Economia brasileira dá sinais mistos em 2026: atividade resiste, mas consumo desacelera e riscos externos aumentam
Relatório aponta crescimento moderado do IBC-Br, enfraquecimento do varejo e dos serviços, além de impactos das tensões geopolíticas e da inflação sobre a economia brasileira
Publicado em: 22/07/2026 às 10:50hs
A economia brasileira segue apresentando sinais contraditórios de recuperação em 2026. Enquanto a atividade econômica manteve leve crescimento em maio, indicadores de consumo e serviços mostram perda de fôlego, reforçando a expectativa de desaceleração gradual ao longo do ano.
A avaliação faz parte do relatório "Sinais Mistos de Atividade Econômica", divulgado pelo RaboResearch, que destaca um cenário marcado por juros elevados, inflação ainda pressionada, conflitos geopolíticos e maior cautela entre consumidores e investidores.
IBC-Br indica crescimento, mas ritmo da economia perde força
O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), considerado uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB), registrou alta de 0,1% em maio, superando as expectativas do mercado, que projetavam retração.
Apesar do resultado positivo, os economistas avaliam que o avanço foi modesto e insuficiente para alterar a perspectiva de crescimento mais fraco da economia brasileira nos próximos meses.
Segundo o relatório, a projeção permanece de um crescimento de 1,8% para o PIB em 2026, refletindo um ambiente econômico ainda desafiador.
Indústria avança, agro recua e serviços mostram estabilidade
Na abertura dos setores econômicos, a indústria apresentou o melhor desempenho em maio, enquanto os serviços registraram crescimento moderado.
Já a agropecuária apresentou retração no mês, embora continue acumulando desempenho positivo na comparação anual.
O levantamento mostra que:
- IBC-Br: +0,1% em maio;
- Indústria: +0,4%;
- Serviços: +0,1%;
- Agropecuária: -1,0%.
Inflação dos alimentos reduz ritmo das vendas no varejo
O consumo das famílias também apresentou perda de dinamismo.
As vendas do varejo restrito cresceram apenas 0,1% em maio, abaixo das expectativas do mercado, enquanto o varejo ampliado recuou 0,2%, refletindo principalmente o impacto da inflação dos alimentos sobre o orçamento das famílias.
Embora categorias como combustíveis, vestuário, móveis e veículos tenham apresentado recuperação, segmentos ligados à alimentação registraram retração.
Serviços interrompem recuperação e indicam perda de tração
Após avanço registrado em abril, o setor de serviços voltou a recuar em maio.
O volume de serviços caiu 0,4%, resultado inferior às projeções dos analistas e que reforça o cenário de desaceleração gradual da atividade econômica.
O relatório destaca que o mercado de trabalho ainda sustenta parte da demanda, mas a geração de empregos e o crescimento da renda começam a perder intensidade, limitando o avanço do setor.
Conflito entre EUA e Irã aumenta pressão sobre petróleo e inflação
Além dos fatores domésticos, o cenário internacional permanece como uma das principais fontes de preocupação.
As novas tensões entre Estados Unidos e Irã voltaram a pressionar o mercado internacional de petróleo, diante do risco de restrições à navegação no Estreito de Ormuz.
Como consequência, o barril do petróleo Brent voltou a se aproximar de US$ 90, elevando as preocupações com inflação global, custos logísticos e preços dos combustíveis.
Dólar pode voltar a R$ 5,35 até o fim de 2026
Na avaliação dos economistas do RaboResearch, o real deve enfrentar maior volatilidade nos próximos meses.
A expectativa é que a redução do diferencial entre os juros brasileiros e americanos, combinada às incertezas fiscais e ao cenário eleitoral, contribua para uma valorização do dólar.
A projeção da instituição aponta a moeda norte-americana em R$ 5,35 no encerramento de 2026.
Agronegócio continua como importante sustentação da economia
Mesmo diante da desaceleração da atividade interna, o relatório destaca que o setor agropecuário continua desempenhando papel estratégico na economia brasileira.
A demanda internacional por commodities agrícolas, aliada ao desempenho da balança comercial, segue oferecendo suporte ao crescimento econômico, embora fatores como clima, geopolítica, câmbio e custos de produção permaneçam no radar dos produtores.
Ao mesmo tempo, o ambiente macroeconômico exige maior atenção à evolução dos juros, da inflação e dos mercados internacionais, fatores que devem influenciar diretamente a rentabilidade do agronegócio nos próximos meses.
Fonte: Portal do Agronegócio
◄ Leia outras notícias