Café hoje: arábica reage em Nova York, robusta dispara em Londres e mercado acompanha colheita, exportações e isenção tarifária nos EUA
Após forte queda na sessão anterior, cotações iniciam esta sexta-feira (17) sem direção única. Mercado monitora avanço da safra brasileira, oferta global, valorização do dólar e manutenção da competitividade do café brasileiro nos Estados Unidos
Publicado em: 17/07/2026 às 11:20hs
As cotações internacionais do café iniciaram esta sexta-feira (17) operando sem direção única nas principais bolsas mundiais, refletindo um mercado ainda marcado por elevada volatilidade e pela combinação de fatores fundamentais que seguem influenciando a formação dos preços. Enquanto o café arábica apresenta recuperação moderada na ICE Futures US, em Nova York, o robusta registra ganhos mais expressivos na ICE Europe, em Londres.
Os investidores permanecem atentos ao avanço da colheita brasileira, ao ritmo das exportações, às condições climáticas nas principais regiões produtoras e ao cenário do comércio internacional, especialmente após a confirmação de que o café brasileiro ficou fora da tarifa de 25% anunciada pelos Estados Unidos.
Arábica volta a subir após forte correção em Nova York
Depois de encerrar o pregão anterior com perdas superiores a 4%, o mercado do café arábica tenta recuperar parte das desvalorizações registradas na quinta-feira.
Na abertura desta sexta-feira, o contrato setembro/2026 era negociado a 313,15 cents de dólar por libra-peso, com alta de 55 pontos. O vencimento dezembro/2026 avançava para 298,45 cents/lbp, registrando valorização de 120 pontos.
A recuperação ocorre após um pregão de forte realização de lucros, quando o contrato setembro fechou a 312,60 cents/lbp, com queda de 14,15 centavos, equivalente a 4,3%, enquanto o dezembro encerrou a 297,25 cents/lbp, recuando 12,70 centavos, ou 4,1%.
Robusta lidera os ganhos em Londres
No mercado europeu, os contratos do café robusta apresentavam desempenho mais consistente.
O vencimento setembro/2026 avançava US$ 78, sendo negociado a US$ 3.875 por tonelada, enquanto o contrato novembro/2026 registrava alta de US$ 79, cotado a US$ 3.826 por tonelada.
A valorização ocorre após vários dias de forte pressão nas bolsas, em um ambiente ainda sensível às expectativas de oferta global e ao comportamento da demanda internacional.
Avanço da colheita brasileira segue pressionando o mercado
Apesar da recuperação observada nesta manhã, o mercado continua acompanhando de perto o avanço da colheita brasileira.
As condições climáticas mais favoráveis registradas ao longo da semana aceleraram os trabalhos nas lavouras, além de favorecerem as etapas de secagem e beneficiamento dos grãos, aumentando a expectativa de maior disponibilidade física de café nos próximos meses.
Esse cenário contribuiu para a forte pressão observada na sessão anterior, juntamente com a valorização do dólar frente ao real, fator que amplia a competitividade das exportações brasileiras e incentiva a comercialização pelos produtores.
Além disso, operadores avaliam que a entrada gradual da nova safra reduz parte das preocupações imediatas com a oferta, embora os estoques globais ainda permaneçam relativamente apertados.
Exportações mostram recuperação em junho
Os dados mais recentes do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) reforçam essa percepção de maior disponibilidade do produto.
Em junho de 2026, o Brasil exportou 3,060 milhões de sacas de 60 quilos, alta de 16,9% em relação ao mesmo mês do ano anterior. A receita cambial alcançou US$ 972,8 milhões, registrando redução de 6%, reflexo principalmente da acomodação dos preços internacionais.
No acumulado do primeiro semestre de 2026, os embarques somaram 17,831 milhões de sacas, queda de 8,3% frente ao mesmo período de 2025, enquanto a receita atingiu US$ 6,534 bilhões, recuo de 13,3%.
Já no encerramento do ano-safra 2025/26, o Brasil exportou 38,462 milhões de sacas, destinadas a 125 países, volume 15,7% inferior ao ciclo anterior. Mesmo assim, a receita cambial alcançou US$ 14,595 bilhões, configurando o segundo maior resultado da série histórica do setor.
Isenção da tarifa dos EUA fortalece perspectivas para o café brasileiro
Outro fator que segue trazendo maior tranquilidade ao mercado é a confirmação de que o café brasileiro ficou de fora da tarifa de 25% anunciada pelos Estados Unidos para diversos produtos brasileiros.
A decisão foi considerada estratégica pelo setor cafeeiro, uma vez que preserva a competitividade do produto brasileiro justamente no maior mercado consumidor mundial.
Especialistas avaliam que a medida evita distorções no fluxo comercial entre os dois países e reduz riscos para as exportações brasileiras.
Segundo analistas do mercado, a exclusão do café já era amplamente esperada, principalmente porque a indústria norte-americana possui elevada dependência do abastecimento brasileiro e não dispõe de fornecedores capazes de substituir, no curto prazo, os volumes exportados pelo Brasil, tanto de café verde quanto de café solúvel.
Mercado permanece altamente volátil
Mesmo com a recuperação parcial observada nesta sexta-feira, o cenário continua exigindo cautela dos investidores.
A combinação entre o avanço da colheita brasileira, comportamento das exportações, oscilações cambiais, oferta global ainda limitada e eventuais mudanças climáticas nas principais regiões produtoras deve continuar sustentando elevados níveis de volatilidade nas bolsas internacionais nas próximas semanas.
Enquanto isso, compradores e exportadores permanecem monitorando atentamente a evolução da safra brasileira 2026/27, a qualidade dos grãos e o comportamento da demanda mundial, fatores que deverão definir a direção dos preços no segundo semestre.
Perspectivas para o mercado de café
No curto prazo, a tendência é de que o mercado continue reagindo rapidamente a novas informações sobre produção, clima, logística e comércio internacional. A manutenção da isenção tarifária para o café brasileiro nos Estados Unidos representa um importante fator de sustentação para as exportações, enquanto a evolução da colheita e o aumento da disponibilidade física tendem a limitar movimentos de alta mais intensos.
Com estoques globais ainda relativamente ajustados e demanda internacional resiliente, o mercado deverá permanecer sensível às notícias, mantendo o ambiente de elevada volatilidade observado ao longo das últimas semanas.
Fonte: Portal do Agronegócio
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