Dólar dispara mais de 12% e Bolsa aciona circuit breaker após reeleição de Lula
Moeda norte-americana chega a R$ 5,60, juros futuros avançam e ativos brasileiros recuam no exterior; investidores reavaliam cenário fiscal após o segundo turno
Publicado em: 26/10/2026 às 10:42hs
O dólar disparou mais de 12% na manhã desta segunda-feira (26), primeira sessão após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), enquanto a Bolsa brasileira sofreu forte queda e teve as negociações interrompidas pelo circuit breaker.
Às 10h18, o dólar à vista avançava 12,20%, cotado a R$ 5,604 na venda. No mesmo horário, o contrato futuro para novembro subia 12,58%, a R$ 5,600. O movimento refletia uma revisão das posições dos investidores após a derrota de Flávio Bolsonaro (PL), cuja vitória era considerada mais provável por parte do mercado.
A reação também atingiu os juros futuros e os ativos brasileiros negociados no exterior. A atenção dos investidores se voltou às sinalizações sobre a política econômica, o controle das despesas públicas e a composição da equipe do próximo mandato.
Dólar futuro abriu com forte alta e poucos negócios
A pressão começou nos primeiros minutos da sessão. Às 9h11, o dólar futuro para novembro registrava alta de 9,16%, aos R$ 5,430, com apenas 610 contratos negociados.
Naquele momento, as negociações no mercado à vista ainda não apresentavam fluxo regular. A baixa liquidez e as restrições operacionais no segmento futuro dificultavam a formação dos preços na abertura.
Por volta das 9h40, a cotação informada para o dólar à vista já alcançava R$ 5,6048, com avanço de 12,25%. Na sexta-feira (23), a moeda havia encerrado em queda de 0,90%, a R$ 4,9930.
Ibovespa cai 10% e negociações são interrompidas
O Ibovespa recuou 10% em relação ao fechamento anterior, acionando uma interrupção de 30 minutos nas negociações, conforme comunicado da B3 relatado pela Reuters. A paralisação ocorreu após a Bolsa ter ampliado os limites de oscilação de contratos futuros diante da volatilidade esperada.
Na sexta-feira, o índice havia subido 0,47%, aos 205.083 pontos. A queda desta segunda-feira marcou uma reversão de parte do movimento favorável aos ativos brasileiros observado depois do primeiro turno.
É importante distinguir os mercados: a ampliação dos limites dos contratos futuros e o circuit breaker do mercado acionário são procedimentos diferentes. A interrupção dos negócios com ações teve como referência a queda do Ibovespa à vista.
B3 amplia limites de oscilação dos contratos
Antes da abertura, a B3 elevou excepcionalmente o limite superior diário dos contratos futuros de dólar e minidólar, de 6% para 8,4%, abrangendo todos os vencimentos. broadcast.com.br A mudança buscou acomodar oscilações mais amplas durante o pregão.
A variação percentual exibida nas cotações pode utilizar uma referência diferente daquela empregada no cálculo dos limites operacionais. Por isso, a comparação direta entre esses percentuais exige atenção à base utilizada.
Juros e ativos brasileiros no exterior também sofrem pressão
Os juros futuros avançaram com a maior demanda por proteção e a revisão das expectativas econômicas. Na avaliação de analistas ouvidos pelo InfoMoney, parte dos investidores havia incorporado aos preços a possibilidade de mudança na condução fiscal, expectativa revista após o resultado eleitoral. Essa interpretação representa a percepção dos agentes sobre os riscos, e não uma definição das medidas que serão adotadas.
No exterior, ações e fundos ligados ao Brasil também apresentaram perdas expressivas antes da abertura regular de Wall Street. O movimento reforçou a pressão sobre os ativos domésticos na primeira sessão após a votação.
Banco Central mantém leilão de swap na agenda
A agenda previa, às 11h30, um leilão regular de rolagem de swap cambial, com oferta de 75 mil contratos para 3 de novembro. A operação já programada não deve ser confundida com uma intervenção extraordinária anunciada em resposta à alta do dólar.
O Boletim Focus e os demais indicadores econômicos também permaneciam no radar, embora a reação ao resultado eleitoral concentrasse a atenção na abertura.
Câmbio e juros entram no planejamento do agronegócio
Para o agronegócio, a valorização do dólar pode elevar a receita em reais das exportações quando os demais fatores permanecem constantes. Ao mesmo tempo, pode encarecer insumos importados e compromissos denominados em moeda estrangeira.
A alta dos juros de mercado também influencia as condições de financiamento. O efeito sobre cada produtor ou empresa depende da exposição cambial, dos contratos de venda, das compras já realizadas e das estratégias de proteção adotadas.
Atualização com cotações das 10h18 de 26 de outubro de 2026, no horário de Brasília. Os valores representam registros durante o pregão.
Fonte: Portal do Agronegócio
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