Bolsas globais avançam, dólar cai e Ibovespa busca nova alta com estímulos na China e valorização das commodities
Mercados asiáticos fecharam majoritariamente no positivo, Europa ganhou força com dados de atividade e futuros de Wall Street subiram; no Brasil, petróleo, Vale e Petrobras sustentam o apetite por risco
Publicado em: 21/08/2026 às 10:55hs
As bolsas de valores mundiais operam com viés positivo nesta sexta-feira, 21 de agosto de 2026, em meio às expectativas de novos estímulos fiscais na China, à melhora dos indicadores econômicos europeus e à recuperação dos futuros de Wall Street. No Brasil, o dólar abriu em queda e o Ibovespa tentou ampliar a reação iniciada nas sessões anteriores, apoiado pelas commodities e pelo ambiente externo mais favorável.
Apesar do avanço dos ativos de risco, os investidores continuam monitorando a trajetória dos juros dos títulos públicos dos Estados Unidos, o crescimento da dívida norte-americana e as tensões geopolíticas envolvendo Estados Unidos e Irã. Esses fatores mantêm a volatilidade elevada e podem influenciar o fluxo de capital para economias emergentes, como o Brasil.
Ibovespa abre em alta e dólar recua para perto de R$ 5,17
No mercado brasileiro, o Ibovespa futuro iniciou o pregão em alta, negociado na faixa dos 171 mil pontos, refletindo o bom desempenho das bolsas internacionais e a valorização das empresas ligadas às commodities.
No mercado à vista, o Ibovespa havia encerrado a quinta-feira com avanço de 0,06%, aos 167.927 pontos. O ganho foi suficiente para preservar a recuperação iniciada na sessão anterior, quando o índice subiu 0,90% e interrompeu uma sequência de 11 quedas consecutivas.
Por volta das 9h09 desta sexta-feira, o dólar comercial recuava 0,47%, cotado a R$ 5,169 para venda. A moeda norte-americana havia fechado a quinta-feira a R$ 5,193, com valorização de 0,32%. Na semana, a cotação oscilou principalmente entre R$ 5,17 e R$ 5,22. UOL Economia
O movimento de baixa do dólar foi favorecido pela menor aversão ao risco no exterior e pela acomodação dos preços do petróleo, após cinco sessões consecutivas de valorização.
Petrobras e Vale ajudam a sustentar Bolsa brasileira
As ações da Petrobras e da Vale permanecem entre os principais vetores do Ibovespa. Juntas, as duas companhias possuem participação relevante na composição do índice e costumam atrair recursos estrangeiros em períodos de valorização das commodities.
Os papéis preferenciais da Petrobras acumularam alta de aproximadamente 7% em seis pregões, impulsionados pelo avanço do petróleo, pelo resultado financeiro da estatal e pelas expectativas relacionadas à exploração de novas áreas.
A Vale também ganhou força, acompanhando a recuperação do minério de ferro. Na Bolsa de Commodities de Dalian, na China, o contrato mais negociado avançou 0,21%, para 707,50 yuans por tonelada.
A valorização das commodities favorece as empresas exportadoras brasileiras e pode melhorar a percepção sobre a balança comercial. Por outro lado, a alta do petróleo mantém no radar os possíveis efeitos sobre diesel, fretes, fertilizantes e demais custos da produção agropecuária.
Bolsas da China sobem com expectativa de novos estímulos fiscais
Os mercados asiáticos fecharam majoritariamente em alta. Na China, investidores reagiram às declarações do Ministério das Finanças de que novas medidas fiscais poderão ser adotadas no segundo semestre para estimular a economia.
O índice CSI 300, formado pelas principais empresas listadas em Xangai e Shenzhen, avançou 0,57%, aos 4.618 pontos. O Xangai Composto registrou leve alta de 0,04%, aos 3.905 pontos, enquanto o Shenzhen Composto ganhou 0,49%.
Apesar da sinalização de apoio fiscal, o desempenho moderado das bolsas chinesas mostrou que o mercado aguarda medidas concretas e evidências mais fortes de recuperação da demanda interna. Dados recentes de produção industrial, vendas no varejo e concessão de crédito indicaram perda de ritmo na segunda maior economia do mundo.
Na semana, o Xangai Composto acumulou baixa de 0,6%, enquanto o CSI 300 recuou 1%.
Hang Seng avança mais de 1% em Hong Kong
Em Hong Kong, o índice Hang Seng subiu 1,21%, aos 26.009 pontos. As ações de tecnologia avançaram aproximadamente 1,4%, acompanhando o maior apetite por risco e a expectativa de medidas para apoiar a atividade econômica chinesa.
