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Brasil

Superávit da balança comercial cresce 19,7% e chega a US$ 5,11 bilhões em agosto

Exportações brasileiras avançam 14,3% na parcial do mês, impulsionadas por soja, café, carnes de aves, petróleo e minérios; saldo acumulado em 2026 alcança US$ 54,15 bilhões


Publicado em: 26/08/2026 às 19:20hs

Superávit da balança comercial cresce 19,7% e chega a US$ 5,11 bilhões em agosto
Foto: Cláudio Neves

A balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 5,11 bilhões até a terceira semana de agosto de 2026. O resultado representa crescimento de 19,7% em relação ao mesmo período do ano passado, sustentado pelo avanço das exportações em ritmo superior ao das importações.

Dados divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) mostram que as vendas externas somaram US$ 24,14 bilhões na parcial do mês, alta de 14,3% na comparação com agosto de 2025. As importações cresceram 13% e atingiram US$ 19,03 bilhões.

A corrente de comércio, que reúne exportações e importações, aumentou 13,7% e chegou a US$ 43,18 bilhões.

Superávit acumulado em 2026 alcança US$ 54,15 bilhões

Entre janeiro e a terceira semana de agosto, o Brasil exportou US$ 242,69 bilhões, crescimento de 10,7% frente ao mesmo intervalo de 2025.

As importações totalizaram US$ 188,55 bilhões, com expansão de 6,2%. Como resultado, o saldo comercial acumulado alcançou US$ 54,15 bilhões, avanço expressivo de 30,2% na comparação anual.

A corrente de comércio brasileira movimentou US$ 431,24 bilhões no período, aumento de 8,7%.

O desempenho reforça a contribuição do comércio exterior para a geração de divisas no país, com participação relevante do agronegócio, da indústria extrativa e das exportações de produtos industrializados.

Exportações do agronegócio crescem em agosto

As exportações da agropecuária somaram US$ 5,20 bilhões até a terceira semana de agosto, aumento de 9,8% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Entre os principais destaques do setor aparecem as vendas externas de animais vivos, que avançaram 141,9%. As exportações de café não torrado aumentaram 26%, enquanto os embarques de soja cresceram 11,4%.

O resultado mostra a força de produtos tradicionais da pauta exportadora brasileira, especialmente soja e café, mesmo diante da volatilidade dos preços internacionais, das mudanças na demanda global e dos desafios logísticos.

Milho, mel e sementes oleaginosas perdem espaço

Apesar do crescimento geral da agropecuária, alguns produtos registraram retração nas vendas externas. As exportações de milho não moído, exceto milho-doce, caíram 23%.

Os embarques de mel natural recuaram 21,1%, enquanto as vendas de sementes oleaginosas, grupo que inclui girassol, gergelim, canola e algodão, diminuíram 51,8%.

A queda do milho contrasta com o avanço da soja na pauta exportadora e evidencia comportamentos distintos entre as principais commodities agrícolas brasileiras durante agosto.

Carne de frango e farelo de soja impulsionam indústria

Na indústria de transformação, as exportações alcançaram US$ 11,87 bilhões, crescimento de 6,6% na comparação anual.

As vendas de carnes de aves e miudezas comestíveis frescas, refrigeradas ou congeladas aumentaram 44,1%. Os embarques de farelo de soja e outros alimentos destinados à nutrição animal avançaram 38,9%.

Também houve crescimento de 49,9% nas exportações de óleos combustíveis derivados de petróleo ou de minerais betuminosos, excluindo os óleos brutos.

Em sentido contrário, as vendas externas de carne bovina fresca, refrigerada ou congelada recuaram 18,6%. As exportações de açúcares e melaços tiveram queda ainda mais intensa, de 45,4%.

Também houve retração de 63,4% nos embarques de bombas, centrífugas, compressores, ventiladores, exaustores e equipamentos de filtragem ou depuração.

Indústria extrativa registra crescimento de 34,2%

A indústria extrativa apresentou a maior alta percentual entre os três grandes setores exportadores. As vendas externas atingiram US$ 6,87 bilhões, expansão de 34,2%.

O crescimento foi puxado pelos embarques de minérios de cobre e seus concentrados, que avançaram 309,1%. As vendas de outros minérios e concentrados de metais de base aumentaram 129,6%, enquanto as exportações de petróleo bruto cresceram 46,9%.

Por outro lado, os embarques de minério de ferro e seus concentrados diminuíram 15,8%. As exportações de minérios de alumínio recuaram 60%, enquanto as de minérios de níquel apresentaram queda de 100% na comparação considerada pelo Mdic.

Importações crescem com avanço da indústria de transformação

As importações brasileiras aumentaram 13% na parcial de agosto, impulsionadas principalmente pela indústria de transformação. As compras externas do setor somaram US$ 17,72 bilhões, crescimento de 16,7%.

Entre os destaques estão as importações de óleos combustíveis derivados de petróleo, que avançaram 110,8%. As compras de medicamentos e produtos farmacêuticos, exceto veterinários, cresceram 58,5%.

As importações de componentes eletrônicos, como válvulas, tubos termiônicos, diodos e transistores, aumentaram 69,9%.

Em contrapartida, houve redução de 19,9% nas compras de obras de ferro, aço e outros metais comuns. As importações de motores e máquinas não elétricos, além de suas partes, recuaram 66,9%.

Compras externas de trigo e hortaliças avançam

As importações da agropecuária somaram US$ 320 milhões, alta de 3,9% frente ao mesmo período de agosto de 2025.

As compras de pescado inteiro, vivo, morto ou refrigerado cresceram 54,4%. As importações de trigo e centeio não moídos avançaram 12,2%, enquanto as aquisições de produtos hortícolas frescos ou refrigerados aumentaram 70,7%.

Em movimento contrário, as importações de frutas e nozes não oleaginosas caíram 30,7%. As compras externas de soja recuaram 17,8%, enquanto as de látex, borracha natural e gomas naturais diminuíram 10,6%.

Importações de fertilizantes caem 31,2%

Um dos principais movimentos de interesse para o agronegócio foi a redução de 31,2% nas importações de adubos e fertilizantes químicos, excluídos os fertilizantes brutos.

A queda pode refletir fatores como antecipação de compras, formação de estoques, alterações nos preços internacionais, variação cambial e decisões dos produtores sobre o calendário de aquisição de insumos. O comportamento dos desembarques seguirá no radar, sobretudo com o avanço do planejamento e do plantio da safra 2026/27.

Na indústria extrativa, as importações totalizaram US$ 880 milhões, retração de 29,7%. As compras de gás natural, liquefeito ou não, caíram 65,1%, enquanto as de petróleo bruto recuaram 7,4% e as de carvão diminuíram 5,9%.

Agronegócio mantém papel estratégico no comércio exterior

Os números da terceira semana de agosto confirmam a relevância do agronegócio para o desempenho comercial brasileiro. Soja, café, animais vivos, carnes de aves e farelo de soja figuraram entre os produtos que mais contribuíram para a expansão das exportações.

Ao mesmo tempo, as quedas observadas nos embarques de milho, carne bovina, açúcar e sementes oleaginosas mostram que o desempenho positivo não ocorreu de maneira uniforme.

Com exportações crescendo acima das importações e superávit acumulado superior a US$ 54 bilhões, o comércio exterior permanece como uma das principais fontes de sustentação das contas externas brasileiras em 2026.

Fonte: Portal do Agronegócio

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