Publicidade
Setor Sucroalcooleiro

Produção de açúcar no Centro-Sul cai 27,1% em outubro com chuvas e moagem de cana desacelerada

Usinas processaram 27,3 milhões de toneladas de cana na primeira quinzena de outubro; fabricação de etanol recuou 26,1%, enquanto estoques do biocombustível diminuíram 10,3% em um ano.


Publicado em: 05/11/2026 às 17:00hs

Produção de açúcar no Centro-Sul cai 27,1% em outubro com chuvas e moagem de cana desacelerada

A produção de açúcar e etanol no Centro-Sul do Brasil registrou forte retração na primeira quinzena de outubro de 2026. As chuvas que atingiram as principais regiões produtoras prejudicaram as operações de colheita e moagem da cana-de-açúcar, reduzindo o ritmo de processamento das usinas e o volume de fabricação dos derivados.

Dados divulgados pelo Ministério da Agricultura mostram que a produção de açúcar somou 1,87 milhão de toneladas entre 1º e 15 de outubro, queda de 27,1% em relação ao mesmo intervalo de 2025.

No período, a moagem de cana-de-açúcar alcançou 27,3 milhões de toneladas, recuo de 21,3% na comparação anual. Os resultados ficaram abaixo das expectativas do mercado, indicando os efeitos das condições climáticas sobre o andamento da safra 2026/27.

Chuvas reduzem moagem e produção de açúcar no Centro-Sul

O excesso de precipitações comprometeu o acesso às áreas de cultivo e dificultou o avanço das operações de colheita e transporte da matéria-prima até as unidades industriais.

Levantamento da Platts, elaborado com base nas estimativas de 11 analistas, projetava moagem de 28,48 milhões de toneladas na primeira metade de outubro. Para a produção de açúcar, a expectativa era de aproximadamente 2 milhões de toneladas.

O volume efetivamente processado ficou abaixo das duas projeções.

Segundo a estimativa da Platts, as chuvas provocaram a perda do equivalente a 5,6 dias de moagem no Centro-Sul durante a primeira quinzena do mês.

As precipitações, associadas ao fenômeno climático El Niño, também vêm influenciando o desempenho acumulado da safra, limitando o processamento da cana e a oferta de açúcar.

Produção acumulada de açúcar recua 14,6% na safra 2026/27

Considerando o início da temporada, em abril, até 15 de outubro, a fabricação de açúcar no Centro-Sul totalizou 30,8 milhões de toneladas.

O resultado representa uma redução de 14,6% em relação ao mesmo período da safra anterior.

A moagem acumulada de cana-de-açúcar atingiu 509,7 milhões de toneladas, queda de 2,9% na comparação anual.

Os números mostram que as dificuldades climáticas continuam afetando o desempenho industrial do setor sucroenergético, especialmente na produção de açúcar.

Fabricação de etanol também apresenta queda na primeira quinzena

A produção de etanol, considerando o combustível produzido a partir de cana-de-açúcar e milho, somou 1,53 bilhão de litros na primeira metade de outubro.

O volume representa retração de 26,1% em relação ao mesmo período do ano passado e também ficou abaixo da projeção da Platts, que estimava produção de 1,69 bilhão de litros.

Apesar da queda registrada na primeira quinzena, o resultado acumulado da temporada apresenta comportamento diferente.

Desde abril até 15 de outubro, a fabricação de etanol alcançou 26,4 bilhões de litros, crescimento de 4,3% em relação à temporada anterior.

O avanço é sustentado, principalmente, pela expansão da produção nas usinas de milho, que vem compensando parcialmente a redução da moagem de cana-de-açúcar.

Usinas aumentam direcionamento da cana para produção de açúcar

Outro movimento importante observado nesta safra envolve a estratégia industrial das usinas na definição do mix de produção.

De acordo com especialistas, as unidades começaram a temporada destinando uma parcela maior da cana para a fabricação de etanol. Entretanto, a valorização dos preços internacionais do açúcar incentivou uma mudança de estratégia, com maior direcionamento da matéria-prima para a produção do adoçante.

Essa decisão influencia diretamente a disponibilidade de açúcar e etanol no mercado, uma vez que as usinas precisam equilibrar a rentabilidade dos dois produtos conforme as condições comerciais.

A alteração do mix, porém, ocorre em um cenário de menor disponibilidade de cana processada, devido às dificuldades provocadas pelas chuvas.

Estoques de etanol caem 10,3% e indicam mercado aquecido

Além da redução da produção na primeira quinzena de outubro, o setor também registra diminuição dos estoques disponíveis de etanol no Centro-Sul.

Em 15 de outubro, os volumes armazenados de etanol anidro e hidratado totalizavam 7,341 bilhões de litros, queda de 10,3% em relação à mesma data de 2025.

A redução está associada ao aquecimento das vendas do biocombustível.

O etanol anidro, utilizado na mistura obrigatória à gasolina, apresentava estoques de 2,68 bilhões de litros, recuo de 19,7% na comparação anual.

Já o etanol hidratado, comercializado diretamente nos postos para abastecimento de veículos flex, somava 4,66 bilhões de litros, volume 3,7% inferior ao registrado em 15 de outubro do ano passado.

Clima, preços e demanda influenciam o mercado sucroenergético

O cenário da safra 2026/27 reúne fatores que exigem atenção das usinas e dos agentes do mercado.

De um lado, as chuvas reduzem o ritmo de colheita e moagem, pressionando a produção de açúcar e etanol de cana. De outro, a valorização do açúcar influencia as decisões industriais, enquanto a expansão das usinas de milho sustenta o crescimento da oferta acumulada de etanol.

A redução dos estoques do biocombustível também reforça a importância do comportamento das vendas e da capacidade de reposição da oferta nos próximos meses.

Com a evolução das condições climáticas e do ritmo de processamento da cana, o desempenho das usinas do Centro-Sul continuará sendo determinante para a disponibilidade de açúcar e etanol no mercado brasileiro e internacional.

Fonte: Portal do Agronegócio

◄ Leia outras notícias