorização de aproximadamente 3,9% em 2026. Os números podem variar durante o pregão.

Bolsas internacionais operam sob pressão

As bolsas da Ásia e do Pacífico fecharam majoritariamente em queda. O Nikkei, do Japão, recuou 2,54%, pressionado pelo impacto do petróleo sobre uma economia altamente dependente da importação de energia.

O Kospi, da Coreia do Sul, caiu 1,55%, enquanto o Taiex, de Taiwan, perdeu 1,20%. Na China, o desempenho foi misto: o índice de Xangai avançou 0,19%, o Shenzhen recuou 0,45% e o Hang Seng, de Hong Kong, subiu 0,07%.

Na Europa, os principais índices também operavam no campo negativo durante a manhã. O Euro Stoxx 50 recuava 0,48%, acompanhado pelas bolsas da Alemanha, França e Itália. O movimento internacional reflete a combinação entre petróleo elevado, risco inflacionário e juros longos em alta.

Nos Estados Unidos, Wall Street abriu em baixa. A falta de avanço diplomático entre Washington e Teerã, somada à elevação dos rendimentos dos Treasuries, pressionava principalmente ações de tecnologia e outros ativos mais sensíveis às taxas de juros.

Atividade econômica também entra no radar

No mercado doméstico, os investidores avaliam os sinais de desaceleração da economia brasileira. O Índice de Atividade Econômica do Banco Central, o IBC-Br, recuou 0,6% em junho, desempenho abaixo das expectativas.

Apesar da retração mensal, o indicador registrou crescimento de 0,2% no segundo trimestre. Os números reforçam a percepção de perda de ritmo da atividade, mas ainda não eliminam as preocupações inflacionárias que sustentam a Selic em 14% ao ano.

A manutenção dos juros elevados favorece a remuneração dos ativos brasileiros e pode limitar uma valorização mais intensa do dólar. Por outro lado, o cenário fiscal, a saída de capital estrangeiro e o aumento da aversão global ao risco continuam pressionando o real.

Dólar mais alto afeta custos e receitas do agronegócio

Para o agronegócio brasileiro, a valorização do dólar produz efeitos distintos. Exportadores de soja, milho, café, açúcar, carnes e celulose podem receber mais reais pelas vendas contratadas em moeda norte-americana, dependendo dos preços internacionais e das estratégias de proteção cambial adotadas.

Em contrapartida, o câmbio elevado encarece insumos importados, como fertilizantes, defensivos agrícolas, máquinas, componentes e tecnologias utilizadas na produção. O impacto pode ser mais significativo para produtores que ainda precisam adquirir insumos para as próximas safras.

O petróleo acima de US$ 90 também exige atenção. Embora a valorização internacional não seja automaticamente repassada aos combustíveis no Brasil, a permanência da commodity em níveis elevados pode aumentar a pressão sobre o diesel, os fretes rodoviários e os custos logísticos.

O movimento ainda pode influenciar os mercados de etanol, biodiesel, açúcar, milho e óleo de soja, devido à relação entre energia, combustíveis renováveis e matérias-primas agrícolas.

Mercado deve continuar volátil

A tendência para o dólar ao longo do pregão dependerá principalmente das novas informações sobre o conflito no Oriente Médio, do comportamento do petróleo, dos juros dos títulos norte-americanos e do desempenho das bolsas internacionais.

No Brasil, o fluxo de investidores estrangeiros, os indicadores de atividade, a política fiscal e as expectativas para a Selic seguem entre os principais fatores de influência.

Enquanto persistirem as incertezas envolvendo Estados Unidos e Irã, a expectativa é de volatilidade elevada no câmbio, nas commodities e nos mercados acionários. Para produtores rurais e empresas do agronegócio, o cenário reforça a importância do planejamento de custos, da gestão cambial e da proteção das margens de comercialização.

Fonte: Portal do Agronegócio

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