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Brasil

Resultado eleitoral fortalece real, mas inflação e contas públicas seguem no radar, aponta Rabobank

Relatório destaca valorização de 4,2% da moeda brasileira após o primeiro turno, desaceleração industrial e expectativa de alta de 0,74% no IPCA de setembro.


Publicado em: 06/10/2026 às 11:15hs

Resultado eleitoral fortalece real, mas inflação e contas públicas seguem no radar, aponta Rabobank

O resultado do primeiro turno da eleição presidencial provocou uma reavaliação dos ativos brasileiros, com investidores ampliando a expectativa de mudança na política fiscal. Segundo o Rabobank, o real se valorizou 4,2% na segunda-feira (5), após Flávio Bolsonaro terminar a votação à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A avaliação integra o relatório “Surpresa com a liderança”, publicado em 5 de outubro pelo RaboResearch e assinado pelos economistas Mauricio Une e Renan Alves. O documento reúne a análise eleitoral e os principais indicadores econômicos da semana anterior, apontando que a reação favorável do câmbio convive com riscos inflacionários, fragilidade fiscal e sinais de desaceleração da atividade.

No exterior, o banco destaca o enfraquecimento do mercado de trabalho norte-americano e uma inflação abaixo das expectativas, fatores que reforçam sua avaliação de manutenção dos juros pelo Federal Reserve no curto prazo.     surpresa_com_a_lideranca

Eleição muda percepção de risco e favorece o real

Na leitura do Rabobank, a liderança de Flávio Bolsonaro contrariou as expectativas das pesquisas e aumentou a percepção dos investidores de que um ajuste das contas públicas poderia ocorrer mais rapidamente em um eventual novo governo.

Os economistas também avaliam que o candidato tende a receber apoio de eleitores de outras candidaturas de centro-direita no segundo turno. Essa interpretação do cenário eleitoral contribuiu para a valorização da moeda brasileira após a votação.

O movimento representou uma mudança em relação à semana encerrada em 2 de outubro. Naquele período, o dólar terminou cotado a R$ 5,2115, com desvalorização semanal de 0,60% do real, segundo os dados utilizados no relatório.

IGP-M sobe com pressão de commodities agrícolas

A inflação voltou a ganhar destaque com a alta de 1,57% do Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) em setembro, após queda de 0,22% em agosto. Em 12 meses, o indicador acumulou avanço de 3,34%.

O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), componente de maior peso no IGP-M, subiu 2,08% no mês. Dentro desse índice, os produtos agropecuários registraram alta de 3,07%.

Entre os itens destacados pelo relatório estão a soja, com valorização de 7,91%; o milho, com 5,17%; e a carne bovina, com 3,43%. Esses percentuais se referem às variações dos preços captados pelo indicador, e não a uma média de todas as negociações no mercado físico.

O Rabobank manteve sua projeção de alta de 4% para o IGP-M ao final de 2026.

Produção industrial recua, apesar de avanço dos alimentos

A produção industrial brasileira caiu 0,6% em agosto frente a julho, resultado inferior ao crescimento de 0,4% previsto pelo banco. Na comparação com agosto de 2025, a retração foi de 1,2%.

Segundo o documento, 16 das 25 atividades industriais registraram queda mensal. Entre os segmentos com desempenho negativo estavam produtos do fumo, produtos farmacêuticos, equipamentos eletrônicos e derivados de petróleo e biocombustíveis.

A indústria de produtos alimentícios avançou 1%, figurando entre os destaques positivos. Produtos químicos e metalurgia também cresceram no período.

Para os economistas, o conjunto dos resultados indica continuidade da desaceleração industrial.

Emprego formal surpreende, enquanto desemprego permanece baixo

O mercado de trabalho apresentou sinais distintos. O Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) registrou saldo de 165.827 vagas formais em agosto, acima da projeção de 90 mil postos do Rabobank.

Já a taxa de desocupação medida pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) permaneceu em 5,3%, em linha com a expectativa da instituição e abaixo dos 5,6% de agosto de 2025.

Na avaliação do banco, os dados indicam uma desaceleração ainda lenta do mercado de trabalho, mesmo diante da perda de ritmo observada em outros indicadores.

Déficit fiscal e crédito continuam exigindo atenção

O Governo Central registrou déficit primário de R$ 13,6 bilhões em agosto, conforme os números apresentados no relatório. O resultado ocorreu apesar de a receita crescer mais que a despesa.

A evolução das contas públicas permanece relevante para a percepção de risco e para as expectativas de juros, mesmo após a reação positiva dos investidores ao primeiro turno.

No crédito, o saldo apresentou crescimento de 9,2% em relação a agosto de 2025, ligeiramente abaixo dos 9,3% registrados em julho. O dado representa uma perda de velocidade da expansão, sem indicar queda do volume total de crédito.

Dados dos EUA reforçam expectativa de pausa nos juros

Nos Estados Unidos, a criação de 29 mil vagas em setembro e o aumento da taxa de desemprego para 4,2% sinalizaram enfraquecimento do mercado de trabalho.

O núcleo do índice de preços de gastos com consumo pessoal, o PCE, avançou 0,2% no mês, abaixo da expectativa de 0,3% mencionada no relatório.

Para o Rabobank, esses resultados favorecem a manutenção dos juros norte-americanos no curto prazo. Entretanto, o conflito entre Estados Unidos e Irã e a volatilidade do petróleo continuam como fontes de incerteza.

O documento destaca que o Brent permanecia acima de US$ 100 por barril, mantendo a atenção sobre os efeitos da energia na inflação.

Rabobank prevê IPCA de 0,74% em setembro

Na agenda brasileira, o principal destaque apontado pelo relatório é o IPCA de setembro. A projeção do banco é de alta de 0,74% no mês, levando a inflação acumulada em 12 meses a aproximadamente 4,5%.

O cenário apresentado combina, portanto, uma melhora imediata da percepção dos investidores sobre o Brasil com desafios econômicos persistentes. A trajetória da inflação, das contas públicas e da atividade será importante para avaliar a continuidade desse movimento nos ativos brasileiros.

Fonte: Portal do Agronegócio

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