Dólar cai para R$ 5,11 com eleições e petróleo no radar; mercado monitora Ibovespa e cenário global
Moeda norte-americana recua na volta do feriado, enquanto investidores avaliam pesquisas eleitorais, avanço do petróleo, perspectivas para os juros globais e novas projeções da economia brasileira
Publicado em: 08/09/2026 às 11:10hs
O dólar iniciou a sessão desta terça-feira, 8 de setembro, em queda no mercado brasileiro, refletindo ajustes de posições após o feriado da Independência e a reação dos investidores às novas pesquisas sobre a eleição presidencial de 2026.
Por volta das 9h, o dólar à vista era negociado entre R$ 5,11 e R$ 5,12, com desvalorização próxima de 0,3%. Na B3, o contrato futuro da moeda norte-americana com vencimento em outubro, atualmente o mais líquido, recuava cerca de 0,30%, para aproximadamente R$ 5,14.
O movimento ocorre após o dólar comercial encerrar a sexta-feira, dia 4, cotado ao redor de R$ 5,13, com valorização de 0,50%. Na mesma sessão, o Ibovespa apresentou leve recuo de 0,02%, aos 185.147 pontos.
Pesquisas eleitorais aumentam atenção sobre o dólar
A disputa pela Presidência da República voltou ao centro das decisões no mercado financeiro. Levantamento Quaest divulgado na segunda-feira mostrou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro empatados numericamente, com 41% das intenções de voto para cada um, em uma eventual disputa de segundo turno.
A pesquisa ouviu 2.004 pessoas entre os dias 3 e 6 de setembro, possui margem de erro de dois pontos percentuais e está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-01720/2026.
Outro levantamento, divulgado nesta terça-feira pelo instituto Nexus, mostrou Flávio Bolsonaro com 46% e Lula com 45% no segundo turno, configurando empate técnico. No primeiro turno, Lula aparece com 39%, enquanto Flávio soma 34%. A pesquisa entrevistou 2.002 eleitores entre 4 e 7 de setembro, com margem de erro de dois pontos percentuais.
A redução da diferença entre os principais candidatos tem provocado ajustes nas estratégias dos investidores. Parte do mercado interpreta o acirramento eleitoral como um fator capaz de ampliar a cobrança por responsabilidade fiscal, controle das despesas públicas e apresentação de medidas econômicas mais conservadoras pelos candidatos.
Apesar dessa leitura, o período eleitoral tende a manter elevada a volatilidade do dólar, dos juros futuros e da Bolsa brasileira.
Petróleo perto de US$ 100 eleva tensão no mercado global
No exterior, a forte valorização do petróleo limita o movimento de queda do dólar e aumenta a cautela dos investidores. O barril do Brent chegou a se aproximar de US$ 100, impulsionado pela intensificação das tensões no Oriente Médio e pelo risco de interrupções no fornecimento global de energia.
No início da manhã, o contrato do Brent para dezembro operava perto de US$ 94,85 por barril, apesar de uma realização pontual dos preços.
A escalada do petróleo amplia as preocupações com a inflação mundial, especialmente porque diesel e gasolina também acumulam forte valorização. Esse ambiente pode levar bancos centrais a manter juros elevados por mais tempo ou até promover novos aumentos das taxas básicas.
As bolsas europeias operavam em baixa, enquanto os contratos futuros do S&P 500 e do Nasdaq apontavam recuo na retomada dos negócios em Wall Street após o feriado do Dia do Trabalho nos Estados Unidos. O rendimento dos títulos do Tesouro norte-americano de dez anos permanecia elevado, próximo de 4,8%.
Ibovespa tenta sustentar sequência de valorização
O Ibovespa começou o dia sob expectativa de recuperação após encerrar a sexta-feira praticamente estável, aos 185.147 pontos. Desde 17 de agosto, o principal índice da B3 acumula valorização aproximada de 11,5%, apoiado pela entrada de capital estrangeiro, pela queda dos juros futuros e pelo desempenho das empresas ligadas às commodities.
As ações da Petrobras permanecem entre os destaques potenciais do pregão diante da valorização internacional do petróleo. Os papéis da Vale também podem receber suporte do minério de ferro, que voltou a superar US$ 100 por tonelada em Singapura.
Em sentido contrário, o avanço dos rendimentos dos títulos globais e a possibilidade de novas altas dos juros nas principais economias podem reduzir o apetite por ativos de maior risco.
Banco Central acompanha mercado de câmbio
A atuação do Banco Central também permanece no radar. A autoridade monetária programou para esta terça-feira um leilão de 50 mil contratos de swap cambial destinado à rolagem do vencimento de 1º de outubro.
A operação não representa necessariamente uma intervenção para alterar a cotação do dólar. O objetivo principal é renovar contratos existentes e oferecer proteção cambial aos participantes do mercado.
Focus reduz projeção de inflação
No ambiente doméstico, o mercado também repercute a atualização do Boletim Focus. As instituições financeiras reduziram de 5,01% para 5,00% a projeção para a inflação brasileira em 2026. A estimativa de crescimento do Produto Interno Bruto foi elevada para 1,93%.
A combinação entre inflação ainda elevada, juros domésticos restritivos e incertezas fiscais deve continuar influenciando o comportamento do real nos próximos meses.
Desempenho recente do dólar e do Ibovespa
Antes da abertura desta terça-feira, o dólar acumulava queda de 1,27% na semana, recuo de 0,96% em setembro e desvalorização de 6,54% em 2026.
O Ibovespa, por sua vez, registrava valorização acumulada de 5,40% na semana, avanço de 4,36% no mês e alta de 14,91% no ano.
Ao longo do pregão, os investidores devem acompanhar principalmente a evolução do petróleo, o comportamento dos juros internacionais, o fluxo de capital estrangeiro e os desdobramentos das pesquisas eleitorais. Esses fatores podem provocar oscilações relevantes no preço do dólar e nas ações negociadas na Bolsa brasileira.
Fonte: Portal do Agronegócio
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