Dólar cai para R$ 5,17 e Ibovespa sobe forte com ata do Fed e petróleo no radar
Moeda norte-americana recua mais de 1% frente ao real, enquanto a Bolsa brasileira tenta encerrar uma sequência de 11 quedas; petróleo acima de US$ 90 amplia atenção sobre inflação, combustíveis e custos do agronegócio
Publicado em: 19/08/2026 às 11:05hs
O dólar comercial intensificou o movimento de queda frente ao real nesta quarta-feira (19), enquanto o Ibovespa avançava com força nas primeiras negociações. O mercado financeiro acompanha a valorização do petróleo, as tensões entre Estados Unidos e Irã e, principalmente, a divulgação da ata da última reunião do Federal Reserve (Fed).
Por volta das 10h17, a moeda norte-americana era negociada a R$ 5,168 para venda, com desvalorização de aproximadamente 1,03%. Na abertura, o dólar havia recuado 0,36%, cotado a R$ 5,2040, após iniciar o dia próximo de R$ 5,21.
Na Bolsa brasileira, o Ibovespa subia 1,68%, aos 169.991 pontos, por volta das 10h10. O movimento representa uma tentativa de recuperação após 11 pregões consecutivos de perdas, a mais longa sequência negativa recente do principal índice acionário do país. UOL
Dólar devolve parte da alta acumulada em agosto
A queda desta quarta-feira interrompe, ao menos temporariamente, a pressão observada sobre o real nas últimas sessões. Na terça-feira (18), o dólar comercial avançou cerca de 0,43% e terminou cotado próximo de R$ 5,221 — maior patamar desde o fim de março.
O fechamento anterior informado inicialmente, com queda de 0,40%, estava incorreto. A moeda norte-americana, na realidade, encerrou a sessão de terça-feira em alta, influenciada pela piora do ambiente externo, pela elevação do petróleo e pela saída de recursos estrangeiros da Bolsa brasileira. Folha de S.Paulo
Antes das oscilações desta quarta-feira, o dólar acumulava:
- Alta de aproximadamente 3% em agosto;
- Desvalorização próxima de 4,9% em 2026;
- Cotação ao redor de R$ 5,22 no fechamento anterior.
Ibovespa tenta encerrar sequência de 11 quedas
O Ibovespa fechou a terça-feira em baixa de 0,27%, aos 166.334 pontos, registrando o menor nível desde 20 de janeiro e ampliando para 11 o número de sessões consecutivas de queda. O volume financeiro ficou em aproximadamente R$ 15,3 bilhões.
A Bolsa brasileira vinha sendo pressionada pela retirada de capital estrangeiro, pelas incertezas fiscais e eleitorais no Brasil e pela maior aversão ao risco no exterior. O saldo negativo de investidores internacionais já supera R$ 15 bilhões em agosto, embora estimativas de mercado apontem retiradas ainda maiores dependendo da data considerada.
Antes da abertura desta quarta-feira, o Ibovespa acumulava:
- Queda de 0,36% na semana;
- Recuo de 6,55% em agosto;
- Valorização de 3,79% em 2026.
A alta desta manhã pode alterar esses percentuais ao longo do pregão.
Ata do Fed pode definir trajetória do dólar
O principal evento da agenda econômica desta quarta-feira será a divulgação, às 15h pelo horário de Brasília, da ata da última reunião do Federal Reserve.
O documento deverá apresentar mais detalhes sobre a decisão de manter os juros dos Estados Unidos entre 3,5% e 3,75% ao ano. Os investidores buscarão sinais sobre a possibilidade de manutenção, aumento ou redução das taxas nos próximos encontros.
Juros elevados nos Estados Unidos tendem a tornar os títulos norte-americanos mais atraentes, fortalecendo o dólar e reduzindo o fluxo de recursos para mercados emergentes, como o Brasil. Uma ata considerada mais rígida no combate à inflação poderá, portanto, limitar a queda da moeda norte-americana frente ao real.
Petróleo acima de US$ 90 aumenta temor inflacionário
O petróleo permanece como outro fator decisivo para o comportamento dos mercados. O Brent, referência internacional, era negociado na região de US$ 91 a US$ 92 por barril, próximo das máximas das últimas três semanas. O WTI operava perto de US$ 86.
A valorização está relacionada às tensões entre Estados Unidos e Irã e às incertezas envolvendo o Estreito de Hormuz, rota estratégica por onde normalmente passa cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito comercializados mundialmente.
A possibilidade de restrições ao transporte de petróleo aumenta os riscos de desabastecimento e pressiona as expectativas de inflação global. Esse cenário pode dificultar cortes de juros pelas principais economias e manter elevada a volatilidade dos mercados financeiros.
Câmbio e petróleo afetam diretamente o agronegócio
Para o agronegócio brasileiro, a queda do dólar apresenta efeitos distintos. A valorização do real pode reduzir os custos de fertilizantes, defensivos, máquinas, combustíveis e outros insumos importados. Em contrapartida, diminui a conversão para reais das receitas obtidas com exportações de soja, milho, café, carnes, açúcar e celulose.
O petróleo acima de US$ 90 adiciona pressão aos custos logísticos, especialmente sobre diesel, fretes rodoviários e transporte marítimo. A combinação entre câmbio e energia, portanto, seguirá no centro das estratégias de comercialização e proteção financeira dos produtores rurais e das empresas exportadoras.
Mercado financeiro hoje
Na atualização das 10h17 desta quarta-feira (19):
- Dólar comercial: R$ 5,168, queda de aproximadamente 1,03%;
- Ibovespa: 169.991 pontos, alta de 1,68%;
- Petróleo Brent: entre US$ 91 e US$ 92 por barril;
- Petróleo WTI: próximo de US$ 86 por barril;
- Ata do Federal Reserve: divulgação prevista para as 15h.
As cotações são intradiárias e podem sofrer alterações até o encerramento dos mercados.
Fonte: Portal do Agronegócio
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