PIB do agronegócio recua 2% no primeiro trimestre de 2026 após forte crescimento em 2025
Setor agropecuário brasileiro mantém participação estratégica na economia, mas enfrenta pressão de preços, redução do valor da produção e ajustes nos segmentos de insumos, indústria e serviços.
Publicado em: 10/08/2026 às 10:50hs
Após registrar forte expansão superior a 12% em 2025, o PIB do agronegócio brasileiro apresentou retração de 2,01% no primeiro trimestre de 2026, segundo levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).
O resultado reflete uma mudança no ritmo de crescimento do setor, influenciada principalmente pela queda dos preços agropecuários, que superou os ganhos esperados de produção em diferentes cadeias agrícolas e pecuárias.
De acordo com os dados consolidados entre janeiro e março, o PIB do agronegócio está estimado em R$ 3,13 trilhões, sendo R$ 1,88 trilhão relacionado ao ramo agrícola e R$ 1,25 trilhão ao segmento pecuário.
Com esse desempenho, a participação do agronegócio na economia brasileira foi estimada em 22,8% do PIB nacional em 2026, abaixo dos 25,2% registrados em 2025.
Agronegócio encerra ciclo de alta e entra em fase de ajuste
Segundo pesquisadores do Cepea/CNA, a retração registrada no primeiro trimestre mantém a tendência iniciada no quarto trimestre de 2025, quando o PIB do setor já havia apresentado queda em relação ao trimestre anterior.
O movimento interrompeu a sequência de crescimento observada até o terceiro trimestre de 2025, período em que o agronegócio acumulou resultados positivos e garantiu um avanço expressivo no fechamento anual.
Apesar da desaceleração recente, o desempenho acumulado em 2025 permaneceu positivo, sustentado pelo bom desempenho das principais cadeias produtivas nos primeiros meses do ano.
Todos os segmentos do agro registram queda no início de 2026
O recuo do PIB agropecuário no primeiro trimestre atingiu todos os segmentos avaliados pelo Cepea/CNA.
O maior impacto ocorreu no segmento primário, que reúne produtores rurais e atividades de produção agrícola e pecuária, com retração de 4,15%.
Na sequência, os demais segmentos apresentaram os seguintes resultados:
- Insumos: queda de 2,15%;
- Agrosserviços: retração de 1,25%;
- Agroindústria: redução de 1,03%.
Segundo os pesquisadores, o desempenho negativo está relacionado principalmente à expectativa de menor valor bruto da produção em 2026, provocado pela pressão sobre os preços das commodities e produtos agropecuários.
Preços pressionam resultado do campo
O principal fator responsável pela queda do PIB do agronegócio foi a redução dos preços em diversas cadeias produtivas.
Embora algumas atividades tenham apresentado expectativa de aumento da produção, esse crescimento não foi suficiente para compensar a desvalorização dos produtos no mercado.
O cenário afetou diretamente a rentabilidade dos produtores e reduziu o desempenho do segmento primário, considerado um dos principais motores da economia do agronegócio brasileiro.
Agroindústria tem comportamentos diferentes entre setores
Dentro da indústria ligada ao agronegócio, os resultados foram distintos entre os segmentos agrícola e pecuário.
As agroindústrias de base agrícola apresentaram retração, pressionadas por margens menores e ajustes na atividade produtiva.
Já as agroindústrias de base pecuária registraram avanço, favorecidas pela redução mais intensa dos custos com consumo intermediário e pelo desempenho positivo de algumas cadeias de proteína animal.
Serviços ligados ao agro acompanham desempenho das cadeias produtivas
O segmento de agrosserviços também apresentou queda no trimestre, influenciado principalmente pelo desempenho dos setores localizados antes da porteira, como produção e fornecimento de insumos.
No entanto, dentro do ramo pecuário, os serviços associados apresentaram crescimento, impulsionados pela expectativa de maior produção e pela demanda por transporte, comércio, armazenagem e demais atividades relacionadas à cadeia produtiva.
Perspectivas para o agronegócio em 2026
O resultado do primeiro trimestre indica um período de ajustes para o agronegócio brasileiro após um ciclo de forte expansão em 2025.
Mesmo com a retração registrada no início do ano, o setor permanece como um dos principais pilares da economia nacional, sustentado pela relevância das exportações, pela geração de empregos e pela capacidade produtiva das cadeias agrícolas e pecuárias.
A evolução do PIB agropecuário ao longo de 2026 dependerá do comportamento dos preços internacionais, da demanda global por alimentos, dos custos de produção e do desempenho das principais safras brasileiras.
Fonte: Portal do Agronegócio
◄ Leia outras notícias