Bolsas globais recuam com petróleo perto de US$ 100; Ibovespa abre em alta e dólar cai a R$ 5,11
Escalada das tensões no Oriente Médio aumenta o temor de inflação e pressiona ações na Ásia, Europa e futuros de Wall Street; no Brasil, Petrobras, Vale e cenário eleitoral concentram as atenções
Publicado em: 08/09/2026 às 11:05hs
As principais bolsas de valores do mundo operam sob cautela nesta terça-feira, 8 de setembro de 2026. A valorização do petróleo, que voltou a se aproximar de US$ 100 por barril, ampliou a aversão ao risco e renovou as preocupações com a inflação global e o rumo dos juros nas maiores economias.
No Brasil, o Ibovespa abriu em alta após o feriado da Independência, enquanto o dólar comercial recuou para perto de R$ 5,11. O mercado doméstico acompanha o comportamento das ações de Petrobras e Vale, as novas projeções econômicas e as pesquisas relacionadas às eleições presidenciais.
Dados atualizados na manhã desta terça-feira (8), considerando o fechamento das bolsas asiáticas e as cotações disponíveis durante os pregões europeu e brasileiro.
Ibovespa abre em alta com Petrobras e Vale no radar
O Ibovespa iniciou a sessão em terreno positivo, tentando retomar a trajetória de valorização observada nas últimas semanas. Desde 17 de agosto, o principal índice da B3 acumulou avanço de aproximadamente 11,5% e superou a marca de 185 mil pontos.
A alta do petróleo tende a favorecer as ações da Petrobras, que possuem peso relevante na composição do indicador. A Vale também permanece entre os destaques, apoiada pela valorização recente do minério de ferro no mercado internacional.
Apesar do desempenho positivo na abertura, os investidores mantêm postura cautelosa diante do aumento das tensões geopolíticas e do risco de que a energia mais cara pressione a inflação e prolongue o ciclo de juros elevados.
No cenário interno, o mercado também avalia novas pesquisas eleitorais. A percepção sobre a condução da política fiscal a partir de 2027 vem influenciando o comportamento do câmbio, dos juros futuros e da Bolsa brasileira.
Dólar recua para perto de R$ 5,11
O dólar comercial abriu o pregão em queda, negociado ao redor de R$ 5,11 para venda. A moeda norte-americana havia encerrado a semana anterior próxima de R$ 5,13, depois de chegar a R$ 5,19.
A valorização do real ocorre em meio ao ajuste de posições no mercado e às expectativas relacionadas ao cenário eleitoral brasileiro. Entretanto, a escalada do petróleo e a possibilidade de juros mais altos nos Estados Unidos podem limitar movimentos mais intensos de queda da moeda.
O Boletim Focus divulgado nesta terça-feira mostrou redução da estimativa de inflação brasileira em 2026, de 5,01% para 5%, enquanto a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto foi elevada para 1,93%.
Petróleo perto de US$ 100 aumenta tensão nos mercados
O petróleo voltou ao centro das atenções após novos ataques contra instalações de energia no Oriente Médio. O avanço do conflito elevou o risco de interrupções na oferta e impulsionou as cotações internacionais.
Por volta das 9h50, no horário de Brasília, o Brent para novembro avançava cerca de 1,7%, negociado a US$ 98,69 por barril. O petróleo norte-americano WTI subia 2,6%, para US$ 93,87.
Durante a sessão, o Brent chegou a se aproximar de US$ 100, renovando as preocupações sobre os impactos dos combustíveis mais caros nos custos de produção, no transporte e nos preços ao consumidor.
O Estreito de Hormuz permanece como um dos principais pontos de atenção. A rota responde por aproximadamente 20% do petróleo comercializado globalmente, o que amplia o risco de desabastecimento caso ocorram novas interrupções.
Bolsas da Ásia fecham majoritariamente em queda
Os mercados asiáticos encerraram a terça-feira sem direção única, mas com predominância de perdas. O fortalecimento do iene, as expectativas de aumento dos juros no Japão e a pressão sobre as ações de tecnologia afetaram os principais índices da região.
