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Mercado Financeiro

Dólar cai para R$ 5,17 com alívio externo, petróleo e eleições de 2026 no radar do mercado

Moeda norte-americana recua diante da melhora do apetite por risco no exterior, enquanto investidores acompanham as tensões entre Estados Unidos e Irã, os juros globais e a divulgação de nova pesquisa Datafolha


Publicado em: 21/08/2026 às 11:00hs

Dólar cai para R$ 5,17 com alívio externo, petróleo e eleições de 2026 no radar do mercado

O dólar opera em queda frente ao real nesta sexta-feira (21), acompanhando o enfraquecimento da moeda norte-americana no exterior e a melhora do ambiente nos mercados globais. No Brasil, o cenário eleitoral também ganha peso nas decisões dos investidores, com a expectativa pela divulgação de uma nova pesquisa Datafolha sobre a disputa presidencial de 2026.

Por volta das 9h14, o dólar à vista recuava 0,34%, negociado a R$ 5,1763 na venda. Pouco antes, próximo das 9h, a moeda chegou a ser cotada a R$ 5,1702, com baixa de 0,43%.

Na B3, o contrato futuro de dólar com vencimento em setembro, atualmente o mais negociado, caía 0,38%, para R$ 5,1860. As cotações podem sofrer alterações ao longo do pregão, especialmente diante da agenda política e internacional desta sexta-feira.

Mercado externo favorece queda do dólar

A desvalorização da moeda norte-americana no Brasil acompanha o movimento observado diante de outras divisas de países emergentes. A melhora do apetite por risco ganhou força com a acomodação dos preços do petróleo, após cinco sessões consecutivas de valorização.

O petróleo Brent operava próximo de US$ 93,20 por barril, com queda ao redor de 0,6%. A redução das cotações ajuda a diminuir, ao menos temporariamente, as preocupações com uma nova pressão inflacionária global.

Apesar do recuo desta sexta-feira, o petróleo ainda caminha para encerrar a semana em alta, sustentado pelas tensões entre Estados Unidos e Irã. O mercado aguarda novos posicionamentos do presidente norte-americano, Donald Trump, sobre a estratégia de pressão econômica e a possibilidade de aplicação de sanções adicionais contra Teerã.

O conflito permanece como uma importante fonte de volatilidade para os mercados. Uma eventual restrição à circulação de petróleo pelo Estreito de Ormuz poderia elevar os preços da energia, fortalecer o dólar e aumentar os custos de combustíveis, fretes e insumos agrícolas.

Juros e dívida dos Estados Unidos seguem no radar

Os investidores também monitoram o avanço da dívida pública norte-americana, que superou a marca de US$ 40 trilhões. O crescimento do endividamento tem pressionado os rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos e ampliado as dúvidas sobre a trajetória dos juros globais.

Nesta sexta-feira, o mercado aguarda indicadores de atividade econômica dos Estados Unidos, incluindo dados preliminares dos índices de gerentes de compras, os PMIs. Resultados acima das expectativas podem reforçar a percepção de que a economia norte-americana continua aquecida, reduzindo o espaço para cortes de juros pelo Federal Reserve.

Juros elevados nos Estados Unidos aumentam a atratividade dos títulos norte-americanos e podem retirar recursos de mercados emergentes, como o Brasil. Esse movimento tende a pressionar o real e elevar a volatilidade do dólar.

Bolsas globais apresentam reação

O ambiente externo era moderadamente positivo nesta manhã. A maior parte das bolsas asiáticas encerrou a sessão em alta, com destaque para empresas de tecnologia e fabricantes de semicondutores da Coreia do Sul.

Na Europa, os principais índices operavam com ganhos discretos, apesar das preocupações com o Oriente Médio e com a inflação. Na Alemanha, o índice de preços ao produtor avançou 3% em julho, mantendo a política monetária da região sob atenção.

