Trigo de qualidade tem oferta restrita no Brasil; dólar baixo favorece importações
Problemas na safra sustentam pedidas por cereal de padrão superior no Sul, enquanto Chicago amplia ganhos nesta terça-feira (6), com dezembro próximo de US$ 7 por bushel
Publicado em: 06/10/2026 às 11:50hs
O mercado brasileiro de trigo enfrenta forças distintas na formação dos preços: a menor disponibilidade de grãos de qualidade sustenta as ofertas dos vendedores, enquanto a queda do dólar aumenta a competitividade do produto importado. O avanço da colheita amplia a entrada de cereal, mas as dificuldades para encontrar lotes adequados à indústria mantêm os moinhos atentos ao abastecimento.
No exterior, o trigo voltou a subir nesta terça-feira (6), após encerrar a segunda-feira em alta. Na atualização das 8h47 da página de cotações do Notícias Agrícolas, o contrato dezembro/2026 em Chicago era indicado a US$ 6,9975 por bushel, avanço de 1,08%. O março/2027 registrava US$ 7,1325, com valorização de 0,99%.
Qualidade da safra limita disponibilidade para os moinhos
Segundo o Cepea, o excesso de umidade durante o ciclo das lavouras aumentou a presença de trigo dos tipos 2 e 3, com peso hectolítrico (PH) reduzido, e diminuiu a disponibilidade de cereal tipo 1.
Com menos produto dentro dos padrões demandados pela indústria, vendedores que ainda possuem lotes de qualidade têm elevado suas pedidas. Assim, a entrada da nova safra não representa, necessariamente, maior disponibilidade de trigo adequado à moagem.
Essa sustentação dos lotes superiores, porém, convive com oscilações nas médias estaduais. Em 5 de outubro, os preços médios acompanhados pelo Cepea/Esalq ficaram em R$ 1.551,32 por tonelada no Paraná, queda diária de 0,15%, e em R$ 1.451,52 no Rio Grande do Sul, recuo de 0,21%.
Queda do dólar torna trigo importado mais competitivo
O câmbio acrescenta pressão ao mercado doméstico. Na referência das 9h18 desta terça-feira, o dólar à vista registrava queda de 0,66%, a R$ 4,968 na venda, após fechar a segunda-feira a R$ 5,0022. A redução da moeda norte-americana diminui o custo em reais das compras externas, mantidas as demais condições comerciais.
Conforme a TF Agroeconômica, a maior atratividade das importações ocorre justamente quando a oferta da safra velha está reduzida e parte da nova produção apresenta problemas de qualidade.
As referências regionais da consultoria retratam indicações de compra, ofertas e negócios pontuais, com diferenças de qualidade, frete e prazo de entrega.
Rio Grande do Sul tem poucos negócios e retomada da colheita
No Rio Grande do Sul, os raros negócios com trigo da safra velha ocorrem a R$ 1.550 por tonelada no interior, enquanto vendedores pedem R$ 1.600, segundo a TF Agroeconômica.
A colheita foi retomada nas Missões e em Santa Rosa, mas ainda há pouco cereal pronto. Para a nova safra, os moinhos indicam R$ 1.400 por tonelada.
A consultoria também informa a previsão de chegada de um navio com trigo uruguaio em outubro. A última referência conhecida para esse produto era de US$ 305 por tonelada em Rio Grande.
No balcão, Panambi registrou alta para R$ 75 por saca, enquanto Espumoso apresentou referência de R$ 78.
Santa Catarina enfrenta dificuldade para comprar trigo de qualidade
Em Santa Catarina, os moinhos relatam escassez de cereal com qualidade industrial. Segundo a TF Agroeconômica, houve reajuste de 11,5% nas farinhas, considerado insuficiente pelas empresas consultadas.
O trigo gaúcho é ofertado a R$ 1.600 por tonelada, acrescido de R$ 180 de frete. Para o produto paranaense, a indicação também é de R$ 1.600, com incertezas sobre a qualidade dos lotes.
Os preços ao produtor permaneceram estáveis em várias praças, variando de R$ 72 por saca em Rio do Sul a R$ 80 em Xanxerê. Em Joaçaba, a referência subiu para R$ 73,17.
Paraná registra descontos e renegociação de contratos
No Paraná, a oferta remanescente da safra velha é praticamente inexistente, à exceção de sobras de sementes negociadas a R$ 1.600 por tonelada FOB.
Na nova safra, parte dos lotes colhidos no norte e no oeste apresenta PH ou falling number baixos. A TF Agroeconômica também relata áreas abandonadas após germinação dos grãos, produtores buscando renegociar contratos e moinhos aplicando tabelas de descontos.
Para o trigo tipo 1, a consultoria informou indicações de R$ 1.500 por tonelada para outubro e R$ 1.450 para novembro, embora a oferta desse padrão esteja escassa. Na referência anterior, para setembro, a indicação era de R$ 1.550.
Entre as alternativas importadas, o trigo paraguaio foi indicado a US$ 320 por tonelada nos Campos Gerais, e o argentino, a US$ 325 em Paranaguá.
Chicago amplia recuperação após alta na segunda-feira
Na sessão de segunda-feira (5), o contrato dezembro encerrou a US$ 6,9225 por bushel, com alta de 1,35%, enquanto março fechou a US$ 7,0625, avanço de 1,36%. As cotações desta terça-feira mostravam continuidade da recuperação na atualização consultada. Notícias Agrícolas
No relato do fechamento de segunda-feira, as preocupações com o escoamento de grãos pelo Mar Negro e a demanda da Arábia Saudita apareceram como fatores de sustentação. A agência estatal saudita informou a compra de aproximadamente 683 mil toneladas, acima das 535 mil toneladas inicialmente buscadas em licitação.
Já as inspeções norte-americanas de exportação somaram 302.356 toneladas na semana encerrada em 1º de outubro, conforme os dados do USDA apresentados no levantamento, abaixo das 337.047 toneladas da semana anterior.
Para o mercado brasileiro, a combinação entre câmbio, custo das importações e qualidade dos lotes colhidos segue decisiva. A escassez de trigo superior sustenta negociações específicas, enquanto o dólar mais baixo amplia as alternativas de abastecimento da indústria.
Fonte: Portal do Agronegócio
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