Óleo de soja perde força após trégua no Oriente Médio; petróleo pressiona mercado de óleos vegetais
Recuo do petróleo interrompe rali das commodities e aumenta pressão sobre óleo de soja e óleo de palma, enquanto mercado acompanha oferta, biodiesel e riscos climáticos na Ásia.
Publicado em: 31/07/2026 às 11:50hs
O mercado internacional de óleos vegetais iniciou a semana sob pressão após a redução das tensões geopolíticas no Oriente Médio enfraquecer o principal fator de sustentação das cotações: o petróleo. Segundo análise da StoneX, a trégua envolvendo Estados Unidos e Irã interrompeu o movimento de alta observado nos últimos dias e provocou uma correção nos preços do óleo de soja e do óleo de palma.
A descompressão no mercado de energia reduziu o impulso que vinha sustentando os contratos futuros das commodities agrícolas ligadas à produção de biocombustíveis, aumentando a cautela entre investidores.
Óleo de soja devolve parte dos ganhos após forte valorização
Na última sexta-feira (24), o contrato de agosto do óleo de soja encerrou o pregão cotado a 74,33 centavos de dólar por libra-peso, registrando queda diária de 1,67%. O movimento eliminou parte da valorização acumulada ao longo da semana, quando a escalada do conflito entre Irã e Estados Unidos impulsionou o petróleo e fortaleceu os derivados vegetais.
Já o contrato com vencimento em dezembro também fechou em baixa, com recuo de 0,58%, refletindo o arrefecimento das preocupações imediatas sobre o abastecimento global de energia.
Durante a semana, entretanto, o óleo de soja chegou a atingir os maiores níveis recentes, acompanhando a disparada do petróleo, que superou US$ 100 por barril na quinta-feira (23), alcançando o maior patamar em aproximadamente dois meses.
Com a redução das tensões geopolíticas, esse suporte perdeu força, favorecendo a realização de lucros e pressionando as cotações.
Óleo de palma segue sustentado por oferta restrita e biodiesel
Enquanto o óleo de soja devolveu parte dos ganhos, o óleo de palma apresentou desempenho mais resiliente.
O contrato para outubro de 2026 encerrou a sexta-feira negociado a US$ 1.155,33 por tonelada, alta de 0,28%, atingindo o maior valor das últimas 15 semanas. Com isso, a commodity acumulou a terceira semana consecutiva de valorização, somando ganho de 2,74% no período.
Segundo a StoneX, o mercado continua encontrando suporte na expectativa de redução da oferta da Indonésia em função da ampliação do mandato de mistura obrigatória do biodiesel B50, que tende a elevar o consumo doméstico de óleo de palma.
Outro fator de sustentação permanece sendo as preocupações climáticas relacionadas ao El Niño, fenômeno que pode comprometer a produtividade das lavouras tanto na Indonésia quanto na Malásia, principais produtores mundiais da commodity.
Petróleo continuará determinando o rumo dos óleos vegetais
Para os analistas, o comportamento do petróleo continuará sendo um dos principais direcionadores do mercado de óleos vegetais nas próximas semanas.
Além das oscilações no mercado de energia, investidores seguem monitorando a evolução da demanda por biocombustíveis, a política de biodiesel dos países asiáticos e as condições climáticas nas regiões produtoras.
A combinação entre oferta global, consumo industrial e cenário geopolítico deverá manter elevada a volatilidade dos contratos futuros de óleo de soja e óleo de palma, tornando o mercado altamente sensível a novos acontecimentos internacionais.
Fonte: Portal do Agronegócio
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