Safra dos EUA, El Niño e demanda por biocombustíveis aumentam volatilidade no mercado global de soja no 3º trimestre
Produção norte-americana, clima, exportações brasileiras e relação comercial entre China e Estados Unidos devem definir o comportamento dos preços internacionais da soja nos próximos meses
Publicado em: 17/07/2026 às 10:30hs
O mercado internacional da soja inicia o terceiro trimestre de 2026 em um cenário de oferta global confortável, mas cercado por fatores que podem provocar forte volatilidade nas cotações. O desenvolvimento da safra dos Estados Unidos, a intensificação do fenômeno El Niño, o crescimento da demanda por biocombustíveis e a evolução das relações comerciais entre China e Estados Unidos aparecem entre os principais vetores capazes de influenciar os preços da oleaginosa até o fim de setembro.
A avaliação integra a 36ª edição do Relatório Trimestral de Perspectivas para Commodities, elaborado pela StoneX, que analisa os principais riscos e oportunidades para os mercados globais de commodities no terceiro trimestre.
Safra dos Estados Unidos concentra as atenções do mercado de soja
Depois de um segundo trimestre marcado pela pressão exercida pela safra recorde brasileira e pelas boas perspectivas para a produção norte-americana, o foco dos investidores passa a ser a definição do potencial produtivo da safra 2026/27 dos Estados Unidos.
O período coincide com a fase mais sensível do desenvolvimento das lavouras, quando as condições climáticas exercem influência direta sobre a produtividade e, consequentemente, sobre a formação dos preços internacionais.
Segundo Ana Luiza Lodi, especialista em Inteligência de Mercado da StoneX, este será o principal fator de monitoramento pelos agentes do mercado.
"O terceiro trimestre será decisivo para o mercado de soja porque coincide com a fase crítica da safra norte-americana. Embora o balanço global permaneça confortável, a produtividade dos Estados Unidos continuará sendo o principal fator de formação dos preços", destaca.
El Niño amplia as incertezas climáticas para a safra norte-americana
Outro fator que ganha importância é o avanço do fenômeno El Niño, oficialmente confirmado em junho pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA).
Embora historicamente o El Niño reduza o risco de estiagens prolongadas durante o verão norte-americano, a expectativa de que o fenômeno alcance intensidade elevada até o final de 2026 aumenta o nível de incerteza para o mercado agrícola.
Além disso, o plantio da nova safra foi concluído acima da média histórica, acompanhado por expansão da área destinada à soja.
A StoneX explica que o crescimento da área ocorreu devido à maior competitividade econômica da oleaginosa frente ao milho, impulsionada pelos elevados custos dos fertilizantes nitrogenados e pela grande oferta do cereal na temporada anterior.
Relatório WASDE de agosto poderá movimentar os preços da soja
O mercado também acompanha com expectativa a divulgação do relatório WASDE de agosto, considerado um dos principais eventos do trimestre para o setor agrícola.
O documento apresentará as primeiras estimativas oficiais de produtividade baseadas em levantamentos realizados diretamente nas propriedades rurais dos Estados Unidos, podendo provocar ajustes relevantes nas expectativas de oferta mundial.
Biocombustíveis fortalecem a demanda mundial por soja
Enquanto a oferta permanece relativamente confortável, a demanda continua crescendo, principalmente impulsionada pela indústria de biocombustíveis.
Nos Estados Unidos, as margens de esmagamento seguem historicamente elevadas, favorecidas pelos novos mandatos para produção de combustíveis renováveis previstos para 2026 e 2027, além da valorização dos créditos ambientais do setor.
A alta recente dos preços internacionais da energia também aumentou a competitividade dos biocombustíveis, fortalecendo o consumo de óleo de soja.
Segundo a StoneX, esse movimento deve continuar sustentando a expansão da demanda pela oleaginosa ao longo do segundo semestre.
China e Estados Unidos seguem no radar dos investidores
Outro fator de atenção envolve as negociações comerciais entre China e Estados Unidos.
Embora permaneçam vigentes compromissos para aquisição de soja norte-americana, o mercado ainda monitora o efetivo cumprimento dos volumes negociados.
Caso as compras previstas sejam integralmente realizadas, o balanço de oferta dos Estados Unidos poderá ficar mais ajustado, reduzindo a disponibilidade exportável e influenciando as cotações internacionais.
Brasil mantém liderança mundial nas exportações de soja
No Brasil, o cenário continua favorável sob o ponto de vista da oferta.
A StoneX estima que a safra brasileira 2025/26 tenha alcançado o recorde de 182,1 milhões de toneladas, resultado sustentado pela expansão da área cultivada e pelos elevados níveis de produtividade registrados na maior parte das regiões produtoras.
As exportações seguem aquecidas graças à elevada competitividade do produto brasileiro no mercado internacional.
A consultoria projeta embarques próximos de 113 milhões de toneladas em 2026, consolidando o Brasil como o maior exportador mundial de soja.
Além das vendas externas, o processamento doméstico também permanece aquecido, impulsionado pelo crescimento da produção de biodiesel e pelas margens favoráveis da indústria de esmagamento.
Argentina reforça oferta global da oleaginosa
A Argentina também contribui para o atual cenário de ampla disponibilidade mundial.
A produção superou as expectativas iniciais e fortalece a oferta global de farelo e óleo de soja, segmentos nos quais o país permanece entre os principais exportadores mundiais.
Mercado de soja entra no trimestre com elevada sensibilidade ao clima
Apesar da oferta confortável observada atualmente, a StoneX alerta que o mercado internacional da soja deverá permanecer altamente sensível às condições climáticas nos Estados Unidos durante os próximos meses.
O comportamento do El Niño, os resultados do WASDE, a evolução da demanda por biocombustíveis, as compras chinesas e as decisões de plantio da próxima safra sul-americana poderão alterar rapidamente o equilíbrio entre oferta e demanda global.
Dessa forma, embora o abastecimento mundial permaneça robusto, o terceiro trimestre tende a ser marcado por oscilações mais intensas nos preços, exigindo atenção redobrada de produtores, exportadores, indústrias e investidores que acompanham o mercado internacional da soja.
Fonte: Portal do Agronegócio
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