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Internacional

Argentina oferece ativos descontados e cria oportunidades para agronegócio, energia e infraestrutura

Baixo volume de investimento estrangeiro, preços atrativos e incentivos fiscais colocam o país entre os mercados mais observados da América Latina, mas especialistas recomendam estratégia diferente para cada setor.


Publicado em: 06/08/2026 às 10:40hs

Argentina oferece ativos descontados e cria oportunidades para agronegócio, energia e infraestrutura

Após anos de instabilidade econômica, a Argentina começa a atrair novamente o interesse de investidores internacionais. O principal argumento não está apenas na melhora dos indicadores macroeconômicos, mas na combinação entre ativos ainda fortemente descontados, baixo nível de investimento estrangeiro direto (IED) e expectativa de valorização caso o processo de estabilização econômica seja consolidado.

Segundo o estudo da L.E.K. Consulting, a atual janela de oportunidade decorre justamente da ausência de grandes fluxos internacionais de capital nos últimos anos, situação que manteve empresas, ativos produtivos e diversos setores negociando abaixo dos múltiplos observados em outros mercados latino-americanos.

Investimento estrangeiro permanece abaixo do potencial

Mesmo com a mudança de direção da política econômica promovida pelo governo Javier Milei, os investimentos estrangeiros ainda não retornaram de forma significativa à Argentina.

O relatório mostra que, entre 2018 e 2023, o fluxo médio anual de investimento estrangeiro direto permaneceu bastante inferior ao registrado em economias como Brasil, México e Chile. Em alguns momentos, parte relevante desse capital sequer representou novos investimentos, mas sim lucros retidos no país em razão das restrições cambiais então vigentes.

Na avaliação da consultoria, muitos investidores internacionais ainda adotam uma postura de observação, aguardando sinais mais claros de estabilidade política antes de ampliar sua exposição ao mercado argentino. Enquanto isso, grupos empresariais locais continuam liderando aquisições e processos de consolidação em diversos segmentos da economia.

Ativos baratos aumentam potencial de valorização

Um dos principais diferenciais apontados pelo estudo é o elevado desconto dos ativos argentinos em comparação com empresas equivalentes da América Latina.

Nos setores de consumo, varejo, serviços financeiros e energia, companhias argentinas continuam negociando com múltiplos inferiores aos observados em Brasil e México. Segundo a análise, esse desconto reflete tanto o elevado risco-país quanto a reduzida participação de investidores estrangeiros.

Caso a estabilidade econômica avance e o risco argentino diminua nos próximos anos, esses ativos poderão registrar significativa reprecificação, ampliando o potencial de retorno para investidores de longo prazo.

Reservas internacionais e eleições de 2027 serão os principais termômetros

Apesar das perspectivas positivas, a consultoria ressalta que dois fatores serão decisivos para confirmar a recuperação da economia argentina.

O primeiro é a evolução das reservas internacionais do Banco Central da República Argentina (BCRA). O fortalecimento das reservas líquidas é considerado essencial para aumentar a confiança do mercado, reduzir a vulnerabilidade cambial e garantir maior capacidade de enfrentamento de choques externos.

O segundo ponto envolve o cenário político. Como parte importante das reformas foi implementada por decretos e medidas administrativas, a manutenção do programa econômico dependerá do resultado das eleições presidenciais e da composição do Congresso em 2027.

Para os analistas, esses dois indicadores funcionarão como os principais sinais para investidores que pretendem realizar aportes de maior porte fora dos setores protegidos por regimes especiais.

RIGI reduz risco político e acelera grandes investimentos

A principal exceção à estratégia de esperar maior definição política está no Regime de Incentivo aos Grandes Investimentos (RIGI), criado pelo governo argentino em 2024.

O programa oferece estabilidade contratual por até 30 anos para projetos de grande porte, além de incentivos tributários, garantias para remessa de lucros ao exterior e mecanismos de proteção contra futuras alterações regulatórias.

Na prática, o regime reduz significativamente a exposição dos investidores às mudanças de governo, tornando projetos elegíveis mais protegidos das incertezas do ciclo político argentino.

Segundo o estudo, dezenas de bilhões de dólares em investimentos já estão em análise ou aprovação, concentrados principalmente em energia, mineração, infraestrutura e grandes empreendimentos ligados aos recursos naturais do país.

Agronegócio aparece entre os setores mais promissores

Entre todos os segmentos analisados, o agronegócio figura entre aqueles considerados mais atrativos para investimentos imediatos dentro das regras do RIGI.

A consultoria destaca que projetos ligados à produção agroindustrial, infraestrutura logística, energia e mineração estratégica tendem a ser os maiores beneficiados pelo ambiente de incentivos criado pelo governo argentino.

Além do mercado interno, o estudo aponta que um eventual avanço da ratificação do acordo entre Mercosul e União Europeia poderá ampliar ainda mais o potencial competitivo desses setores, favorecendo exportações e atraindo novos investidores internacionais.

Serviços financeiros e infraestrutura devem ganhar espaço após maior segurança política

Para áreas como serviços financeiros, fintechs, saúde, indústria farmacêutica, logística e infraestrutura, a recomendação é diferente.

Embora esses segmentos apresentem ativos descontados e boas oportunidades de consolidação, o relatório recomenda que investidores avancem desde já na prospecção de parceiros, estudos de mercado e avaliação de ativos, deixando a execução dos investimentos para um momento de maior previsibilidade política, especialmente após as eleições de 2027.

Fonte: Portal do Agronegócio

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