Bolsas globais sobem na Ásia, Ibovespa avança e commodities monitoram petróleo, dólar e cenário climático
Mercados iniciam a semana com apetite moderado por risco, enquanto investidores acompanham o Boletim Focus, temporada de balanços, inflação nos Estados Unidos e as negociações sobre a reabertura do Estreito de Ormuz
Publicado em: 10/08/2026 às 10:55hs
Os mercados financeiros iniciam a semana em um ambiente de cautela, mas com viés positivo, marcado pela alta das bolsas asiáticas, estabilidade na Europa e avanço moderado dos ativos brasileiros. No Brasil, o Ibovespa opera em alta, enquanto o dólar permanece próximo de R$ 5,09. No exterior, investidores acompanham a trajetória dos juros americanos, a temporada de balanços e as incertezas envolvendo o Estreito de Ormuz, que continuam influenciando os preços do petróleo.
Na manhã desta segunda-feira (10), por volta das 10h10, o Ibovespa avançava 0,12%, aos 172.726,91 pontos, enquanto o dólar à vista subia 0,10%, a R$ 5,0887. O Ibovespa futuro havia iniciado o pregão com alta de 0,35%, aos 173.250 pontos.
O cenário combina fatores externos e domésticos. De um lado, o mercado recebeu com algum alívio a perspectiva de uma política monetária menos apertada nos Estados Unidos após dados recentes de emprego. De outro, a alta do petróleo e as dúvidas sobre a normalização do tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz mantêm os investidores atentos aos riscos inflacionários.
Bolsas da Ásia fecham em alta
O pregão asiático apresentou desempenho predominantemente positivo. O Nikkei, do Japão, subiu 2,08%, impulsionado principalmente pelas ações de tecnologia. O Hang Seng, de Hong Kong, avançou 1,05%, enquanto o Kospi, da Coreia do Sul, ganhou 0,65%.
Em Xangai, o índice acionário registrou alta de 0,67%, enquanto Taiwan avançou 1,59%. O movimento ocorre em meio à avaliação dos dados econômicos chineses e às sinalizações de Pequim sobre sua política cambial e o aumento da utilização internacional do yuan.
Na Europa, o movimento é mais moderado. Por volta das 9h de Brasília, Paris subia 0,15%, Frankfurt avançava 0,30% e Londres recuava 0,21%.
Em Nova York, os futuros apresentavam sinais mistos no início da manhã. O Dow Jones futuro recuava 0,12%, enquanto o S&P 500 futuro subia 0,04% e o Nasdaq futuro avançava 0,11%.
Ibovespa reage a balanços e cenário internacional
No mercado brasileiro, a temporada de resultados corporativos divide espaço com os indicadores macroeconômicos e o comportamento das commodities.
O Ibovespa encerrou a última sexta-feira aos 172.513 pontos, depois de queda de 1,73% no pregão e recuo acumulado de 3,1% na semana passada.
Nesta segunda-feira, os investidores acompanham principalmente os balanços das empresas brasileiras, com destaque para Embraer, Natura, Banco do Brasil, BTG, JBS e Suzano.
A Embraer apresentou um dos principais resultados da manhã. A companhia registrou lucro líquido ajustado de R$ 1,113 bilhão no segundo trimestre de 2026, crescimento de 25,1% em relação ao mesmo período do ano anterior.
A empresa também elevou suas projeções para 2026, passando a estimar margem EBIT ajustada entre 10,0% e 10,6%, contra faixa anterior de 8,7% a 9,3%. A projeção de fluxo de caixa livre também foi elevada para pelo menos US$ 400 milhões.
Boletim Focus reduz projeção de inflação
No cenário doméstico, o mercado financeiro reduziu pela sexta semana consecutiva a projeção para a inflação de 2026.
Segundo o Boletim Focus, a estimativa para o IPCA caiu de 5,03% para 5,02%. A projeção para o PIB também foi revisada marginalmente para baixo, de 1,99% para 1,98%.
Para a Selic, os analistas mantiveram a expectativa de 13,75% ao ano no fim de 2026, enquanto a taxa básica atualmente está em 14%. A projeção indica a possibilidade de mais um corte de 0,25 ponto percentual ao longo do ano.
Para o câmbio, a estimativa permanece em R$ 5,20 por dólar no encerramento de 2026.
A pesquisa também reduziu a previsão para os preços administrados, de 4,93% para 4,91%, enquanto a projeção para o IGP-M passou de 4,54% para 4,47%.
Para 2027, a estimativa do IPCA permaneceu em 4,22%, enquanto a projeção para o crescimento econômico caiu de 1,57% para 1,52%.
Petróleo sobe com tensão no Estreito de Ormuz
Um dos principais fatores de pressão sobre os mercados nesta segunda-feira é o petróleo.
As negociações entre Irã e Omã sobre a retomada do tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz continuam no radar dos investidores. Apesar dos sinais de avanço nas conversas, Teerã condiciona a reabertura completa da passagem ao atendimento de exigências por parte dos Estados Unidos.
Por volta das 10h, o petróleo Brent para outubro avançava cerca de 1,72%, a US$ 84,99 por barril, enquanto o WTI para setembro subia 1,80%, a US$ 79,59.
