Açúcar recua no mercado internacional e pressão da oferta derruba preços no Brasil
Queda nas cotações do açúcar em Nova York e Londres acompanha avanço da safra, maior disponibilidade de produto e cenário de menor competitividade do etanol no mercado interno.
Publicado em: 29/07/2026 às 11:30hs
O mercado do açúcar voltou a registrar perdas nesta terça-feira (28), com recuo nas cotações internacionais e pressão também sobre os preços domésticos. O movimento reflete a combinação entre expectativa de maior oferta global, queda do petróleo e avanço da moagem da cana-de-açúcar no Brasil.
Nas bolsas internacionais, o açúcar bruto negociado em Nova York encerrou o pregão em baixa, enquanto o açúcar branco também apresentou desvalorização em Londres. No mercado brasileiro, tanto o açúcar cristal quanto o etanol hidratado acompanharam o movimento negativo, diante do aumento da disponibilidade da produção e da cautela dos agentes.
Açúcar cai em Nova York com pressão da oferta global
Na Intercontinental Exchange (ICE Futures US), em Nova York, os contratos futuros do açúcar bruto fecharam em queda.
O vencimento outubro/26 recuou 0,03 ponto, encerrando a sessão a 14,55 cents de dólar por libra-peso. O contrato março/27 caiu 0,06 ponto, para 15,41 cents/lbp, enquanto o maio/27 registrou baixa de 0,08 ponto, fechando a 15,23 cents/lbp.
Os demais contratos também acompanharam o movimento negativo, em meio ao aumento das expectativas de disponibilidade da commodity no mercado internacional.
Açúcar branco também perde força em Londres
Na bolsa de Londres, o açúcar branco seguiu a tendência de baixa observada em Nova York.
O contrato outubro/26 recuou US$ 1,60, encerrando o dia cotado a US$ 456,80 por tonelada. Já o vencimento dezembro/26 caiu US$ 1,80, também para US$ 456,80 por tonelada.
O contrato março/27 registrou queda de US$ 2,20, fechando a US$ 457,80 por tonelada. As demais posições futuras também terminaram o pregão no campo negativo.
Mercado brasileiro acompanha pressão internacional
No mercado físico brasileiro, o açúcar cristal branco negociado em São Paulo também apresentou retração.
O indicador calculado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada registrou preço de R$ 92,39 por saca de 50 quilos, com queda diária de 0,39%.
Apesar do recuo no pregão, o indicador ainda acumula valorização de 1,23% em julho, refletindo a volatilidade das negociações no mercado interno e as oscilações observadas ao longo do mês.
Etanol recua com maior oferta da safra
O mercado de biocombustíveis também registrou baixa. O Indicador Diário de Paulínia apontou o etanol hidratado negociado a R$ 2.161,00 por metro cúbico, retração de 0,76% em relação ao dia anterior.
No acumulado de julho, o biocombustível apresenta queda de 8,65%, pressionado pelo avanço da moagem da cana-de-açúcar e pela maior disponibilidade de produto no mercado doméstico.
A redução dos preços do petróleo também influencia o cenário, diminuindo a competitividade relativa do etanol frente aos combustíveis fósseis.
Petróleo em baixa aumenta pressão sobre açúcar e etanol
Segundo análise de mercado, a queda do petróleo foi um dos principais fatores de pressão sobre as cotações do açúcar e do etanol.
Com o combustível fóssil menos valorizado, o mercado reduz as expectativas de demanda pelo etanol, aumentando a possibilidade de maior direcionamento da cana brasileira para a produção de açúcar.
Outro fator observado pelos investidores é a melhora das condições climáticas na Índia, especialmente com a evolução das chuvas de monção, reduzindo temporariamente as preocupações sobre a oferta global da commodity.
Apesar do cenário mais confortável, o clima indiano continua sendo um ponto de atenção para o desenvolvimento da safra 2026/27, já que alterações no regime de chuvas podem influenciar a produção mundial.
Safra brasileira mantém mercado atento aos próximos movimentos
Com o avanço da temporada de moagem no Centro-Sul do Brasil, o mercado acompanha o equilíbrio entre produção, demanda e exportações.
A maior oferta de açúcar e etanol no período de safra tende a aumentar a pressão sobre os preços, enquanto fatores externos, como câmbio, petróleo, clima internacional e consumo global, permanecem determinantes para a formação das cotações.
Diante desse cenário, produtores e usinas seguem monitorando as oportunidades de comercialização, buscando equilibrar a produção entre açúcar e biocombustível para preservar margens em um ambiente de alta volatilidade.
Fonte: Portal do Agronegócio
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