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Mercado Financeiro

Bolsas globais recuam com temor sobre gastos em IA; Ibovespa cai e dólar sobe a R$ 5,15

Venda bilionária de ações da Alibaba pressiona o setor de tecnologia na Ásia, enquanto tensões entre Estados Unidos e Irã, queda do petróleo e revisão do PIB brasileiro aumentam a cautela nos mercados


Publicado em: 24/08/2026 às 11:27hs

Bolsas globais recuam com temor sobre gastos em IA; Ibovespa cai e dólar sobe a R$ 5,15

As bolsas de valores operam sem direção única nesta segunda-feira (24), mas com predominância de perdas nos principais mercados globais. O movimento reflete a combinação entre a crescente preocupação com os investimentos bilionários em inteligência artificial, o risco de novas sanções dos Estados Unidos contra o Irã e a queda dos preços internacionais do petróleo.

No Brasil, o Ibovespa abriu em baixa e operava próximo dos 170,6 mil pontos no fim da manhã. O dólar comercial avançava para a faixa de R$ 5,15, enquanto os investidores avaliavam as novas projeções do Boletim Focus e o pedido de recuperação extrajudicial apresentado pela Braskem.

Alibaba derruba bolsas da China e de Hong Kong

As ações da China e de Hong Kong lideraram as perdas na Ásia depois que a Alibaba anunciou uma oferta inesperada de ações para levantar 80 bilhões de dólares de Hong Kong, equivalentes a aproximadamente US$ 10,2 bilhões.

A operação envolve a emissão de 710 milhões de novas ações ao preço de 112,70 dólares de Hong Kong por papel, com desconto de 8,4% em relação ao fechamento anterior. Trata-se da maior oferta subsequente primária já realizada por uma companhia listada em Hong Kong.

Os recursos serão destinados principalmente à expansão da infraestrutura e ao desenvolvimento de tecnologias relacionadas à inteligência artificial. A magnitude da operação, porém, reacendeu as dúvidas sobre o retorno financeiro dos elevados investimentos realizados pelo setor.

As ações da Alibaba chegaram a cair 10,5% durante a sessão e encerraram o pregão com perda próxima de 8%. A reação negativa também ocorre após a companhia reportar queda anual de 75% no lucro líquido, pressionado justamente pelo aumento dos gastos com IA. Reuters

Tecnologia lidera perdas nas bolsas asiáticas

O movimento de aversão ao risco atingiu principalmente empresas de tecnologia, inteligência artificial e semicondutores.

Na China, o índice CSI 300, formado pelas maiores companhias listadas em Xangai e Shenzhen, recuou 1,21%, aos 4.563 pontos. O índice de Xangai perdeu 0,59%, aos 3.882 pontos. Ambos encerraram a sessão nos menores níveis das últimas três semanas.

O ChiNext, que reúne empresas de crescimento e startups, caiu 3,2%, enquanto o STAR 50, concentrado em companhias de tecnologia, perdeu 3,1%. O índice chinês de inteligência artificial despencou 4,4%, e o segmento de semicondutores recuou 1,7%.

Em Hong Kong, o Hang Seng caiu 1,89%, aos 25.517 pontos, enquanto o Hang Seng Tech perdeu 3,6%. O indicador que acompanha empresas vinculadas à inteligência artificial recuou mais de 5%.

Bolsas da Ásia fecham majoritariamente em queda

A pressão sobre as ações de tecnologia se espalhou por outros mercados asiáticos. Em Seul, o Kospi registrou a maior queda entre os principais índices da região, pressionado por empresas como Samsung Electronics e SK Hynix.

No Japão, o Nikkei recuou 0,74%, aos 65.528 pontos. Em Taiwan, o Taiex caiu 1,02%, enquanto o Straits Times, de Cingapura, perdeu 0,15%.

A bolsa da Austrália foi uma das poucas exceções. O S&P/ASX 200 avançou 0,49%, aos 9.103 pontos.

Wall Street opera dividida com forte queda do setor de tecnologia

As bolsas dos Estados Unidos abriram sem direção única. Por volta das 11h, no horário de Brasília, o índice S&P 500 recuava aproximadamente 0,46%, enquanto o Nasdaq, mais exposto às empresas de tecnologia, perdia cerca de 0,94%.

