Balança comercial do Brasil registra superávit de US$ 6,54 bilhões em julho; soja, algodão e carnes lideram exportações
Agronegócio impulsiona resultado positivo da balança comercial brasileira, enquanto exportações crescem quase 10% e superávit acumula alta de 36,2% em 2026
Publicado em: 31/07/2026 às 10:50hs
O agronegócio brasileiro voltou a desempenhar papel decisivo no comércio exterior do país. Dados divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) mostram que a balança comercial brasileira alcançou superávit de US$ 6,54 bilhões até a quarta semana de julho de 2026, resultado impulsionado principalmente pelo forte desempenho das exportações de soja, algodão, carnes de aves e derivados da soja.
Na comparação com o mesmo período de julho de 2025, as exportações cresceram 9,7%, totalizando US$ 27,59 bilhões, enquanto as importações avançaram 7%, chegando a US$ 21,05 bilhões. Com isso, o saldo comercial aumentou 19,4%, e a corrente de comércio atingiu US$ 48,63 bilhões, alta de 8,5%.
Superávit comercial acumula quase US$ 49 bilhões em 2026
No acumulado de janeiro até a quarta semana de julho, o desempenho do comércio exterior brasileiro permanece robusto.
Os números do MDIC mostram que:
- Exportações: US$ 212,36 bilhões (+11,2%);
- Importações: US$ 163,46 bilhões (+5,4%);
- Superávit comercial: US$ 48,90 bilhões (+36,2%);
- Corrente de comércio: US$ 375,82 bilhões (+8,6%).
O resultado reforça a competitividade dos produtos brasileiros no mercado internacional e confirma a importância do agronegócio como principal gerador de divisas para a economia nacional.
Agronegócio lidera crescimento das exportações brasileiras
Entre os grandes setores da economia, a agropecuária apresentou um dos melhores desempenhos, registrando crescimento de 14,3% nas exportações em julho, com embarques de US$ 6,40 bilhões.
Também contribuíram para o avanço das vendas externas:
- Indústria extrativa: US$ 6,48 bilhões (+11,4%);
- Indústria de transformação: US$ 14,50 bilhões (+6,4%).
A combinação desses segmentos sustentou a expansão das exportações brasileiras ao longo do mês.
Soja, algodão e carnes puxam alta das vendas externas
O desempenho do agronegócio foi impulsionado principalmente pelo crescimento das exportações de produtos estratégicos para a pauta brasileira.
Entre os destaques da agropecuária estão:
- Soja: alta de 24,6%;
- Algodão em bruto: crescimento de 33,9%;
- Produtos hortícolas frescos ou refrigerados: avanço de 18,3%.
Na indústria de transformação ligada ao agro, os principais destaques foram:
- Carnes de aves e miudezas comestíveis: +43,4%;
- Farelo de soja e alimentos para animais: +42,3%;
- Óleos combustíveis de petróleo: +73,6%.
Já na indústria extrativa, cresceram significativamente as exportações de:
- Minérios de níquel (+88%);
- Outros minérios metálicos (+85,5%);
- Óleos brutos de petróleo (+31,4%).
Café, milho e açúcar registram retração nas exportações
Apesar do desempenho positivo da balança comercial, alguns importantes produtos apresentaram queda nos embarques.
Na agropecuária, recuaram as exportações de:
- Milho: -20,7%;
- Café não torrado: -20,4%;
- Frutas e nozes frescas: -4,6%.
Na indústria extrativa, diminuíram as vendas de:
- Minério de ferro (-10,5%);
- Minério de cobre (-29,5%);
- Pedra, areia e cascalho (-14,3%).
Na indústria de transformação também houve retração em produtos relevantes, como:
- Açúcares e melaços (-19,9%);
- Automóveis de passageiros (-33,8%);
- Aeronaves e equipamentos aeronáuticos (-49,8%).
Importações crescem puxadas por tecnologia, petróleo e insumos
As importações brasileiras também apresentaram expansão em julho, principalmente devido ao aumento das compras da indústria de transformação e da indústria extrativa.
Entre os produtos com maior crescimento destacam-se:
- Agropecuária
- Produtos hortícolas frescos (+57%);
- Pescados (+11,6%);
- Cevada (+11,2%).
- Indústria extrativa
- Outros minérios metálicos (+113,9%);
- Petróleo bruto (+34,5%);
- Gás natural (+23%).
- Indústria de transformação
- Máquinas para processamento de dados (+230,2%);
- Óleos combustíveis (+38,6%);
- Componentes eletrônicos, válvulas, diodos e transistores (+52,4%).
Fertilizantes, defensivos e soja registram queda nas compras externas
Entre os produtos que apresentaram retração nas importações brasileiras estão importantes insumos utilizados pelo agronegócio.
Os principais recuos foram:
- Soja: -55,6%;
- Trigo e centeio: -5,8%;
- Látex e borracha natural: -42,9%;
- Fertilizantes brutos: -8%;
- Inseticidas, fungicidas e herbicidas: -16,6%.
Também diminuíram as importações de motores industriais, plataformas marítimas e embarcações.
Agronegócio segue como principal motor do comércio exterior brasileiro
Os resultados divulgados pelo MDIC reforçam a importância do agronegócio para a economia brasileira. Mesmo em um cenário internacional marcado por volatilidade nos mercados, oscilações cambiais e desafios logísticos, produtos como soja, algodão, carnes e derivados do complexo soja continuam sustentando o crescimento das exportações e contribuindo decisivamente para o saldo positivo da balança comercial.
Para os próximos meses, o desempenho do comércio exterior deverá seguir condicionado ao comportamento da demanda internacional, às condições climáticas nas principais regiões produtoras do mundo, à evolução dos preços das commodities e ao câmbio, fatores que continuarão influenciando a competitividade dos produtos brasileiros no mercado global.
Fonte: Portal do Agronegócio
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