Publicidade
Mercado Financeiro

Bolsas globais avançam, Ibovespa sobe e commodities movimentam o agronegócio; mercado acompanha Selic, petróleo e cenário internacional

Queda do petróleo, expectativa de redução da Selic, desempenho das bolsas internacionais e oscilações nas commodities agrícolas colocam investidores e produtores em alerta nesta segunda-feira (3).


Publicado em: 03/08/2026 às 10:55hs

Bolsas globais avançam, Ibovespa sobe e commodities movimentam o agronegócio; mercado acompanha Selic, petróleo e cenário internacional

Os mercados financeiros iniciaram a semana atentos ao cenário geopolítico, às expectativas para a política monetária e ao desempenho das principais economias globais. A combinação entre a forte queda dos preços internacionais do petróleo, perspectivas de redução dos juros no Brasil e indicadores econômicos dos Estados Unidos impulsiona o apetite por ativos de risco, enquanto investidores monitoram a temporada de balanços corporativos e a evolução das commodities.

No Brasil, o Ibovespa abriu o pregão desta segunda-feira (3) em alta de aproximadamente 0,27%, negociado na faixa dos 178 mil pontos, refletindo o ambiente externo mais favorável e a expectativa de um novo corte da taxa Selic pelo Comitê de Política Monetária (Copom), cuja decisão será anunciada na próxima quarta-feira (5).

Ao mesmo tempo, os mercados seguem acompanhando o relatório oficial de emprego dos Estados Unidos (payroll), previsto para sexta-feira (7), indicador considerado decisivo para as próximas decisões do Federal Reserve (Fed) sobre os juros americanos.

Bolsas internacionais operam sem direção única

Na Ásia, os principais mercados encerraram a sessão desta segunda-feira com comportamento misto. O movimento refletiu resultados corporativos considerados modestos e a repercussão da intervenção coordenada entre Japão e Estados Unidos para fortalecer o iene diante da forte desvalorização da moeda japonesa.

O índice CSI 300, que reúne as maiores empresas listadas nas bolsas de Xangai e Shenzhen, recuou 0,98%. No Japão, o Nikkei 225 fechou em queda de 0,94%. Em Hong Kong, o Hang Seng avançou 0,48%, enquanto o Kospi, da Coreia do Sul, registrou forte desvalorização de 5,12%.

Na Europa, o ambiente é mais positivo. Os principais índices operam em alta sustentados pelo recuo do petróleo, fator que reduz expectativas de inflação e melhora as perspectivas para setores consumidores de energia. Os futuros das bolsas norte-americanas também indicam abertura positiva em Wall Street, em meio à expectativa pelos próximos indicadores econômicos e resultados corporativos.

Ibovespa acompanha o exterior e aposta em juros menores

O mercado brasileiro permanece concentrado na trajetória da política monetária. A nova edição do Boletim Focus reduziu a projeção da taxa Selic para o encerramento de 2026, passando de 14% para 13,75% ao ano, fortalecendo a percepção de continuidade do ciclo de flexibilização monetária.

A perspectiva de juros menores beneficia principalmente empresas ligadas ao consumo interno, varejo, construção civil, tecnologia e bancos.

Entre os destaques corporativos do pregão estão o Santander Brasil (SANB11), que continua entre os papéis mais negociados após recentes movimentações envolvendo sua estrutura acionária; a Petrobras (PETR4), que anunciou a descoberta de uma nova acumulação de gás natural no poço Sandia-1, localizado em águas profundas da Colômbia; e a WEG (WEGE3), que ganhou impulso após o Banco Safra elevar sua recomendação para compra e revisar o preço-alvo das ações para R$ 59,20.

Petróleo despenca e reduz pressão sobre inflação

O petróleo Brent registra forte queda superior a 5% nesta segunda-feira, refletindo sinais de avanço diplomático nas tensões geopolíticas e expectativas de aumento da produção pela Opep+.

A retração do petróleo reduz as pressões inflacionárias globais e melhora as perspectivas para economias importadoras de energia. No Brasil, a queda também tende a aliviar os custos com combustíveis e logística, fator especialmente relevante para o agronegócio, cuja cadeia depende fortemente do transporte rodoviário.

Enquanto isso, o minério de ferro também opera em baixa na China, acompanhando preocupações com o ritmo da atividade econômica do país asiático.

Agronegócio acompanha clima, dólar e commodities

O mercado agrícola permanece sensível às condições climáticas nos Estados Unidos, ao comportamento do dólar e às oscilações das bolsas internacionais.

Os contratos futuros da soja negociados na Bolsa de Chicago recuam diante da previsão de retorno das chuvas e do aumento da umidade nas principais regiões produtoras do Corn Belt. O cenário melhora o potencial produtivo da safra norte-americana e reduz parte do prêmio climático incorporado aos preços.

O milho segue o mesmo movimento. As previsões meteorológicas favoráveis aumentam a expectativa de uma safra robusta nos Estados Unidos, pressionando as cotações internacionais.

No mercado brasileiro, entretanto, a soja física permanece relativamente estável, sustentada pela demanda exportadora e pelo ritmo de comercialização.

Café continua sustentado por problemas climáticos

Entre as commodities agrícolas, o café segue como um dos principais destaques positivos.

Os contratos futuros do arábica permanecem em patamares elevados, refletindo os impactos provocados pelo El Niño sobre a produção brasileira. As condições climáticas adversas provocaram perdas em importantes regiões produtoras e atrasaram parte da colheita, mantendo o mercado bastante sensível à oferta.

Mercado do boi gordo segue firme

O mercado pecuário continua apresentando sustentação.

Os contratos futuros do boi gordo negociados na B3 permanecem acima de R$ 350 por arroba, impulsionados pela menor disponibilidade de animais terminados para abate e pela demanda consistente da indústria frigorífica, especialmente voltada às exportações.

Panorama das principais commodities

A soja em Chicago opera ao redor de US$ 11,87 por bushel, pressionada pelas previsões de chuvas nos Estados Unidos.

O milho é negociado próximo de US$ 4,64 por bushel, também influenciado pelas melhores condições climáticas da safra norte-americana.

A soja física em Paranaguá permanece próxima de R$ 144,91 por saca, mantendo relativa estabilidade.

O café arábica na Bolsa de Nova York continua negociado em torno de US$ 3,23 por libra-peso, sustentado pelas preocupações com a oferta brasileira.

Na B3, os contratos futuros do boi gordo seguem acima de R$ 350,50 por arroba, refletindo o equilíbrio entre oferta restrita e demanda aquecida.

Semana será decisiva para mercados e agronegócio

A agenda econômica concentra eventos capazes de aumentar significativamente a volatilidade dos mercados financeiros e das commodities.

Os investidores acompanham a decisão do Copom sobre a Selic na quarta-feira (5), a divulgação do payroll americano na sexta-feira (7), a continuidade da temporada de resultados corporativos, a evolução das negociações geopolíticas no Oriente Médio e as condições climáticas nas principais áreas produtoras dos Estados Unidos.

Para o agronegócio brasileiro, a combinação entre dólar, juros, petróleo e comportamento das commodities continuará sendo determinante para a formação dos preços agrícolas, dos custos de produção e da competitividade das exportações ao longo desta semana.

Fonte: Portal do Agronegócio

◄ Leia outras notícias