O Dow Jones destoava dos demais indicadores e avançava aproximadamente 0,27%, beneficiado pela maior participação de companhias ligadas à economia tradicional.

O desempenho confirma a rotação observada nos mercados: investidores reduzem posições em empresas de tecnologia e inteligência artificial, mas preservam aplicações em segmentos considerados mais defensivos.

A cautela também aumenta antes dos discursos de autoridades monetárias no simpósio de Jackson Hole, evento acompanhado de perto em busca de sinais sobre os próximos passos do Federal Reserve.

Bolsas europeias operam próximas da estabilidade

Na Europa, o índice pan-europeu Stoxx 600 registrava leve queda de aproximadamente 0,10%. Frankfurt, Paris e Milão operavam no campo negativo, enquanto Madri apresentava pequena valorização.

O mercado europeu acompanha as discussões sobre eventuais novas sanções dos Estados Unidos contra o Irã e seus possíveis impactos sobre o fluxo de petróleo pelo Estreito de Hormuz, uma das principais rotas energéticas do mundo.

Apesar da tensão geopolítica, os contratos futuros do petróleo recuam. O Brent era negociado perto de US$ 91,39 por barril, em queda de aproximadamente 1,35%, interrompendo uma sequência de seis sessões de valorização. Panorama dos mercados globais

Ibovespa recua com petróleo e cautela internacional

No mercado brasileiro, o Ibovespa começou a sessão em leve baixa e operava na faixa dos 170,6 mil pontos durante a manhã. A queda do petróleo pressionava empresas ligadas ao setor de óleo e gás e limitava o desempenho do principal índice da B3.

O mercado local também repercute o pedido de recuperação extrajudicial protocolado pela Braskem na Justiça de São Paulo. A companhia busca reestruturar aproximadamente R$ 55 bilhões em dívidas, aumentando a cautela em torno das ações do setor petroquímico.

O movimento ocorre depois de o Ibovespa acumular três sessões consecutivas de alta, período marcado pela entrada de capital estrangeiro e pela recuperação de ações de grande peso, como Petrobras e Vale.

Dólar avança para a faixa de R$ 5,15

O dólar comercial abriu cotado a R$ 5,149 e manteve viés de valorização ao longo da manhã. A moeda norte-americana operava perto de R$ 5,15, com alta ao redor de 0,25%.

O avanço ocorre após o dólar acumular queda próxima de 1,4% na semana anterior. Nesta segunda-feira, a busca por proteção no exterior e a cautela com o ambiente geopolítico favorecem a valorização da divisa.

Além do cenário internacional, investidores acompanham declarações do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e as perspectivas para a política monetária brasileira.

Boletim Focus reduz projeção do PIB brasileiro

No ambiente doméstico, o Boletim Focus divulgado pelo Banco Central manteve a estimativa de inflação para 2026 em 5,02%. A projeção permanece acima do teto da meta, de 4,5%.

A expectativa para a Selic no encerramento de 2026 continuou em 13,75% ao ano, sinalizando a possibilidade de um corte de 0,25 ponto percentual em relação ao nível atual de 14%.

A principal alteração ocorreu na projeção para o Produto Interno Bruto. A mediana das estimativas caiu de 1,98% para 1,85%, reforçando a percepção de desaceleração da atividade econômica.

Para agosto, o mercado projeta deflação de 0,18%, influenciada pelo abatimento temporário nas contas de energia elétrica decorrente do Bônus de Itaipu. A previsão será confrontada com o IPCA-15, que será divulgado na quarta-feira (26). Relatório Focus do Banco Central

IA, petróleo e juros definem o rumo dos mercados

O desempenho das bolsas nesta segunda-feira mostra que os investidores estão mais cautelosos com o custo da expansão da inteligência artificial. Embora a tecnologia continue sendo apontada como uma das principais fontes de crescimento da economia global, aumentam as dúvidas sobre o prazo necessário para que os investimentos bilionários se transformem em lucros.

Ao mesmo tempo, as tensões entre Estados Unidos e Irã mantêm o mercado atento ao risco de interrupções no fornecimento de petróleo. No Brasil, a revisão negativa do PIB, a expectativa de corte gradual da Selic e o recuo das commodities completam um cenário de maior volatilidade para ações, câmbio e juros.

Fonte: Portal do Agronegócio

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