Na Coreia do Sul, o Kospi ganhou 0,88%, aos 6.912 pontos, sustentado pelas empresas de semicondutores. As ações da Samsung Electronics avançaram 3,9%, enquanto a SK Hynix subiu 2,3%, em meio à demanda por chips utilizados em inteligência artificial.
Em Taiwan, o Taiex teve valorização de 0,65%, aos 45.224 pontos. Em Cingapura, o Straits Times avançou 0,30%, para 5.688 pontos.
Na contramão da região, o Nikkei caiu 0,30% em Tóquio, aos 66.016 pontos, pressionado por empresas dos setores de tecnologia e biotecnologia. Na Austrália, o S&P/ASX 200 recuou 0,27%, aos 9.058 pontos. ADVFN
Bolsas europeias sobem após melhora da atividade econômica
Na Europa, os principais índices operavam majoritariamente em alta, favorecidos pelo desempenho das mineradoras e por indicadores econômicos acima das expectativas.
Por volta das 6h35, no horário de Brasília, o índice pan-europeu Stoxx 600 avançava 0,09%, aos 650,95 pontos. O segmento de mineração subia cerca de 2,3%, beneficiado pela valorização do ouro e dos metais.
O Índice de Gerentes de Compras, o PMI composto, da zona do euro alcançou 52,1 pontos em agosto, indicando o ritmo mais forte de expansão da atividade empresarial em 2026. No Reino Unido, o indicador avançou para 52,5 pontos. Resultados acima de 50 sinalizam crescimento da atividade.
Os dados reforçaram a percepção de resiliência da economia europeia, mesmo diante das incertezas provocadas pelas tensões no Oriente Médio e pelo custo elevado do crédito. Money Times
Futuros de Wall Street avançam antes de novos dados dos EUA
Nos Estados Unidos, os futuros de Wall Street operavam em alta antes da abertura, com avanços nos contratos ligados ao Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq.
Os investidores aguardavam a divulgação dos índices de atividade industrial e de serviços dos Estados Unidos. Os dados são considerados importantes para avaliar a força da economia e as próximas decisões do Federal Reserve sobre os juros.
O mercado também acompanha o comportamento dos rendimentos dos Treasuries. A preocupação com a dívida pública dos Estados Unidos, que alcançou níveis recordes, elevou os juros dos títulos e provocou uma onda de vendas no mercado global de renda fixa.
O Tesouro norte-americano anunciou a ampliação das recompras de títulos de longo prazo para melhorar a liquidez, mas a medida ainda não eliminou as preocupações com inflação, endividamento e custo de financiamento do governo.
Petróleo segue volátil com tensão entre Estados Unidos e Irã
O petróleo apresentou forte oscilação nesta sexta-feira, depois de acumular cinco sessões de alta. No começo da manhã, o Brent era negociado próximo de US$ 93,40 por barril, enquanto o WTI operava ao redor de US$ 86.
Durante o pregão internacional, o Brent voltou a se aproximar de US$ 94, influenciado pela continuidade das tensões entre Estados Unidos e Irã e pelas incertezas sobre o fluxo de petróleo no Oriente Médio.
A volatilidade da commodity permanece como um fator importante para a Bolsa brasileira. A alta beneficia diretamente as ações da Petrobras, mas também pode elevar as pressões inflacionárias, afetar os preços dos combustíveis e aumentar os custos logísticos do agronegócio.
Cenário internacional favorece ativos brasileiros, mas cautela permanece
O ambiente externo mais positivo oferece espaço para uma recuperação do Ibovespa e para novas quedas do dólar. Entretanto, o cenário continua sujeito a mudanças rápidas diante das tensões geopolíticas, da evolução dos juros norte-americanos e das dúvidas sobre a sustentabilidade fiscal das principais economias.
No mercado doméstico, investidores também acompanham as discussões fiscais, as possíveis medidas relacionadas aos combustíveis e a aproximação das eleições de outubro. A combinação desses fatores pode ampliar a volatilidade dos ativos brasileiros.
Para o agronegócio, a queda do dólar tende a reduzir o custo de insumos importados, como fertilizantes, defensivos e máquinas. Em contrapartida, um real mais valorizado diminui a conversão das receitas obtidas com exportações de soja, milho, café, açúcar, carnes e outros produtos negociados em moeda norte-americana.
Fonte: Portal do Agronegócio
◄ Leia outras notícias