Bolsas globais avançam com tecnologia, IA e balanços; B3 retoma negociações após atraso operacional e mercado acompanha Vale, Santander e commodities
Recuperação das ações de tecnologia, resultados corporativos acima das expectativas e expectativas para inteligência artificial impulsionam os mercados internacionais, enquanto investidores brasileiros monitoram a normalização da B3, indicadores fiscais e o desempenho das principais commodities do agronegócio
Publicado em: 31/07/2026 às 10:55hs
As bolsas de valores encerram julho em clima predominantemente positivo, impulsionadas pela recuperação das empresas de tecnologia, pela forte temporada de balanços corporativos e pelo renovado otimismo em torno dos investimentos globais em inteligência artificial (IA). No Brasil, a sexta-feira (31) começou com um atraso operacional na abertura da B3, mas os investidores mantêm o foco em grandes empresas como Vale e Santander, além dos reflexos do cenário internacional sobre o câmbio, juros e commodities.
O ambiente externo voltou a favorecer os ativos de risco após resultados robustos divulgados por gigantes da tecnologia norte-americana, especialmente a Amazon, enquanto o setor de energia também ganhou força diante da manutenção dos preços elevados do petróleo.
Tecnologia lidera recuperação das bolsas mundiais
Os mercados asiáticos fecharam a última sessão do mês em alta generalizada, refletindo o forte desempenho das ações de tecnologia em Wall Street.
Entre os principais índices:
- Nikkei (Japão): +4,03%;
- CSI 300 (China): +0,85%;
- SSEC (Xangai): +0,72%;
- Hang Seng (Hong Kong): +0,10%;
- Kospi (Coreia do Sul): forte valorização de 17,91%;
- Taiex (Taiwan): +7,98%;
- S&P/ASX 200 (Austrália): +0,10%.
O movimento foi sustentado principalmente pela percepção de que o ciclo de realização de lucros no setor de inteligência artificial começa a perder força, trazendo investidores de volta às empresas ligadas à inovação tecnológica.
Na China, além da recuperação das ações do setor, o mercado repercutiu o compromisso do governo chinês em ampliar investimentos em tecnologias estratégicas e fortalecer o mercado de capitais, reforçando a confiança dos investidores, apesar dos sinais de desaceleração da atividade industrial no país.
Amazon impulsiona Wall Street; Apple limita entusiasmo
O foco dos investidores globais permanece na temporada de resultados corporativos.
A Amazon surpreendeu positivamente o mercado ao divulgar receitas acima das projeções, impulsionadas principalmente pela expansão dos serviços de computação em nuvem, reforçando as expectativas de continuidade dos investimentos em inteligência artificial.
Já a Apple apresentou uma perspectiva mais cautelosa, alertando para restrições na oferta de chips avançados, fator que limita parte da produção e reduz o potencial de crescimento no curto prazo.
No setor de energia, Chevron e ExxonMobil divulgaram resultados robustos, beneficiadas pela valorização do petróleo em meio às tensões geopolíticas envolvendo o Oriente Médio.
Bolsas da Europa acompanham o otimismo
As bolsas europeias também operam em tom positivo, acompanhando o bom humor vindo da Ásia e dos Estados Unidos. O mercado permanece atento aos resultados corporativos, aos indicadores econômicos e às expectativas sobre a política monetária dos principais bancos centrais.
O ambiente internacional continua sendo influenciado pelo comportamento do petróleo, pela inflação global e pelas perspectivas para os juros norte-americanos, fatores que seguem determinando o fluxo de capital para mercados emergentes, incluindo o Brasil.
B3 atrasa abertura após problema operacional
No mercado brasileiro, a sexta-feira começou de forma incomum.
A B3 informou um atraso operacional na abertura dos negócios devido a problemas no envio de arquivos e na inicialização da Câmara B3 (clearing), mantendo ações e contratos futuros em leilão até a normalização do sistema.
Após a regularização, o mercado voltou suas atenções para os principais acontecimentos corporativos.
Entre eles, destacou-se o anúncio da Oferta Pública de Aquisição (OPA) do Santander Brasil, estimada em até R$ 11,17 bilhões, além da repercussão dos resultados trimestrais divulgados pela Vale, que apresentou lucro menor e revisou seu guidance de custos para o restante do ano.
No cenário macroeconômico, os investidores também repercutem o déficit primário de R$ 55,3 bilhões registrado pelo setor público consolidado em junho, acima das expectativas do mercado, mantendo elevada a cautela com a trajetória fiscal brasileira.
Commodities seguem no radar do agronegócio
As commodities agrícolas permanecem entre os principais vetores para o desempenho da Bolsa brasileira.
Entre os destaques do mercado físico e futuro:
- Boi gordo: arroba em São Paulo próxima de R$ 346,48, com contratos futuros negociados ao redor de R$ 345,95;
- Milho: indicador Esalq/B3 permanece estável próximo de R$ 65,30 por saca;
- Soja: preços acima de R$ 150 nos principais portos brasileiros, acompanhando a recuperação em Chicago;
- Café robusta: segue valorizado, negociado próximo de R$ 1.080,81 por saca, sustentado pelas preocupações climáticas globais.
Os investidores continuam acompanhando a evolução das lavouras norte-americanas, a valorização do dólar frente ao real e os impactos climáticos previstos para o segundo semestre, fatores que podem alterar significativamente o comportamento dos preços internacionais dos grãos.
Cenário global mantém investidores atentos
O encerramento de julho confirma que os mercados permanecem altamente dependentes de três grandes fatores: resultados corporativos das gigantes globais, evolução da inteligência artificial e cenário geopolítico envolvendo petróleo e inflação.
Para o Brasil, além das questões fiscais, a expectativa está concentrada no comportamento do fluxo de capital estrangeiro para a B3, na trajetória dos juros domésticos e no desempenho das commodities, que continuam exercendo forte influência sobre empresas de peso no Ibovespa.
Mesmo após a abertura atípica desta sexta-feira, o mercado brasileiro segue alinhado ao sentimento positivo observado nas principais bolsas internacionais, embora a volatilidade continue elevada diante dos riscos econômicos e geopolíticos que permanecem no radar dos investidores.
Fonte: Portal do Agronegócio
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