CNI eleva projeção da agropecuária para 2,5% e reduz crescimento do PIB brasileiro em 2026
Melhora na estimativa da segunda safra de milho favorece o setor, enquanto juros elevados, crédito restrito e custos pressionam a indústria e o consumo
Publicado em: 28/10/2026 às 19:40hs
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) elevou de 1,8% para 2,5% a projeção de crescimento da agropecuária brasileira em 2026, impulsionada principalmente pela revisão positiva da segunda safra de milho. Ao mesmo tempo, a entidade reduziu de 2% para 1,6% a estimativa de expansão do Produto Interno Bruto (PIB) do país.
As projeções constam no Informe Conjuntural do terceiro trimestre, concluído em 26 de outubro. Segundo a análise, o crescimento econômico está cada vez mais concentrado na agropecuária e na indústria extrativa, enquanto atividades dependentes do crédito e da demanda interna perdem força.
A CNI aponta juros elevados, endividamento de famílias e empresas, pressão de custos e concorrência de produtos importados entre os fatores que limitam a atividade.
Segunda safra de milho melhora perspectiva para a agropecuária
A revisão das estimativas agrícolas foi decisiva para a melhora da projeção do setor. Conforme dados do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), do IBGE, citados no relatório, a produção de cereais, leguminosas e oleaginosas deve alcançar 354,5 milhões de toneladas em 2026.
O volume representa crescimento de 2,4% em relação a 2025, equivalente a 8,4 milhões de toneladas adicionais. Em junho, a previsão era de 347,4 milhões de toneladas.
A principal contribuição veio da segunda safra de milho, cuja estimativa passou de 106,8 milhões para 113,6 milhões de toneladas entre os levantamentos de junho e setembro.
O desempenho da produção animal também contribui para a perspectiva positiva. O informe cita projeção da Conab de aumento de 2% na produção total de carnes em 2026, apesar da expectativa de leve redução do rebanho bovino.
Produção cresce, mas custos limitam margens no campo
O avanço da produção não significa melhora automática da rentabilidade dos produtores. Segundo a CNI, os custos dos insumos, especialmente dos fertilizantes, permanecem elevados em meio aos efeitos do conflito no Oriente Médio.
O encarecimento dos fretes também pressiona a atividade, tanto na compra dos insumos quanto na logística da produção.
No segundo trimestre de 2026, o PIB da agropecuária cresceu 2,8% frente ao trimestre anterior e 6,8% em relação ao mesmo período de 2025. No primeiro semestre, o setor acumulou expansão de 3,6%, conforme os dados apresentados no documento.
Indústria de transformação deve encerrar o ano em queda
A perspectiva para a indústria de transformação se deteriorou. A CNI substituiu a previsão de crescimento de 0,6% por uma estimativa de retração de 0,7% em 2026.
A entidade relaciona a revisão à demanda interna mais fraca, às dificuldades financeiras de empresas e consumidores, à pressão dos custos de produção e à entrada de produtos importados.
Para a indústria como um todo, a projeção de crescimento caiu de 2,1% para 1,3%. A indústria extrativa permanece como principal sustentação, com expansão estimada em 9,1%, apoiada pela produção de petróleo.
Na construção, a previsão foi mantida em 1,5%, com suporte de programas habitacionais e investimentos em infraestrutura.
Consumo e investimentos perdem força
A desaceleração também aparece nas perspectivas para os serviços, o consumo das famílias e os investimentos.
A estimativa de crescimento dos serviços foi reduzida de 1,9% para 1,6%. Para o consumo das famílias, a projeção passou de 2% para 1,3%. Já a formação bruta de capital fixo, indicador dos investimentos, deve avançar apenas 0,6% no ano.
O mercado de trabalho ainda ajuda a sustentar a demanda. A CNI prevê aumento de 4,5% da massa de rendimento real e taxa de desemprego de 5% no fim de 2026. Entretanto, o comprometimento da renda e a inadimplência limitam a capacidade de recuperação do consumo.
Juros e inflação continuam no centro das preocupações
A CNI projeta que a inflação medida pelo IPCA encerre 2026 em 5,15%, acima do limite superior da meta, de 4,5%.
Para a Selic, a entidade prevê taxa de 13,25% ao ano no encerramento de 2026. Mesmo com os cortes esperados, a avaliação é de que a política monetária continuará restringindo a atividade econômica.
No crédito, a expansão das concessões não representa necessariamente melhores condições para investir. Segundo o informe, parte do aumento está concentrada em linhas de curto prazo e custo elevado, refletindo a necessidade das empresas de financiar o caixa.
Exportações agropecuárias avançam e ajudam as contas externas
As exportações da agropecuária somaram US$ 64,8 bilhões entre janeiro e setembro de 2026, alta de 8,9% na comparação anual, conforme os dados de comércio exterior apresentados pela CNI. O volume exportado cresceu 4,1%, enquanto os preços avançaram 4,2%.
Para o conjunto da economia, a entidade estima exportações de US$ 386,7 bilhões e importações de US$ 309,4 bilhões em 2026, resultando em superávit comercial de US$ 77,3 bilhões.
Na avaliação da CNI, o desempenho das commodities agrícolas e da produção de petróleo sustenta o crescimento e contribui para as contas externas, enquanto os setores mais dependentes do mercado doméstico enfrentam maiores dificuldades para avançar.
Fonte: Portal do Agronegócio
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