Publicidade
Mercado Financeiro

Dólar cai para R$ 5,14 e Ibovespa abre em alta após pesquisa Quaest movimentar mercado financeiro

Moeda norte-americana perde força após oscilar perto da estabilidade; Bolsa brasileira busca ampliar sequência de ganhos, enquanto investidores monitoram cenário eleitoral, petróleo e indicadores econômicos do Brasil e dos Estados Unidos


Publicado em: 02/09/2026 às 11:00hs

Dólar cai para R$ 5,14 e Ibovespa abre em alta após pesquisa Quaest movimentar mercado financeiro

O dólar passou a cair frente ao real nesta quarta-feira (2), depois de oscilar próximo da estabilidade durante os primeiros negócios. O mercado financeiro brasileiro reage à nova pesquisa eleitoral Genial/Quaest, acompanha os desdobramentos do conflito entre Estados Unidos e Irã e avalia indicadores econômicos divulgados no Brasil.

Na atualização mais recente da manhã, o dólar comercial recuava para a região de R$ 5,14, após variar entre aproximadamente R$ 5,13 e R$ 5,16. Na abertura, a moeda norte-americana chegou a apresentar leve valorização e foi negociada perto de R$ 5,16.

Na B3, o Ibovespa abriu em alta, apoiado principalmente pelas ações de empresas ligadas ao petróleo e à mineração. Petrobras e Vale figuravam entre os principais suportes do índice, favorecidas pelos preços elevados das commodities no mercado internacional.

Pesquisa Quaest entra no radar dos investidores

A atenção dos agentes financeiros estava concentrada na pesquisa Genial/Quaest sobre a eleição presidencial de 2026. O levantamento mostrou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 37% das intenções de voto, enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) apareceu com 30%.

Augusto Cury (Avante) alcançou 10% das intenções de voto, consolidando-se na terceira posição do cenário pesquisado. Em uma eventual disputa de segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro, o levantamento apontou empate técnico, com 42% para o presidente e 41% para o senador.

A pesquisa ouviu 2.004 pessoas presencialmente entre 30 de agosto e 1º de setembro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. O levantamento foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-07065/2026.

O cenário eleitoral ganhou ainda mais relevância para o mercado após as recentes revelações envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, e autoridades públicas. Os investidores avaliam possíveis efeitos do noticiário político sobre a disputa presidencial, a agenda econômica e a percepção de risco dos ativos brasileiros.

Ibovespa tenta ampliar sequência positiva

O Ibovespa iniciou a sessão desta quarta-feira em alta, depois de encerrar o pregão anterior com valorização de 1,30%, aos 179.722 pontos. Na máxima de terça-feira (1º), o índice chegou a superar os 181 mil pontos.

Foi a décima alta consecutiva da Bolsa brasileira, movimento sustentado pelo ingresso de recursos estrangeiros, pela queda dos juros futuros e pela valorização de ações de grande peso na carteira do índice.

No acumulado de 2026, o Ibovespa mantém avanço de dois dígitos. O desempenho reflete a recuperação de parte dos ativos domésticos, embora as incertezas fiscais, eleitorais e geopolíticas continuem elevando a volatilidade.

Dólar acumula queda em 2026

No pregão de terça-feira, o dólar à vista encerrou cotado entre R$ 5,15 e R$ 5,16, com queda próxima de 0,5%. Nesta quarta-feira, a moeda iniciou os negócios sem direção definida, mas perdeu força ao longo da manhã e passou a operar perto de R$ 5,14.

A cotação acumulava queda na semana e recuo superior a 6% em 2026. A valorização do real tem sido favorecida pelo fluxo de capital estrangeiro para a Bolsa e pelo diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos.

Apesar desse suporte, o ambiente eleitoral, as incertezas fiscais e o agravamento das tensões internacionais podem provocar novas oscilações no câmbio durante setembro.

O Banco Central também realiza nesta quarta-feira leilão de 50 mil contratos de swap cambial, operação destinada à rolagem do vencimento de 1º de outubro. A medida não representa necessariamente uma intervenção para alterar a direção do câmbio, mas ajuda a manter a liquidez e a estabilidade do mercado futuro.

Petróleo e conflito entre EUA e Irã aumentam cautela

No exterior, o conflito entre Estados Unidos e Irã permanece como um dos principais fatores de risco. A escalada militar elevou as preocupações com o abastecimento mundial de energia e levou o petróleo Brent à região de US$ 95 por barril, maior patamar desde junho.

Depois das fortes altas recentes, os contratos do petróleo apresentavam volatilidade nesta quarta-feira. O mercado avalia os riscos para o transporte da commodity pelo Golfo Pérsico e pelo Estreito de Hormuz, rota estratégica para o comércio global de energia.

O petróleo mais caro favorece ações de companhias produtoras, como Petrobras e Prio, mas também amplia as preocupações com a inflação mundial. Uma pressão inflacionária prolongada pode levar bancos centrais a manter os juros elevados por mais tempo, reduzindo o apetite dos investidores por ativos de risco.

Produção industrial brasileira cresce 0,2%

Na agenda econômica doméstica, a produção industrial brasileira avançou 0,2% em julho, interrompendo uma sequência de dois meses de queda. Na comparação com julho de 2025, entretanto, a atividade industrial recuou 0,5%.

O resultado veio depois da divulgação do Produto Interno Bruto brasileiro. A economia cresceu 0,5% no segundo trimestre de 2026 em relação aos três meses anteriores, acima da expectativa de parte do mercado.

Os números reforçam a avaliação de que a economia brasileira continua crescendo, embora em ritmo moderado diante dos juros ainda elevados. A taxa Selic está em 14% ao ano, mantendo o Brasil com um dos maiores diferenciais de juros entre as principais economias.

Mercado acompanha emprego nos Estados Unidos e Federal Reserve

Nos Estados Unidos, os investidores aguardam novos dados sobre o mercado de trabalho privado e a divulgação do Livro Bege do Federal Reserve. Os indicadores poderão influenciar as expectativas para a trajetória dos juros norte-americanos.

Taxas elevadas nos Estados Unidos tendem a fortalecer o dólar globalmente e a reduzir o fluxo de recursos para mercados emergentes. Já sinais de desaceleração econômica podem ampliar as apostas em uma política monetária menos restritiva, favorecendo moedas como o real e ativos negociados na Bolsa brasileira.

Diante desse conjunto de fatores, o mercado financeiro deve permanecer volátil. O comportamento do dólar e do Ibovespa ao longo do pregão dependerá principalmente da reação dos investidores à pesquisa eleitoral, das oscilações do petróleo e dos indicadores econômicos internacionais.

Fonte: Portal do Agronegócio

◄ Leia outras notícias