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Brasil

Governo reduz projeção do PIB para 2% em 2026, mas eleva estimativa para a agropecuária

Ministério da Fazenda prevê crescimento de 2,8% para o setor agropecuário; juros elevados pesam sobre serviços e indústria, enquanto o El Niño entra no radar da inflação de 2027


Publicado em: 24/09/2026 às 11:00hs

Governo reduz projeção do PIB para 2% em 2026, mas eleva estimativa para a agropecuária

O Ministério da Fazenda reduziu de 2,3% para 2% a previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2026. Para 2027, a estimativa passou de 2,5% para 2,3%. Os números constam do Boletim Macrofiscal divulgado pela Secretaria de Política Econômica (SPE) na terça-feira (22).

A revisão reflete a expectativa de menor avanço dos serviços e da indústria, setores mais expostos aos efeitos dos juros elevados sobre o crédito e a demanda. A projeção para a agropecuária melhorou, mas não foi suficiente para compensar integralmente a perda de ritmo das demais atividades.

Agropecuária ganha força na projeção do PIB de 2026

A Fazenda elevou de 1,8% para 2,8% a estimativa de crescimento da agropecuária neste ano. Em sentido oposto, reduziu a previsão para os serviços de 2,4% para 1,8% e a da indústria de 2,1% para 1,7%.

Nos serviços, a SPE aponta um desempenho mais fraco no primeiro semestre e a transmissão gradual dos efeitos da política monetária para o consumo. O comprometimento da renda das famílias com o pagamento de dívidas também limita a capacidade de transformar ganhos de rendimento em novas compras.

Previsão de inflação cai para 4,9% em 2026

A projeção do governo para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2026 recuou de 5,1% para 4,9%. Mesmo após a revisão, o índice previsto permanece acima do limite superior de 4,5% da meta de inflação.

Segundo a SPE, contribuíram para a mudança os resultados de inflação abaixo do esperado até julho, especialmente nos alimentos consumidos em casa. A secretaria também considera a melhora das expectativas e o efeito dos juros restritivos sobre a atividade econômica.

El Niño pode pressionar alimentos em 2027

Para 2027, a Fazenda reduziu a previsão de crescimento do PIB para 2,3% e elevou a estimativa de inflação de 3,6% para 3,8%.

O risco climático está entre as razões para a revisão do IPCA. A SPE avalia que um El Niño mais intenso pode afetar a produção de grãos e, em seguida, pressionar os preços de outros alimentos, incluindo as carnes. Trata-se de um risco para o cenário projetado, cuja intensidade dependerá dos efeitos do fenômeno sobre a produção.

Juros, crédito e petróleo seguem no radar

A equipe econômica espera que a redução da Selic iniciada em 2026 alcance gradualmente o crédito, o consumo e os investimentos. Construção, indústria de transformação e serviços mais sensíveis à demanda doméstica tendem a responder à queda do custo de financiamento ao longo do tempo.

O boletim também aponta incertezas ligadas ao preço do petróleo, aos conflitos internacionais, às condições de crédito e ao desempenho das exportações. As novas projeções servirão de referência para a atualização dos parâmetros do Orçamento da União e para o Relatório Bimestral de Avaliação de Receitas e Despesas, previsto para quinta-feira (24).

Fonte: Portal do Agronegócio

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