Em Tóquio, o Nikkei caiu 1,70%, aos 65.269 pontos. A valorização da moeda japonesa penalizou empresas exportadoras e aumentou o receio de desmontagem de operações financiadas com juros baixos no Japão.
Na Coreia do Sul, o Kospi recuou 0,58%, aos 6.954 pontos. O Taiex, de Taiwan, perdeu 0,47%, aos 47.105 pontos, enquanto o Straits Times, de Singapura, caiu 0,43%, aos 5.767 pontos.
Na Austrália, o S&P/ASX 200 apresentou queda de 1%, aos 8.920 pontos.
Setor agrícola sustenta alta da Bolsa de Xangai
Na China continental, o índice composto de Xangai avançou 0,20%, aos 3.940 pontos, apoiado pelas ações ligadas aos setores agrícola, energético e de ouro.
Os papéis relacionados à agricultura chegaram a subir 4,3%, depois que o governo chinês anunciou um plano para fortalecer o financiamento destinado à revitalização rural. Empresas de energia também avançaram, acompanhando a alta internacional do petróleo.
Em sentido contrário, o CSI 300, que reúne as maiores companhias negociadas em Xangai e Shenzhen, recuou 0,36%, aos 4.558 pontos. A pressão veio principalmente das ações de tecnologia.
Em Hong Kong, o Hang Seng caiu 0,38%, aos 25.317 pontos. O mercado local, mais sensível ao fluxo internacional de capitais, foi afetado pela piora do ambiente geopolítico.
Europa recua com temor de inflação e juros mais altos
As bolsas europeias ampliaram as perdas durante a manhã. Por volta das 5h15, no horário de Brasília, o índice pan-europeu Stoxx 600 caía 0,6%, aos 646,1 pontos.
O DAX, de Frankfurt, recuava 0,6%; o FTSE 100, de Londres, perdia 0,4%; e o CAC 40, de Paris, apresentava baixa de 0,5%.
As ações de bancos e de empresas mais sensíveis aos juros lideravam as perdas. Em contrapartida, o setor de energia avançava cerca de 0,6%, beneficiado pela valorização do petróleo.
O mercado europeu também se prepara para a decisão do Banco Central Europeu. A expectativa predominante é de elevação de 0,25 ponto percentual na taxa de juros da zona do euro, diante das novas pressões inflacionárias provocadas pela energia.
Wall Street aponta abertura negativa
Nos Estados Unidos, os índices futuros indicavam uma abertura predominantemente negativa após o feriado do Dia do Trabalho.
Por volta das 9h50, no horário de Brasília, os futuros do Dow Jones recuavam 0,8%, equivalentes a aproximadamente 411 pontos. Os contratos do S&P 500 apresentavam queda de 0,25%, enquanto os futuros do Nasdaq operavam próximos da estabilidade.
O rendimento dos títulos do Tesouro norte-americano com vencimento em dez anos subia para 4,794%, refletindo a possibilidade de manutenção de juros elevados por mais tempo.
Além do petróleo, os investidores aguardam os próximos indicadores de inflação dos Estados Unidos. Os dados podem ser decisivos para as expectativas em torno da reunião do Federal Reserve, marcada para a próxima semana.
Cenário global mantém volatilidade elevada
A combinação entre petróleo próximo de US$ 100, inflação resistente, juros elevados e tensões no Oriente Médio deve manter a volatilidade nas bolsas mundiais.
No Brasil, o desempenho do Ibovespa dependerá principalmente da movimentação de Petrobras, Vale e bancos, além do fluxo de investidores estrangeiros e do comportamento dos juros futuros.
Para o agronegócio, o avanço do petróleo merece atenção especial. Combustíveis mais caros podem elevar os custos do transporte rodoviário, da operação de máquinas agrícolas e dos insumos, pressionando as margens dos produtores e a logística de escoamento da safra.
Fonte: Portal do Agronegócio
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