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Açúcar sobe nas bolsas internacionais com risco de déficit global e impacto do El Niño; mercado brasileiro acompanha cenário climático

Preços internacionais avançam diante da expectativa de oferta mais apertada, enquanto o mercado brasileiro monitora os efeitos do El Niño sobre a safra de cana e a produção de açúcar e etanol.


Publicado em: 04/08/2026 às 11:20hs

Açúcar sobe nas bolsas internacionais com risco de déficit global e impacto do El Niño; mercado brasileiro acompanha cenário climático

O mercado global de açúcar iniciou agosto em um ambiente de maior cautela, impulsionado pela perspectiva de déficit na oferta mundial, incertezas climáticas em importantes regiões produtoras e fortalecimento das cotações nas bolsas internacionais. Ao mesmo tempo, o mercado brasileiro acompanha os impactos do fenômeno El Niño sobre a produção de cana-de-açúcar, fator que poderá influenciar tanto a colheita quanto a qualidade da matéria-prima ao longo dos próximos meses.

Enquanto os contratos futuros avançaram nas bolsas de Nova York e Londres, o mercado físico brasileiro apresentou comportamento mais moderado, refletindo a maior disponibilidade de produto e negociações pontuais entre compradores e vendedores.

Açúcar registra valorização nas bolsas de Nova York e Londres

Os contratos futuros do açúcar bruto encerraram o pregão na ICE Futures US em alta, sustentados pela crescente preocupação com a oferta global.

O contrato com vencimento em outubro de 2026 fechou cotado a 15,01 centavos de dólar por libra-peso, avanço de 0,35 centavo (2,4%) sobre o fechamento anterior. Já o contrato março de 2027 encerrou o dia em 15,91 centavos de dólar por libra-peso, também registrando valorização.

Na ICE Futures Europe, o açúcar branco acompanhou o movimento positivo. O contrato outubro de 2026 subiu US$ 7,90, encerrando a sessão em US$ 469,50 por tonelada. Os vencimentos dezembro de 2026 e março de 2027 também apresentaram ganhos, refletindo um mercado mais otimista diante das perspectivas para a oferta global.

Déficit mundial pode sustentar preços até o fim do ano

O principal fator de sustentação das cotações continua sendo a expectativa de um déficit na oferta mundial de açúcar.

Levantamento da Reuters aponta que os contratos futuros podem encerrar 2026 aproximadamente 4% acima dos níveis atuais, diante da perspectiva de menor disponibilidade global da commodity.

O cenário é reforçado pelas preocupações climáticas em grandes produtores mundiais, especialmente na Índia, segundo maior produtor de açúcar do planeta.

Monções abaixo da média elevam preocupação com safra da Índia

O mercado internacional acompanha atentamente as previsões meteorológicas para a Índia.

Embora julho tenha registrado precipitações próximas da média histórica, o departamento nacional de meteorologia do país projeta chuvas abaixo da média entre agosto e setembro, período considerado estratégico para o desenvolvimento da cana-de-açúcar.

A possibilidade de menor volume de chuvas aumenta as incertezas sobre a produtividade da safra indiana, fortalecendo o sentimento de cautela entre investidores e operadores das bolsas internacionais.

El Niño ganha força e pode alterar produção brasileira

Além da situação climática na Ásia, o fenômeno El Niño permanece como um dos principais fatores monitorados pelo mercado.

A Organização Meteorológica Mundial (OMM) informou que o evento climático deverá continuar se intensificando, com expectativa de atingir seu pico entre agosto e outubro de 2026.

No Centro-Sul do Brasil, as projeções indicam maior frequência de chuvas durante o segundo semestre, condição que tende a favorecer o desenvolvimento dos canaviais. Entretanto, especialistas alertam que o excesso de precipitações poderá dificultar o ritmo da colheita e reduzir o avanço do ATR (Açúcar Total Recuperável), indicador fundamental para a produção de açúcar e etanol.

Esse cenário mantém elevada a atenção do setor sucroenergético, já que alterações climáticas podem modificar tanto o rendimento industrial quanto a oferta da matéria-prima.

Mercado físico brasileiro mantém liquidez limitada

No mercado interno, o comportamento dos preços continua marcado pela seletividade dos compradores.

Levantamentos do Cepea mostram que as negociações seguem com liquidez restrita, enquanto usinas e compradores realizam operações pontuais conforme a necessidade de abastecimento.

Após oscilações recentes, o açúcar cristal branco em São Paulo apresentou movimentações moderadas, refletindo o equilíbrio entre a disponibilidade do produto e a cautela dos agentes diante do cenário climático e internacional.

Etanol inicia agosto com leve recuperação

No segmento de biocombustíveis, o mercado apresentou desempenho positivo.

O Indicador Diário de Paulínia registrou o etanol hidratado em R$ 2.132,00 por metro cúbico, com leve alta no início de agosto, sinalizando recuperação após as perdas observadas durante julho.

Embora discreto, o movimento reforça a expectativa de estabilidade para o mercado de combustíveis renováveis, que também acompanha o comportamento da moagem da cana e a destinação da matéria-prima entre açúcar e etanol.

Mercado segue atento ao clima e à oferta global

Especialistas destacam que o comportamento dos preços continuará fortemente influenciado pelas condições climáticas nos principais países produtores.

Além do Brasil, Índia e Tailândia permanecem no radar dos investidores devido aos possíveis impactos do El Niño sobre a produção agrícola.

Caso se confirmem perdas de produtividade ou redução da oferta global, as cotações internacionais poderão encontrar sustentação adicional nos próximos meses. Por outro lado, uma evolução favorável das condições climáticas poderá aliviar parte das preocupações do mercado.

Diante desse cenário, clima, oferta mundial, ritmo da colheita brasileira e demanda internacional permanecem como os principais fatores que deverão direcionar o comportamento dos preços do açúcar e do etanol ao longo do segundo semestre de 2026.

Fonte: Portal do Agronegócio

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