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Milho e Sorgo

Milho ganha suporte das exportações e avança em Chicago, mas excesso de oferta limita preços no Brasil

Demanda externa sustenta parte das cotações no Sul, enquanto estimativas menores para as safras mundial e norte-americana impulsionam os contratos futuros na Bolsa de Chicago


Publicado em: 21/08/2026 às 11:40hs

Milho ganha suporte das exportações e avança em Chicago, mas excesso de oferta limita preços no Brasil
Foto: Fernando Dias

O mercado do milho encontra suporte no avanço das exportações e na valorização das cotações internacionais, mas a elevada disponibilidade interna ainda impede uma recuperação mais consistente dos preços no Brasil. No Sul do país e em Mato Grosso do Sul, as negociações permanecem pontuais, com compradores cautelosos e produtores seletivos na comercialização.

Segundo levantamento da TF Agroeconômica, as indústrias concentram as aquisições em reposições de curto prazo, enquanto os vendedores aguardam oportunidades mais favoráveis. No mercado externo, sinais de menor produção mundial e de produtividade abaixo do esperado nos Estados Unidos levaram os contratos do cereal a fechar em alta na Bolsa de Chicago (CBOT).

Exportações ajudam a sustentar o milho no Rio Grande do Sul

No Rio Grande do Sul, as indicações de compra e venda oscilam entre R$ 58 e R$ 65 por saca. A média estadual alcançou R$ 59,32, com valorização semanal de 0,54%.

As indústrias gaúchas seguem adquirindo milho principalmente para recompor estoques, enquanto os produtores evitam ampliar as ofertas diante da expectativa de preços melhores. O aumento dos embarques no início de agosto reforçou o papel da demanda externa na sustentação das cotações, embora os volumes exportados ainda permaneçam abaixo dos registrados no mesmo período de 2025.

Diferença entre compradores e vendedores restringe negócios em Santa Catarina

Em Santa Catarina, os vendedores trabalham com referências próximas de R$ 60 por saca, enquanto os compradores apresentam propostas ao redor de R$ 55. Essa diferença mantém a liquidez reduzida e limita o fechamento de novos negócios.

Os consumidores utilizam os estoques disponíveis e realizam aquisições apenas conforme a necessidade imediata. Do lado vendedor, a estratégia continua sendo restringir a oferta à espera de condições comerciais mais atrativas.

Milho sobe no Paraná, mas avanço da colheita aumenta pressão sobre cotações

No Paraná, as indicações também se aproximam de R$ 60 por saca, enquanto a demanda permanece perto de R$ 55 por saca, na modalidade CIF. O preço médio recebido pelo produtor encerrou a última semana em R$ 56,79 por saca.

O valor representa alta de 7,8% em relação à média de julho e avanço de 11% na comparação com agosto de 2025. Apesar da recuperação, o aumento da disponibilidade com a colheita da segunda safra mantém o mercado sob pressão.

Os trabalhos de campo atingiram 73% da área cultivada no estado. Entre as lavouras ainda em desenvolvimento, 91% apresentavam boas condições. A valorização internacional do cereal oferece algum suporte, mas a entrada de novos lotes pode ampliar a pressão sobre os preços internos.

Bioenergia absorve parte da oferta em Mato Grosso do Sul

Em Mato Grosso do Sul, o milho é negociado entre R$ 48 e R$ 50 por saca. Os compradores permanecem focados em reposições de curto prazo, evitando a formação de grandes estoques.

A indústria de bioenergia tem absorvido parte da produção estadual, ajudando a reduzir os efeitos da entrada da nova safra sobre as cotações. Ainda assim, a oferta abundante mantém o mercado regional com pouco espaço para valorização no curto prazo.

Menor produtividade nos Estados Unidos impulsiona milho em Chicago

Na Bolsa de Chicago, os contratos futuros do milho encerraram a sessão em alta, sustentados pelas projeções de produtividade abaixo das expectativas em importantes regiões produtoras dos Estados Unidos.

Os dados foram levantados durante a expedição de campo da Pro Farmer. No oeste de Iowa, a produtividade média foi estimada em 191,80 bushels por acre no Distrito 1, 189,73 bushels por acre no Distrito 4 e 190,59 bushels por acre no Distrito 7.

Na edição anterior da expedição, as estimativas haviam alcançado 197,89, 207,25 e 195,03 bushels por acre, respectivamente. Os resultados mais recentes indicam uma possível redução do potencial produtivo em áreas relevantes do estado.

Em Illinois, a Pro Farmer estimou a produtividade média em 184,19 bushels por acre. O resultado ficou abaixo dos 199,57 bushels por acre projetados no levantamento do ano passado e da média de 199,15 bushels por acre observada nos três anos anteriores.

CIG reduz estimativa para produção mundial de milho

A revisão da oferta global também contribuiu para a valorização do cereal. Conforme o Conselho Internacional de Grãos (CIG), a produção mundial de milho na safra 2026/27 deverá atingir 1,305 bilhão de toneladas.

A estimativa ficou 1 milhão de toneladas abaixo da projeção anterior, de 1,306 bilhão de toneladas. Para a temporada 2025/26, a entidade calcula uma produção global de 1,346 bilhão de toneladas.

A perspectiva de redução na oferta mundial reforçou o movimento comprador em Chicago, especialmente diante dos sinais de menor produtividade nas lavouras norte-americanas. A valorização do petróleo em Nova York também favoreceu as cotações do milho, ao melhorar as expectativas relacionadas à demanda pelo cereal para a produção de etanol.

Demanda pelo milho dos Estados Unidos completa cenário positivo

As vendas externas norte-americanas também ofereceram suporte ao mercado. De acordo com o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), as vendas líquidas de milho da temporada 2025/26 totalizaram 232,9 mil toneladas na semana encerrada em 13 de agosto.

O Japão liderou as compras, com 192,7 mil toneladas. Para a safra 2026/27, as vendas alcançaram outras 816,1 mil toneladas. Somadas, as duas temporadas registraram pouco mais de 1 milhão de toneladas, dentro da faixa inferior das expectativas do mercado, que variavam de 1 milhão a 1,8 milhão de toneladas.

Contratos futuros do milho fecham com alta superior a 1%

O contrato de milho com vencimento em setembro encerrou a sessão cotado a US$ 4,78 3/4 por bushel, com avanço de 5,75 centavos, equivalente a 1,21%.

Já o contrato para dezembro terminou a US$ 5,03 1/2 por bushel, alta de 5,50 centavos ou 1,10% em relação ao fechamento anterior.

A recuperação em Chicago pode oferecer sustentação adicional aos preços brasileiros, especialmente nas regiões exportadoras. No entanto, a continuidade da colheita da segunda safra, a oferta elevada e a cautela dos consumidores ainda limitam uma reação mais ampla do milho no mercado interno.

Fonte: Portal do Agronegócio

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