Exportações de açúcar: line-up prevê 2,57 milhões de toneladas nos portos brasileiros
Programação de embarques cresce 36,8% em uma semana, enquanto exportações de açúcar acumulam 720,8 mil toneladas em agosto e registram queda na receita e no preço médio
Publicado em: 14/08/2026 às 17:00hs
O line-up de navios para exportação de açúcar nos portos brasileiros aponta para um forte aumento no volume programado de embarques. Na semana encerrada em 12 de agosto, havia 57 navios aguardando operações, com previsão de carregamento de 2,577 milhões de toneladas de açúcar.
O volume representa avanço de aproximadamente 36,8% em relação às 1,883 milhão de toneladas previstas na semana anterior, sinalizando uma programação robusta de embarques para as próximas semanas.
Os dados consideram embarcações já atracadas, navios fundeados aguardando espaço e aqueles com previsão de chegada aos portos brasileiros até 27 de setembro.
Porto de Santos concentra maior parte dos embarques
O Porto de Santos (SP) permanece como principal corredor de exportação do açúcar brasileiro.
Do total programado, 2,071 milhões de toneladas devem ser embarcadas pelo complexo portuário paulista.
Na sequência aparecem:
- Paranaguá (PR): 465.355 toneladas;
- Maceió (AL): 15.000 toneladas;
- Suape (PE): 12.000 toneladas;
- Recife (PE): 7.000 toneladas;
- Santana (AP): 7.000 toneladas.
A concentração dos embarques em Santos reforça a importância do complexo portuário para o escoamento da produção das principais regiões canavieiras do Centro-Sul brasileiro.
Açúcar VHP domina programação de exportação
A maior parte da carga prevista no line-up corresponde ao açúcar VHP (Very High Polarization), variedade predominante nas exportações brasileiras destinadas ao mercado internacional.
Do total programado:
- Açúcar VHP: 2.307.494 toneladas;
- Cristal B-150: 224.000 toneladas;
- Refinado A45: 46.000 toneladas.
O predomínio do VHP evidencia a forte participação do açúcar brasileiro destinado ao processamento e à produção de derivados em mercados compradores.
Exportações de açúcar somam 720,8 mil toneladas em agosto
Apesar do aumento na programação de embarques, os dados efetivamente realizados no início de agosto mostram um ritmo inferior ao registrado no mesmo período do ano passado.
Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), o Brasil exportou 720.783 toneladas de açúcar e outros melaços nos cinco primeiros dias úteis de agosto.
A receita alcançou US$ 237,606 milhões, enquanto o preço médio ficou em US$ 329,70 por tonelada.
A média diária foi de aproximadamente 144,156 mil toneladas e US$ 47,521 milhões em receita.
Receita das exportações cai 32,9%
Na comparação com a média diária registrada em agosto de 2025, o desempenho atual apresenta retração significativa.
A receita média diária caiu 32,9%, passando de US$ 70,784 milhões em agosto do ano passado para US$ 47,521 milhões neste início de agosto.
O movimento ocorre em meio à combinação de menor volume médio exportado e preços internacionais mais baixos.
Em volume, a média diária recuou 18,6%, de 177,182 mil toneladas para 144,156 mil toneladas.
Já o preço médio da tonelada caiu 17,5%, de US$ 399,50 para US$ 329,70.
Mercado internacional monitora oferta brasileira
O aumento da programação de embarques ocorre em um momento importante para o mercado global de açúcar.
O Brasil permanece como um dos principais fornecedores mundiais da commodity e tem papel decisivo na formação das expectativas de oferta internacional.
O volume de 2,577 milhões de toneladas programado nos portos brasileiros indica que uma parcela significativa da produção está sendo direcionada ao mercado externo.
Ao mesmo tempo, a queda do preço médio das exportações mostra que o crescimento da movimentação portuária não necessariamente representa aumento proporcional da receita.
Maior line-up indica fluxo robusto para as próximas semanas
O crescimento de quase 37% no volume programado em apenas uma semana chama atenção do mercado.
A diferença entre o line-up e os embarques já realizados também sugere que uma quantidade expressiva de açúcar deverá ser movimentada pelos portos brasileiros ao longo das próximas semanas.
Esse fluxo será importante para a formação dos preços internos, para o mercado futuro e para as estratégias de comercialização das usinas.
Açúcar brasileiro mantém protagonismo nas exportações
A elevada programação de embarques confirma a relevância do Brasil no comércio internacional de açúcar.
A capacidade logística, a escala de produção e a concentração das exportações em grandes complexos portuários permitem ao país atender diferentes destinos internacionais mesmo em períodos de maior volatilidade nos preços.
Para as usinas, o cenário exige atenção à relação entre preços internacionais, câmbio, custos logísticos e remuneração do açúcar no mercado externo.
Quando o preço internacional recua, a valorização do dólar pode ajudar a compensar parte da perda de receita em moeda estrangeira. O contrário também ocorre quando o real se fortalece.
Perspectivas para o mercado de açúcar
O mercado entra nas próximas semanas com uma programação de exportações bastante elevada, mas com indicadores de receita e preço médio inferiores aos registrados um ano antes.
O line-up de 2,577 milhões de toneladas reforça a expectativa de movimentação intensa nos portos brasileiros, especialmente em Santos e Paranaguá.
Ao mesmo tempo, a queda de 32,9% na receita média diária, de 18,6% no volume médio diário e de 17,5% no preço médio evidencia um cenário internacional menos remunerador para o açúcar brasileiro no início de agosto.
Para o setor sucroenergético, o comportamento das cotações internacionais, do dólar e do ritmo dos embarques será determinante para definir a rentabilidade das exportações.
Mercado de açúcar em foco
Com 57 navios na programação e 2,577 milhões de toneladas previstas para embarque, o Brasil mantém um fluxo expressivo de açúcar rumo ao mercado internacional.
A combinação entre grande disponibilidade de produto, forte capacidade exportadora e preços internacionais mais baixos será um dos principais pontos de atenção para usinas, tradings e produtores nas próximas semanas.
O avanço do line-up confirma que o açúcar brasileiro seguirá com forte presença no comércio internacional, enquanto a queda dos preços médios e da receita exige maior atenção às margens de exportação.
Fonte: Portal do Agronegócio
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