Publicidade
Mercado Financeiro

Boletim Focus eleva inflação de 2027 e reduz previsão de crescimento do PIB em 2026

Mercado mantém IPCA de 2026 em 5,02%, projeta Selic a 13,75% no fim do ano e eleva estimativa do dólar para R$ 5,30 em 2027


Publicado em: 24/08/2026 às 11:33hs

Boletim Focus eleva inflação de 2027 e reduz previsão de crescimento do PIB em 2026

O mercado financeiro elevou a previsão de inflação para 2027 e reduziu a estimativa de crescimento da economia brasileira em 2026. As novas projeções constam no Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (24) pelo Banco Central.

A expectativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2026 permaneceu em 5,02%. Para 2027, porém, a mediana das estimativas avançou de 4,24% para 4,25%, indicando que os analistas ainda enxergam dificuldades para a convergência da inflação ao centro da meta.

O relatório também mostrou uma redução na previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2026, de 1,98% para 1,95%. As projeções para a taxa Selic e o dólar no encerramento deste ano ficaram estáveis.

Inflação de 2026 segue acima do teto da meta

As instituições consultadas pelo Banco Central mantiveram em 5,02% a previsão para o IPCA de 2026.

A meta contínua de inflação perseguida pelo Banco Central é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Dessa forma, o limite máximo admitido é de 4,5%.

Caso a previsão do mercado se confirme, a inflação encerrará 2026 acima do teto da meta. O resultado reforça a percepção de que o processo de desinflação permanece lento, especialmente em segmentos de serviços e alimentação.

A projeção para os preços administrados — grupo que inclui energia elétrica, combustíveis, planos de saúde e tarifas definidas ou reguladas pelo poder público — recuou de 4,70% para 4,69%.

Previsão do IGP-M recua para 4,55%

O mercado reduziu de 4,71% para 4,55% a estimativa para o Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) em 2026.

Calculado pela Fundação Getulio Vargas, o indicador acompanha preços ao produtor, custos da construção civil e inflação ao consumidor. O IGP-M também é utilizado como referência em contratos, incluindo aluguéis e serviços.

A revisão negativa sugere uma expectativa de menor pressão nos preços no atacado, segmento diretamente influenciado pelo comportamento das commodities, do dólar e dos custos de produção.

Mercado eleva IPCA de 2027 para 4,25%

Para 2027, a previsão do IPCA subiu de 4,24% para 4,25%. Embora a alteração seja pequena, o percentual permanece acima do centro da meta de 3% e próximo do teto de 4,5%.

O movimento mostra que o mercado ainda projeta uma convergência gradual da inflação, mesmo diante da expectativa de manutenção dos juros em patamares elevados.

A previsão para os preços administrados em 2027 recuou de 3,87% para 3,86%. Já a estimativa para o IGP-M caiu de 4,10% para 4,09%.

Para os anos seguintes, o Focus apontou estabilidade do IPCA em 3,80% para 2028 e em 3,50% para 2029.

Projeção do PIB de 2026 cai para 1,95%

As instituições financeiras reduziram de 1,98% para 1,95% a previsão de crescimento do PIB brasileiro em 2026.

A revisão reforça a expectativa de perda de ritmo da atividade econômica, em um ambiente marcado por juros elevados, crédito mais restritivo e menor fôlego do consumo e dos investimentos.

A estimativa do mercado está ligeiramente abaixo da previsão oficial do Banco Central. No Relatório de Política Monetária publicado em junho, a autoridade monetária projetou crescimento de 2% para a economia brasileira em 2026.

Para 2027, a previsão do Focus permaneceu em 1,50%. Já a estimativa para 2028 avançou de 1,89% para 1,98%, enquanto a projeção para 2029 continuou em 2%.

Selic deve terminar 2026 em 13,75%

O mercado manteve em 13,75% ao ano a previsão para a taxa Selic no fim de 2026. Atualmente, os juros básicos estão em 14% ao ano.

A projeção indica que os analistas esperam apenas mais um corte de 0,25 ponto percentual até dezembro. O cenário reflete a avaliação de que o Banco Central deverá conduzir a flexibilização monetária com cautela diante da inflação ainda acima da meta.

Para 2027, a estimativa permaneceu em 12% ao ano. O mercado projeta Selic de 10,50% em 2028 e de 10% em 2029.

Mesmo com os cortes esperados, os juros devem continuar elevados em termos nominais e reais, mantendo pressão sobre o custo do crédito para empresas, produtores rurais e consumidores.

Dólar é projetado em R$ 5,20 no fim de 2026

A previsão para o dólar no encerramento de 2026 permaneceu em R$ 5,20. Para 2027, a estimativa subiu de R$ 5,29 para R$ 5,30.

O relatório anterior continha a mesma projeção de R$ 5,20 para 2026. Para 2028, a expectativa do mercado também ficou em R$ 5,30.

A trajetória do câmbio é acompanhada com atenção pelo agronegócio, pois influencia os preços das commodities exportadas, os custos de fertilizantes e defensivos importados e a competitividade dos produtos brasileiros no mercado internacional.

Focus reforça cenário de inflação resistente e crescimento moderado

As novas projeções indicam uma combinação desafiadora para a economia brasileira: inflação acima da meta, juros elevados e crescimento abaixo de 2%.

Para o agronegócio, esse cenário produz efeitos distintos. Um dólar mais valorizado pode favorecer a receita dos exportadores de soja, milho, café, açúcar, carnes e algodão. Por outro lado, também encarece insumos importados e amplia os custos financeiros das propriedades e empresas endividadas.

A manutenção da Selic em nível elevado tende a pressionar o crédito rural contratado fora das linhas subsidiadas. Ao mesmo tempo, o menor crescimento da economia pode limitar o consumo doméstico de alimentos e reduzir o espaço para repasses de custos ao consumidor.

O Boletim Focus reúne semanalmente as expectativas de instituições financeiras e consultorias para os principais indicadores da economia brasileira. As projeções servem como referência para empresas, investidores e para as decisões de política monetária do Banco Central.

Fonte: Portal do Agronegócio

◄ Leia outras notícias