Publicidade
Setor Sucroalcooleiro

Açúcar atinge máxima de 19 meses em Nova York; chuvas restringem oferta no Brasil

Atraso na colheita de cana sustenta preços do cristal em São Paulo, enquanto perspectiva de menor produção global levou o indicador da FAO a subir 6,1% em setembro


Publicado em: 06/10/2026 às 12:00hs

Açúcar atinge máxima de 19 meses em Nova York; chuvas restringem oferta no Brasil

Os preços do açúcar avançam no mercado brasileiro e nas bolsas internacionais diante das preocupações com a oferta. No Centro-Sul do Brasil, as chuvas dificultam a colheita da cana-de-açúcar e limitam a produção, sustentando as cotações do cristal no mercado spot paulista. No exterior, as incertezas sobre as safras dos principais países produtores reforçam a valorização.

Na segunda-feira (5), os contratos futuros do açúcar bruto na Bolsa de Nova York (ICE Futures US) atingiram o maior nível em 19 meses. No movimento informado para a sessão, o vencimento março de 2027 era negociado a 20,79 centavos de dólar por libra-peso, alta de 0,86 centavo, ou 4,4%, frente ao fechamento anterior. O contrato maio de 2027 registrava 19,92 centavos, avanço de 3,9%.

A pressão sobre o abastecimento também apareceu no levantamento da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). O indicador internacional de preços do açúcar subiu pelo terceiro mês consecutivo em setembro.

Chuvas limitam produção e sustentam açúcar cristal em São Paulo

Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o atraso na colheita da cana no Centro-Sul mantém reduzida a disponibilidade de açúcar. Com menos produto ofertado, as cotações do cristal seguem em alta nas negociações spot do estado de São Paulo.

A avaliação dos pesquisadores é de que a oferta deve permanecer restrita nas próximas semanas. Novas chuvas no início de outubro podem provocar outras interrupções na colheita e dificultar a recuperação do ritmo de produção.

Consultorias mencionadas pelo Cepea apontam a possibilidade de uma parcela significativa da cana ficar para processamento na próxima safra. Também há projeções de que a moagem se prolongue até o fim de fevereiro ou o início de março.

Excesso de umidade reduz rendimento e favorece produção de etanol

Além de impedir o avanço das máquinas no campo, a umidade interfere no aproveitamento da matéria-prima pelas usinas.

De acordo com o Cepea, a cana colhida nessas condições apresenta menor rendimento de açúcar e favorece a produção de etanol. Assim, mesmo com o adoçante oferecendo remuneração superior à do biocombustível, as unidades têm reduzido a parcela da cana destinada à fabricação de açúcar, conhecida como mix açucareiro.

A combinação de colheita atrasada e menor direcionamento industrial ao açúcar reforça a limitação da oferta no mercado interno.

Indicador da FAO sobe 6,1% e alcança maior nível desde abril de 2025

O índice de preços do açúcar da FAO registrou média de 114 pontos em setembro de 2026, aumento de 6,5 pontos, ou 6,1%, em relação a agosto.

Na comparação com setembro de 2025, o avanço foi de 14,7%, equivalente a 14,6 pontos. Com a terceira alta mensal seguida, o indicador atingiu seu maior patamar desde abril de 2025.

Segundo a organização, o principal fator de valorização foi a perspectiva de uma oferta mundial mais restrita na safra 2026/27, correspondente ao período de outubro a setembro.

As chuvas intensas no Centro-Sul brasileiro, que prejudicaram a colheita, acrescentaram pressão de alta às cotações internacionais.

Índia, Tailândia e União Europeia ampliam preocupação com abastecimento

As dificuldades de produção não se concentram no Brasil. Na União Europeia, a FAO aponta que a redução da área plantada e as condições climáticas adversas devem diminuir a produção de beterraba açucareira.

Na Tailândia, as previsões também indicam menor produção de açúcar. Já na Índia, chuvas abaixo da média e preocupações associadas ao fortalecimento do El Niño aumentam as incertezas sobre o desempenho da safra.

Esse conjunto de riscos sustenta a expectativa de menor disponibilidade global e ajuda a explicar a reação dos contratos futuros em Nova York.

Mercado acompanha impacto das chuvas sobre a safra brasileira

O noticiário de mercado que acompanhou a alta na ICE apontou queda de 41,6% na produção brasileira de açúcar na primeira quinzena de setembro, atribuída ao excesso de chuvas.

A possibilidade de novas precipitações em outubro reforçou o receio de que o volume produzido fique abaixo das estimativas iniciais.

Para o mercado brasileiro, o ponto central nas próximas semanas será a capacidade de retomada da colheita e da moagem. Enquanto as condições climáticas limitarem as operações e o rendimento açucareiro, a disponibilidade do produto tende a continuar pressionada, conforme a avaliação do Cepea.

Fonte: Portal do Agronegócio

◄ Leia outras notícias