Açúcar sobe em Nova York e Londres com chuvas no Brasil; cristal avança 7,31% em outubro
Menor produção no Centro-Sul e previsão de novas precipitações sustentam recuperação internacional, enquanto açúcar e etanol mantêm valorização no mercado paulista
Publicado em: 30/10/2026 às 11:10hs
Os preços do açúcar fecharam a quinta-feira (29) em alta nas bolsas de Nova York e Londres, sustentados pelas preocupações com a oferta brasileira. A redução da produção no Centro-Sul e a previsão de mais chuvas nas áreas de cana-de-açúcar favoreceram a recuperação das cotações, embora o mercado internacional ainda acumulasse perdas na semana.
No Brasil, o açúcar cristal branco manteve a trajetória de valorização e passou a acumular alta de 7,31% na parcial de outubro. O etanol hidratado também avançou, em um cenário de dificuldades operacionais para a colheita e a moagem de cana.
Açúcar bruto fecha a 19,47 cents em Nova York
Na ICE Futures U.S., o contrato de açúcar bruto com vencimento em março de 2027 encerrou o pregão a 19,47 centavos de dólar por libra-peso, ganho de 0,13 centavo, equivalente a 0,67%.
O vencimento maio de 2027 subiu 0,14 centavo, ou 0,74%, para 18,95 cents por libra-peso. Já julho de 2027 avançou 0,11 centavo e terminou a sessão a 18,53 cents por libra-peso.
Nos vencimentos mais distantes, o comportamento foi menos uniforme, com estabilidade e pequenos recuos em algumas posições.
Apesar da recuperação, os contratos ainda carregavam parte das perdas do início da semana. Na segunda-feira, o açúcar havia recuado 5,6%, em um movimento influenciado pela desvalorização do real, que aumenta a atratividade das vendas externas brasileiras quando convertidas para a moeda nacional.
Açúcar branco também avança em Londres
Na ICE Futures Europe, os principais contratos de açúcar branco acompanharam a valorização.
O vencimento dezembro de 2026 fechou a US$ 527,60 por tonelada, alta de US$ 1,90. O contrato março de 2027 avançou US$ 4,00, para US$ 542,70 por tonelada, enquanto maio de 2027 ganhou US$ 4,10, encerrando a US$ 547,60 por tonelada.
O movimento refletiu a atenção dos operadores à disponibilidade de açúcar brasileiro e aos riscos para a produção em outras origens.
Chuvas no Centro-Sul reforçam preocupação com a oferta
As precipitações nas regiões canavieiras brasileiras têm dificultado a colheita e o processamento da matéria-prima. A previsão de novas chuvas para o fim de semana e a semana seguinte ampliou a preocupação com a continuidade das operações.
Segundo dados atribuídos ao Ministério da Agricultura, a produção de açúcar no Centro-Sul somou 1,87 milhão de toneladas na primeira quinzena de outubro, queda de 27,1% em relação ao mesmo período do ano anterior.
A perspectiva de excesso de umidade, associada ao El Niño nas análises de mercado, acrescenta incerteza ao ritmo de produção. Como o Brasil tem papel central no abastecimento internacional, interrupções nas atividades das usinas repercutem sobre as expectativas de oferta e os preços futuros.
Europa e Índia também entram no radar do mercado
Além do cenário brasileiro, os operadores acompanham as condições das safras na Europa e na Índia.
Segundo analistas, o calor e a seca prejudicaram as perspectivas para a beterraba açucareira europeia. Na Índia, uma monção mais fraca reduziu as expectativas para a produção de cana-de-açúcar.
Esses fatores vêm oferecendo sustentação ao mercado desde julho, diante de revisões nas projeções de oferta global. Ainda assim, o comportamento do câmbio e as expectativas de produção continuam provocando oscilações nas bolsas.
Preço do açúcar cristal acumula alta de 7,31% em outubro
No mercado paulista, o Indicador CEPEA/ESALQ do açúcar cristal branco atingiu R$ 129,97 por saca de 50 quilos na quinta-feira (29), valorização de 0,96% em relação ao dia anterior.
Com o resultado, a alta acumulada em outubro chegou a 7,31%. Na conversão cambial, a referência ficou em US$ 24,08 por saca.
O avanço doméstico ocorre em meio à menor produção no Centro-Sul e às dificuldades impostas pelas chuvas ao andamento da safra.
Etanol hidratado sobe 10,82% na parcial do mês
O Indicador Diário do Etanol Hidratado de Paulínia, em São Paulo, também registrou valorização. O produto foi cotado a R$ 2.928,50 por metro cúbico, com alta diária de 0,57%.
Na parcial de outubro, o ganho acumulado alcançou 10,82%.
Para as próximas sessões, o mercado sucroenergético seguirá atento às condições climáticas no Centro-Sul, ao ritmo de moagem e ao câmbio. Esses fatores ajudarão a definir se a recuperação do açúcar nas bolsas terá continuidade e como evoluirão as referências de comercialização no Brasil.
Fonte: Portal do Agronegócio
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