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Mercado Financeiro

Bolsas globais recuam com tensão entre EUA e Irã, enquanto Ibovespa avança apoiado pelo petróleo e inflação mais branda

Escalada do conflito no Oriente Médio aumenta a aversão ao risco nos mercados internacionais, pressiona bolsas asiáticas e impulsiona o petróleo, enquanto a Bolsa brasileira encontra suporte em Petrobras, cenário inflacionário doméstico e expectativa sobre os juros.


Publicado em: 13/07/2026 às 10:20hs

Bolsas globais recuam com tensão entre EUA e Irã, enquanto Ibovespa avança apoiado pelo petróleo e inflação mais branda

As bolsas mundiais iniciaram a semana sob forte volatilidade, refletindo a escalada das tensões geopolíticas no Oriente Médio após a intensificação dos confrontos entre Estados Unidos e Irã. O aumento da aversão ao risco levou investidores a reduzirem exposição em ativos de maior risco, provocando perdas expressivas nas principais bolsas asiáticas e movimentando os mercados globais de commodities, moedas e renda variável.

No Brasil, o cenário foi parcialmente compensado pela valorização do petróleo no mercado internacional e por indicadores domésticos considerados positivos, permitindo ao Ibovespa abrir em alta, sustentado principalmente pelas ações da Petrobras e do setor financeiro.

Bolsas asiáticas encerram sessão em baixa com temor sobre conflito no Oriente Médio

Os mercados asiáticos reagiram negativamente ao agravamento da crise geopolítica após novos ataques envolvendo forças norte-americanas e iranianas. O receio de interrupções no fornecimento global de petróleo, especialmente diante das ameaças envolvendo o Estreito de Ormuz — rota estratégica para cerca de um quinto do petróleo comercializado no mundo — elevou significativamente a percepção de risco entre investidores.

Na China, o movimento foi intensificado pela realização de lucros após recentes altas, levando os principais índices aos menores níveis dos últimos três meses.

O índice SSEC, da Bolsa de Xangai, encerrou o pregão com queda de 2,06%, enquanto o CSI 300, que reúne as maiores empresas listadas em Xangai e Shenzhen, recuou 1,79%.

Entre os setores mais penalizados estiveram empresas ligadas à defesa, inteligência artificial, semicondutores, satélites e minerais estratégicos, refletindo tanto a realização de ganhos quanto o aumento da cautela diante do cenário internacional.

Em Hong Kong, o índice Hang Seng conseguiu escapar das perdas e fechou com leve alta de 0,16%, enquanto outras bolsas da região apresentaram desempenho predominantemente negativo:

  • Japão (Nikkei): -1,92%
  • Coreia do Sul (Kospi): -8,95%
  • Taiwan (Taiex): +0,06%
  • Singapura (Straits Times): -0,11%
  • Austrália (S&P/ASX 200): +0,03%
Petróleo dispara e amplia volatilidade dos mercados financeiros

O principal reflexo do conflito permanece concentrado no mercado de energia.

O petróleo Brent voltou a negociar próximo de US$ 78 por barril, sustentado pelas preocupações com possíveis restrições ao transporte marítimo na região do Golfo Pérsico.

A valorização da commodity beneficia empresas exportadoras de petróleo, especialmente a Petrobras, mas amplia as preocupações com inflação global, custos logísticos e preços dos combustíveis.

O avanço do petróleo também fortalece empresas do setor de energia em diversas bolsas internacionais, ao mesmo tempo em que aumenta a pressão sobre países importadores.

Ibovespa abre em alta impulsionado por Petrobras e expectativa sobre juros

Apesar do ambiente internacional mais adverso, a Bolsa brasileira apresentou desempenho positivo na abertura dos negócios.

O Ibovespa operou na faixa dos 178 mil pontos, apoiado principalmente por três fatores:

  • valorização do petróleo, favorecendo as ações da Petrobras;
  • inflação doméstica mostrando sinais de desaceleração;
  • expectativa de continuidade do ciclo de redução dos juros nos próximos meses.

No mercado de câmbio, o dólar iniciou o pregão próximo de R$ 5,11, acompanhando o fortalecimento global da moeda norte-americana em meio à busca por ativos considerados mais seguros.

Petrobras, Vale e bancos lideram movimentação na B3

Os investidores concentraram atenção nas ações com maior peso no índice brasileiro.

Entre os destaques do pregão estão:

  • Petrobras (PETR4): favorecida pela forte alta do petróleo Brent.
  • Vale (VALE3): pressionada pelo recuo das bolsas chinesas e pela cautela em relação à demanda por minério de ferro.

Itaú Unibanco (ITUB4) e Banco do Brasil (BBAS3): seguem entre os papéis de maior liquidez da Bolsa brasileira.

Empresas ligadas ao consumo interno e ao agronegócio, como Raízen (RAIZ4), permanecem no radar dos investidores diante das oscilações das commodities e das expectativas para a economia brasileira.

Mercado acompanha agenda econômica e cenário internacional

Além dos desdobramentos no Oriente Médio, investidores seguem monitorando indicadores econômicos globais, decisões dos principais bancos centrais e novas projeções para inflação e juros.

No Brasil, o mercado também acompanha o Boletim Focus, os próximos dados de atividade econômica e o comportamento das commodities agrícolas e energéticas, fatores que seguem influenciando diretamente empresas listadas na B3.

Enquanto o cenário geopolítico permanece incerto, especialistas avaliam que a volatilidade deverá continuar elevada nos mercados financeiros, com movimentos rápidos nas bolsas, no câmbio e nas commodities, especialmente petróleo, minério de ferro, soja e outras matérias-primas de relevância para a economia brasileira.