Copom corta Selic para 13,75% com desaceleração da economia e da inflação
Ata do Banco Central aponta perda de ritmo do PIB, enfraquecimento da demanda e efeitos dos juros sobre o crédito, mas mantém cautela diante das expectativas inflacionárias acima da meta
Publicado em: 23/09/2026 às 18:40hs
A desaceleração da atividade econômica e da inflação, somada aos efeitos dos juros elevados sobre o crédito e a demanda, levou o Comitê de Política Monetária (Copom) a reduzir a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, de 14% para 13,75% ao ano.
As justificativas constam da ata da última reunião do colegiado, divulgada pelo Banco Central nesta terça-feira (22). Apesar do início da flexibilização monetária, o documento indica que os próximos passos deverão ser conduzidos com cautela, diante das expectativas de inflação acima da meta e das incertezas no cenário internacional.
Economia brasileira apresenta desaceleração gradual
Segundo o Copom, os indicadores divulgados desde a reunião anterior mostram uma moderação gradual da atividade econômica, especialmente nos setores mais sensíveis ao ciclo de juros.
A economia brasileira, entretanto, permanece resiliente, enquanto o mercado de trabalho continua aquecido. A leitura do Produto Interno Bruto referente ao segundo trimestre confirmou a perda de ritmo já sinalizada por outros indicadores.
A desaceleração foi mais intensa nas atividades econômicas e nos componentes da demanda diretamente afetados pelo custo do crédito.
Para o comitê, a redução da demanda agregada é uma etapa necessária para restabelecer o equilíbrio entre oferta e procura e permitir que a inflação retorne à meta.
Inflação perde força, mas continua acima do centro da meta
A ata também destaca a desaceleração recente da inflação ao consumidor. Tanto o índice cheio quanto a média das medidas de inflação subjacente perderam força nos últimos meses.
No acumulado de 12 meses, os dois indicadores passaram a ficar abaixo do limite superior do intervalo de tolerância. Mesmo assim, continuam acima do centro da meta perseguida pelo Banco Central.
O Copom reconheceu que os juros elevados vêm contribuindo de forma decisiva para o processo de desinflação. O documento pondera, contudo, que a inflação ainda apresenta pressão relacionada à demanda, exigindo a manutenção de uma política monetária restritiva.
Crédito reflete efeitos dos juros elevados
Os dados mais recentes do mercado de crédito reforçam o diagnóstico de desaceleração econômica em um ambiente de juros elevados.
De acordo com a ata, os sinais de transmissão da política monetária contracionista para a atividade vêm se acumulando gradualmente. Na prática, o custo mais alto dos financiamentos reduz o consumo, os investimentos e a procura por novos empréstimos.
Esse enfraquecimento da demanda contribui para aliviar as pressões sobre os preços, mas também limita o crescimento de setores mais dependentes de crédito.
Expectativas de inflação mantêm Copom cauteloso
Apesar da melhora nos indicadores correntes, o Banco Central segue preocupado com a desancoragem das expectativas inflacionárias.
As projeções da pesquisa Focus citadas na ata apontam inflação de 4,9% em 2026 e de 4,3% em 2027, ambas acima do centro da meta.
Segundo o Copom, um ambiente de expectativas desancoradas exige juros restritivos por um período mais prolongado. O objetivo é assegurar que a inflação convirja para a meta no horizonte considerado relevante para a política monetária.
A avaliação indica que o corte da Selic não representa abandono da postura de combate à inflação. O comitê continuará ajustando o grau de restrição monetária conforme a evolução dos preços, da atividade econômica e das expectativas.
Cenário internacional amplia incertezas
O Copom também destacou o aumento dos riscos externos, especialmente diante das tensões geopolíticas no Oriente Médio e das dúvidas sobre os próximos movimentos dos bancos centrais das principais economias avançadas.
Entre os fatores capazes de produzir uma inflação menor do que a projetada estão uma desaceleração mais intensa da economia brasileira e mundial e uma eventual queda nos preços internacionais das commodities.
Por outro lado, choques externos, pressões sobre matérias-primas e novas alterações nas condições financeiras globais podem dificultar o processo de redução da inflação.
Corte da Selic mantém estratégia de convergência da inflação
Na avaliação do Banco Central, a redução de 0,25 ponto percentual é compatível com a estratégia de levar a inflação de volta à meta sem retirar prematuramente a restrição monetária.
O Copom ressaltou que acompanhará os novos dados econômicos antes de definir os próximos passos. A continuidade dos cortes dependerá do comportamento da inflação, das expectativas, da atividade econômica, do crédito e do cenário internacional.
Fonte: Portal do Agronegócio
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