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Soja

Soja oscila em Chicago com melhora do clima nos EUA, enquanto demanda chinesa limita perdas e mercado brasileiro segue cauteloso

Chuvas no Meio-Oeste norte-americano reforçam expectativa de safra cheia, pressionam os contratos futuros da soja e estimulam liquidação de posições por fundos. No Brasil, liquidez permanece baixa diante dos custos elevados e do planejamento da próxima temporada


Publicado em: 31/07/2026 às 11:30hs

Soja oscila em Chicago com melhora do clima nos EUA, enquanto demanda chinesa limita perdas e mercado brasileiro segue cauteloso
Foto: CNA

O mercado internacional da soja encerra a semana sob influência direta das condições climáticas favoráveis nos Estados Unidos. Nesta sexta-feira (31), os contratos futuros negociados na Bolsa de Chicago (CBOT) operam próximos da estabilidade, refletindo um equilíbrio entre a pressão provocada pelas previsões de boas produtividades e o suporte oferecido pela demanda internacional, especialmente da China.

Nos primeiros negócios do dia, os vencimentos registravam pequenas oscilações. O contrato para agosto era negociado a US$ 11,78 por bushel, enquanto setembro cotava US$ 11,71. O vencimento novembro era negociado a US$ 11,87 e janeiro de 2027 a US$ 12,02 por bushel, todos com variações discretas em relação ao fechamento anterior.

Clima favorável aumenta expectativa de safra recorde nos Estados Unidos

O principal fator de pressão sobre as cotações continua sendo a melhora das condições climáticas no cinturão produtor norte-americano.

Segundo análises do mercado internacional, a chegada de chuvas e temperaturas mais amenas a importantes estados produtores, como Iowa, Illinois, Minnesota, Nebraska e Dakota do Sul, ocorre justamente durante uma fase decisiva para o enchimento de grãos, elevando o potencial produtivo da safra 2026/27.

Embora o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) tenha reduzido de 66% para 63% a classificação das lavouras em condições boas ou excelentes na última semana, o mercado entende que as precipitações previstas poderão compensar parte das perdas observadas anteriormente.

Com isso, cresce a expectativa de que a produtividade média nacional alcance ou até supere a projeção oficial do USDA, estimada em 53 bushels por acre.

Fundos ampliam vendas e pressionam os preços da soja

O cenário climático mais favorável também provocou forte movimentação dos investidores institucionais.

Os fundos de investimento intensificaram a realização de lucros e liquidaram aproximadamente 18 mil contratos futuros de soja, além de vender cerca de 5 mil contratos de farelo e outros 7 mil contratos de óleo de soja.

Essa saída dos fundos reforçou a pressão sobre os preços em Chicago, limitando qualquer movimento consistente de recuperação das cotações.

Demanda chinesa continua oferecendo suporte ao mercado

Apesar do ambiente baixista provocado pelo clima, a demanda internacional segue relativamente firme e impede quedas mais acentuadas.

As exportações norte-americanas da safra 2025/26 somaram 302,3 mil toneladas, superando as expectativas do mercado.

Para a temporada 2026/27, as vendas atingiram 1,333 milhão de toneladas, incluindo aproximadamente 519 mil toneladas destinadas à China. Além disso, foi confirmada uma nova venda de 132 mil toneladas para compradores chineses, reforçando o interesse do principal importador mundial.

Fechamento em Chicago refletiu disputa entre clima e demanda

Na sessão anterior, os contratos futuros encerraram o dia em comportamento misto.

O contrato agosto recuou 0,06%, fechando a US$ 11,7725 por bushel, enquanto setembro perdeu 0,32%, encerrando a US$ 11,7225. O farelo de soja também apresentou queda de 0,38%, enquanto o óleo registrou desvalorização de 1,19%.

O mercado segue avaliando que, neste momento, a melhora climática tem peso maior sobre os preços do que o crescimento das exportações.

Mercado brasileiro mantém baixa liquidez e foco na próxima safra

No Brasil, o mercado físico permaneceu com ritmo lento de negociações. Produtores continuam priorizando o planejamento da próxima temporada e adotam postura conservadora diante do cenário de custos elevados, crédito restrito e elevada volatilidade internacional.

No Rio Grande do Sul, os preços apresentaram recuos em diversas regiões, com a soja disponível sendo negociada ao redor de R$ 148 por saca no porto de Rio Grande.

Em Santa Catarina, as cotações permaneceram praticamente estáveis, enquanto produtores acompanham atentamente os riscos climáticos associados à possível transição para um evento La Niña antes de ampliar as compras de insumos.

No Paraná, o elevado custo do transporte até o Porto de Paranaguá continua reduzindo a rentabilidade dos produtores. Em Cascavel, o frete gira em torno de R$ 210 por tonelada.

Em Mato Grosso do Sul, a liquidez segue bastante limitada, refletindo a cautela dos agentes do mercado.

Já em Mato Grosso, produtores demonstram preocupação com a relação entre os preços atuais da soja e o custo estimado de produção, calculado em aproximadamente R$ 2.945,40 por hectare apenas com insumos, fator que mantém decisões comerciais mais conservadoras.

Mercado segue dependente do clima e das exportações

A combinação entre o avanço das condições climáticas favoráveis nos Estados Unidos e a continuidade das compras chinesas deverá continuar determinando o comportamento da soja nas próximas semanas.

Enquanto o clima mantém pressão sobre as cotações internacionais, a demanda global segue funcionando como importante fator de sustentação dos preços. No Brasil, entretanto, o cenário permanece marcado por baixa liquidez, elevado custo de produção e cautela dos produtores na definição das estratégias para a safra 2026/27.

Fonte: Portal do Agronegócio

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