Nos Estados Unidos, os índices futuros de Wall Street apontavam para uma abertura positiva. O movimento representava uma tentativa de recuperação após as perdas registradas na quinta-feira, quando a elevação dos rendimentos dos títulos do Tesouro pressionou as bolsas norte-americanas.

Ibovespa encerrou a quinta-feira em leve alta

O Ibovespa fechou a sessão anterior com valorização de 0,06%, aos 167.927 pontos. A alta foi sustentada principalmente pelas ações da Petrobras, beneficiadas pelo avanço recente do petróleo, e pela recuperação dos papéis da Vale diante da valorização do minério de ferro na China.

A Petrobras acumulava seis sessões consecutivas de ganhos, com valorização próxima de 7% no período. A Vale, por sua vez, avançou 2,6% na quinta-feira.

O desempenho ajudou a Bolsa brasileira a interromper uma sequência negativa e manter alta acumulada de aproximadamente 0,6% na semana. O pregão regular do Ibovespa começa às 10h, pelo horário de Brasília.

Cenário eleitoral pode ampliar volatilidade do dólar

No ambiente doméstico, os investidores aguardam a nova pesquisa Datafolha sobre a eleição presidencial de 2026. O levantamento é o primeiro realizado após o início oficial da campanha eleitoral e poderá influenciar as expectativas para a política econômica a partir do próximo ano.

A pesquisa ouviu 2.058 eleitores entre os dias 18 e 20 de agosto. Os resultados sobre a disputa presidencial devem começar a ser divulgados no início da noite desta sexta-feira.

Além das intenções de voto no primeiro turno, o levantamento testa cenários de segundo turno, rejeição aos candidatos e o grau de definição das escolhas do eleitorado.

A proximidade das eleições tende a elevar a sensibilidade do câmbio a pesquisas, declarações de candidatos e propostas relacionadas à política fiscal. Mudanças na percepção sobre gastos públicos, trajetória da dívida e equilíbrio das contas governamentais podem provocar movimentos mais intensos no dólar e nos juros futuros.

Banco Central não anuncia leilão de swap cambial

O Banco Central informou que não realizará nesta sexta-feira leilões de swap cambial destinados à rolagem de contratos. A autoridade monetária não apresentou detalhes adicionais sobre a decisão.

Na quinta-feira (20), o dólar à vista encerrou o pregão próximo de R$ 5,193, com valorização de aproximadamente 0,32%. O movimento foi provocado pela maior aversão ao risco no exterior, pela alta do petróleo e pelas preocupações com os juros e a dívida dos Estados Unidos.

Desempenho do dólar e do Ibovespa

Com a queda registrada na abertura desta sexta-feira, o dólar acumulava desvalorização de aproximadamente 0,5% na semana. No mês de agosto, entretanto, a moeda ainda apresentava avanço próximo de 2,4%. Em 2026, o dólar acumulava queda ao redor de 5,4% frente ao real.

O Ibovespa registrava alta aproximada de 0,6% na semana e avanço superior a 4% no acumulado do ano, apesar das perdas observadas durante agosto.

Dólar mais baixo reduz pressão sobre custos do agronegócio

Para o agronegócio brasileiro, a queda do dólar produz efeitos distintos. A valorização do real pode reduzir os custos de fertilizantes, defensivos, máquinas, combustíveis e outros insumos importados.

Por outro lado, uma moeda norte-americana mais fraca diminui a receita em reais obtida pelos exportadores de soja, milho, café, açúcar, carnes e algodão. Esse cenário pode limitar os preços domésticos das commodities, principalmente quando as cotações internacionais não apresentam valorização suficiente para compensar a variação cambial.

A combinação entre dólar, petróleo, juros norte-americanos e risco geopolítico deverá continuar determinando o comportamento dos mercados ao longo desta sexta-feira. No Brasil, a divulgação da pesquisa eleitoral acrescenta um componente doméstico de volatilidade, mantendo investidores e agentes do agronegócio atentos às próximas movimentações do câmbio.

Fonte: Portal do Agronegócio

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