O movimento é particularmente importante para o agronegócio porque o petróleo influencia diretamente os custos de transporte, diesel, fertilizantes, defensivos e fretes, além de interferir na formação de preços de commodities agrícolas e energéticas.
Commodities agrícolas operam com cenário misto
No mercado agrícola, os preços iniciam a semana refletindo uma combinação de fatores climáticos, cambiais, geopolíticos e de oferta e demanda.
Na B3, o milho com vencimento em setembro de 2026 aparece próximo de R$ 68,86 por saca, enquanto o café arábica é negociado ao redor de R$ 386,00.
A soja física em Paranaguá permanece firme, próxima de R$ 145,15 por saca, apoiada por prêmios portuários e demanda internacional.
Já o boi gordo, no contrato de agosto de 2026, opera próximo de R$ 346,40 por arroba.
No mercado internacional, o comportamento das commodities continua fortemente condicionado às condições climáticas nos Estados Unidos. Dados recentes mostraram que o clima no Meio-Oeste americano vem provocando ajustes importantes nas cotações de soja e milho, enquanto o trigo continua sensível às questões geopolíticas e às exportações do Mar Negro.
Chicago acompanha clima nos Estados Unidos
A Bolsa de Chicago continua sendo um dos principais centros de formação de preços para as commodities agrícolas brasileiras.
As condições climáticas no cinturão produtor dos Estados Unidos seguem no radar dos operadores. Previsões de temperaturas e chuvas podem provocar alterações nas expectativas de produtividade e, consequentemente, movimentar os contratos futuros de soja e milho.
O mercado também acompanha os dados de exportação norte-americanos e os próximos números oficiais sobre as lavouras.
O trigo, por sua vez, permanece influenciado pelas tensões entre Rússia e Ucrânia e pelos riscos relacionados ao fluxo de exportações no Mar Negro.
Dólar continua determinante para o agronegócio
O câmbio é outro componente central para os preços agrícolas no Brasil.
Com o dólar próximo de R$ 5,09, produtores, tradings, indústrias e exportadores acompanham de perto a relação entre a moeda brasileira, os juros nos Estados Unidos e o comportamento das commodities internacionais.
Para o produtor rural, uma valorização do dólar tende a aumentar a conversão dos preços internacionais das commodities para reais. Ao mesmo tempo, pode elevar o custo de insumos importados ou com componentes dolarizados.
Esse efeito é especialmente relevante para soja, milho, café, açúcar, algodão e carnes, setores fortemente conectados ao mercado internacional.
Empresas do agronegócio na B3
Entre as empresas ligadas diretamente ao agronegócio e à cadeia de commodities, o mercado acompanha o desempenho de papéis como:
- SLC Agrícola (SLCE3): R$ 13,22, alta de 0,08%;
- São Martinho (SMTO3): R$ 14,78, alta de 0,61%;
- BrasilAgro (AGRO3): R$ 18,08, queda de 0,55%;
- Cosan (CSAN3): R$ 3,67, queda de 3,17%.
O comportamento dessas companhias permanece relacionado não apenas ao desempenho da B3, mas também aos preços agrícolas, câmbio, custos de produção, petróleo, juros e expectativas para as próximas safras.
Semana terá agenda econômica carregada
Além dos balanços corporativos, os investidores terão uma agenda importante ao longo dos próximos dias.
Nos Estados Unidos, o índice de preços ao consumidor (CPI) será divulgado na quarta-feira e deverá ser um dos principais indicadores para as expectativas em relação à política monetária do Federal Reserve.
O mercado também continuará avaliando os dados de emprego, inflação e atividade econômica norte-americanos, que podem influenciar a trajetória dos juros, do dólar e dos Treasuries.
No Brasil, a ata do Copom, os indicadores de inflação e a temporada de balanços estarão entre os principais catalisadores.
Os juros dos Treasuries também começaram a semana em alta. Pela manhã, o rendimento da Treasury de dois anos estava em 4,224%, enquanto o título de dez anos apresentava rendimento de 4,663%.
Mercado global influencia diretamente o agronegócio
O início da semana mostra um mercado financeiro conectado a quatro grandes vetores: juros, petróleo, câmbio e commodities.
Para o agronegócio brasileiro, a combinação é particularmente importante. O comportamento do dólar interfere na receita dos exportadores, enquanto petróleo e juros afetam custos logísticos e financeiros. Ao mesmo tempo, clima e demanda internacional continuam determinando a formação dos preços agrícolas.
Com as bolsas asiáticas em alta, mercados europeus próximos da estabilidade e Wall Street iniciando o dia sem direção única, o ambiente internacional permanece favorável, mas ainda sujeito a oscilações.
No Brasil, o desempenho do Ibovespa, do dólar e das commodities deverá continuar sendo determinado pela combinação entre Boletim Focus, inflação, juros, balanços corporativos e cenário geopolítico.
Para o mercado agro, a atenção permanece concentrada especialmente em soja, milho, café, trigo, açúcar, petróleo e câmbio, ativos que podem apresentar volatilidade elevada diante das mudanças nas expectativas para oferta, demanda e custos globais.
Dados de mercado desta matéria refletem as cotações disponíveis na manhã de 10 de agosto de 2026 e podem sofrer alterações ao longo do pregão.
Fonte: Portal do Agronegócio
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