Bolsas globais respiram após forte volatilidade, enquanto Ibovespa acompanha cautela com tarifas, IA e tensões geopolíticas
Mercados internacionais ensaiam recuperação nesta sexta-feira, com alta nas bolsas asiáticas, recuo do petróleo e do dólar. No Brasil, investidores acompanham o Ibovespa, discursos de autoridades econômicas, balanços corporativos e os impactos das novas tarifas comerciais dos Estados Unidos
Publicado em: 24/07/2026 às 10:55hs
O mercado financeiro internacional iniciou esta sexta-feira em clima de recuperação técnica após a forte aversão ao risco registrada no pregão anterior. As bolsas asiáticas encerraram o dia em alta, os contratos futuros dos principais índices norte-americanos operaram em recuperação e o petróleo devolveu parte dos ganhos recentes, enquanto investidores continuam monitorando o conflito no Oriente Médio, a temporada de balanços das gigantes de tecnologia e a nova ofensiva tarifária dos Estados Unidos.
No Brasil, o movimento externo influencia diretamente os negócios na B3. O Ibovespa abriu próximo dos 176,7 mil pontos, enquanto o dólar comercial permaneceu ao redor de R$ 5,08, em um ambiente de cautela diante dos indicadores econômicos globais, da volatilidade das commodities e da agenda doméstica, que inclui declarações do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, do secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, além da divulgação do relatório fiscal do governo.
Bolsas asiáticas lideram recuperação dos mercados
Na Ásia, os investidores voltaram a comprar ativos ligados à tecnologia e inteligência artificial após a forte realização observada na véspera.
Os principais índices encerraram o pregão em alta:
- CSI 300 (China): +0,23%
- Xangai (SSEC): +0,25%
- Hang Seng (Hong Kong): +1,28%
- Kospi (Coreia do Sul): +4,40%
- Nikkei 225 (Japão): +0,46%
O desempenho foi impulsionado pela retomada do interesse por empresas de tecnologia, embora o mercado permaneça atento aos resultados corporativos das gigantes americanas do setor.
Tecnologia continua no centro das atenções
A sessão anterior foi marcada pelas maiores perdas do S&P 500 e do Nasdaq em aproximadamente um mês, após os balanços de Alphabet e Tesla levantarem dúvidas sobre a sustentabilidade dos elevados investimentos em inteligência artificial e o aumento do consumo de caixa das chamadas "Big Techs".
Antes da abertura dos mercados norte-americanos, a Intel trouxe um alívio parcial ao divulgar projeções de receita e lucro acima das expectativas, além de anunciar novos investimentos para ampliar sua capacidade produtiva nos próximos dois anos. As ações da fabricante chegaram a subir mais de 5% no pré-mercado, embora o setor de semicondutores continue passando por realização de lucros após a forte valorização acumulada em 2026.
Novas tarifas dos EUA seguem pressionando o mercado
Outro fator de atenção permanece sendo a política comercial dos Estados Unidos.
O governo de Donald Trump anunciou uma nova rodada de tarifas entre 10% e 12,5% sobre produtos provenientes de aproximadamente 60 parceiros comerciais, incluindo China e países europeus.
Segundo a Casa Branca, a medida substitui a tarifa temporária anterior e faz parte da estratégia de combate ao trabalho forçado e de fortalecimento da indústria norte-americana. Apesar do endurecimento da política comercial, analistas destacam que o pacote foi considerado menos agressivo do que o mercado esperava, devido à inclusão de exceções para reduzir impactos inflacionários sobre o consumidor americano.
Geopolítica mantém investidores em alerta
As tensões no Oriente Médio continuam sendo um dos principais vetores de risco para os mercados globais.
Novas declarações do presidente Donald Trump elevaram o tom contra o Irã e os rebeldes houthis após ataques contra navios no Mar Vermelho, aumentando as preocupações sobre possíveis interrupções no transporte marítimo e na oferta global de petróleo.
Mesmo com o Brent registrando queda próxima de 2% nesta sexta-feira, a commodity ainda acumula valorização na semana, sustentada pelos riscos geopolíticos na região.
Expectativas para o Federal Reserve aumentam
Os investidores também ajustam posições antes da próxima reunião do Federal Reserve.
Segundo o mercado futuro de juros dos Estados Unidos, aumentou significativamente a probabilidade de manutenção de uma política monetária mais restritiva, enquanto a divulgação do índice PCE — principal indicador de inflação acompanhado pelo Fed — será decisiva para os próximos movimentos da autoridade monetária.
Ibovespa acompanha cenário externo
Na B3, o ambiente continua dominado pelos fatores internacionais.
Além das preocupações com tarifas comerciais, os investidores monitoram:
- divulgação dos índices PMI dos Estados Unidos e Europa;
- comportamento do petróleo e das commodities metálicas;
- fluxo de investidores estrangeiros;
- expectativas para juros no Brasil e nos Estados Unidos.
Entre os destaques corporativos do mercado brasileiro estão:
- ISA Energia (ISAE4), que concluiu oferta primária de ações a R$ 27, captando cerca de R$ 1,2 bilhão;
- PicPay, que recebeu autorização do Banco Central para concluir a aquisição da seguradora Kovr;
- Relatórios de bancos como BTG Pactual e Itaú BBA, que seguem projetando entrada consistente de capital estrangeiro na bolsa brasileira durante o segundo semestre.
Commodities seguem determinantes para o mercado brasileiro
Para a bolsa brasileira, o comportamento das commodities continua sendo decisivo.
As oscilações do petróleo afetam diretamente Petrobras e o setor de energia, enquanto minério de ferro, soja, milho e demais commodities agrícolas permanecem no radar dos investidores devido ao peso que possuem no Ibovespa e nas exportações brasileiras.
Perspectiva para os próximos pregões
Embora o movimento desta sexta-feira indique uma redução momentânea da aversão ao risco, analistas avaliam que a volatilidade deverá permanecer elevada.
A combinação entre conflito no Oriente Médio, novas tarifas comerciais, temporada de balanços, decisões de política monetária e indicadores econômicos continua sendo o principal direcionador dos mercados globais.
No Brasil, além do cenário internacional, os investidores acompanham atentamente os desdobramentos fiscais, a trajetória dos juros, o fluxo de capital estrangeiro e o desempenho das commodities, fatores que devem continuar determinando o comportamento do Ibovespa nas próximas semanas.
Fonte: Portal do Agronegócio
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