Açúcar recua nas bolsas internacionais com pressão da oferta global; etanol amplia perdas e limita reação dos preços
Mercado do açúcar segue pressionado por expectativa de maior oferta, avanço da safra brasileira e fraqueza do etanol, enquanto projeções de déficit global impedem quedas mais intensas nas cotações.
Publicado em: 31/07/2026 às 11:10hs
O mercado mundial de açúcar encerrou a quinta-feira (30) em queda nas bolsas internacionais, refletindo a combinação entre expectativas de maior oferta global, avanço da colheita no Brasil e cautela dos investidores diante do cenário climático nos principais países produtores. No mercado doméstico, o açúcar cristal também perdeu força, enquanto o etanol hidratado manteve trajetória de baixa, pressionado pelo aumento da disponibilidade do biocombustível.
Apesar do viés negativo predominante, analistas destacam que projeções de déficit global para a safra 2026/27 continuam oferecendo sustentação ao mercado e limitando movimentos de queda mais expressivos.
Açúcar fecha em baixa em Nova York e Londres
Na ICE Futures US, em Nova York, os contratos futuros do açúcar bruto encerraram o pregão em queda.
O contrato com vencimento em outubro de 2026 recuou 0,07 ponto, fechando a 14,43 cents de dólar por libra-peso. O contrato março de 2027 caiu para 15,33 cents/lbp, enquanto o maio de 2027 terminou cotado a 15,17 cents/lbp. Os demais vencimentos também encerraram a sessão em território negativo.
Na ICE Futures Europe, em Londres, o açúcar branco acompanhou o movimento de desvalorização.
O contrato outubro de 2026 caiu US$ 1,70, encerrando o dia a US$ 456,70 por tonelada. Já o vencimento dezembro de 2026 fechou em US$ 456,50, enquanto março de 2027 terminou cotado a US$ 457,90 por tonelada.
Oferta confortável impede recuperação consistente
Segundo análise da StoneX, o mercado permanece preso a uma faixa estreita de negociação, sem força suficiente para definir uma tendência consistente.
O contrato outubro de 2026 do açúcar bruto negociado em Nova York encerrou a semana próximo de 14,77 cents de dólar por libra-peso, praticamente estável em relação à semana anterior, reforçando a percepção de equilíbrio entre fatores baixistas e altistas.
A pressão vendedora ganhou intensidade durante parte da semana, mas não conseguiu romper a faixa entre 14,50 e 15,00 cents/lbp, considerada atualmente uma importante zona técnica para o mercado.
O principal fator de pressão continua sendo a elevada disponibilidade de açúcar no curto prazo, impulsionada pelo avanço da moagem da cana-de-açúcar no Centro-Sul do Brasil durante julho.
Além disso, os prêmios de exportação do açúcar VHP no porto de Santos seguem próximos dos menores níveis históricos, indicando dificuldade do mercado internacional em absorver o aumento da oferta brasileira.
Mercado acompanha clima e projeções para a safra mundial
Embora a oferta atual seja considerada confortável, o cenário de médio prazo continua cercado de incertezas.
A melhora das condições climáticas na Índia reforça as expectativas de recuperação da produção naquele país, enquanto consultorias como Green Pool e StoneX seguem projetando déficit global de açúcar na temporada 2026/27, estimado em cerca de 1,7 milhão de toneladas.
Outro fator monitorado pelos investidores é a possibilidade de impactos climáticos relacionados ao El Niño, que pode afetar importantes regiões produtoras ao redor do mundo.
Na Europa, a seca registrada em áreas produtoras de beterraba também permanece no radar do mercado e pode reduzir parte da oferta caso as condições climáticas adversas persistam nos próximos meses.
Esse conjunto de fatores mantém os agentes cautelosos, divididos entre a elevada oferta disponível atualmente e os riscos de menor produção nas próximas safras.
Açúcar cristal recua no mercado brasileiro
No mercado físico nacional, o Indicador CEPEA/ESALQ para o açúcar cristal branco em São Paulo registrou nova queda.
A saca de 50 quilos foi negociada a R$ 92,40, recuo diário de 0,57%.
Mesmo com a baixa observada no encerramento do mês, o indicador ainda acumula valorização de 1,24% em julho, refletindo uma recuperação parcial ao longo das últimas semanas.
O ritmo das negociações permanece moderado, com compradores adotando postura cautelosa diante da expectativa de maior disponibilidade de produto no mercado físico.
Etanol segue pressionado pelo avanço da safra
O mercado de etanol continua apresentando desempenho mais fraco que o açúcar.
Segundo o Indicador Diário Paulínia, o etanol hidratado foi negociado a R$ 2.134,50 por metro cúbico, queda de 0,37% em relação ao pregão anterior.
No acumulado de julho, o biocombustível registra desvalorização de 9,77%, reflexo direto do avanço da moagem de cana, do aumento da oferta e da maior disponibilidade do produto nas usinas paulistas.
A fraqueza do etanol também reduz os incentivos econômicos para mudanças relevantes no mix de produção das usinas, contribuindo para manter elevada a fabricação de açúcar e reforçando a pressão sobre os preços internacionais.
Perspectivas para o mercado
O mercado global do açúcar segue em um momento de equilíbrio delicado.
Enquanto a oferta elevada no curto prazo continua limitando qualquer movimento consistente de alta, as projeções de déficit mundial para a safra 2026/27 e as incertezas climáticas mantêm um importante suporte para as cotações.
Nos próximos meses, investidores devem acompanhar de perto a evolução da safra brasileira, as condições climáticas na Índia e na União Europeia, além do comportamento da demanda internacional e do mercado de etanol, fatores que poderão definir a direção dos preços do açúcar no restante da temporada.
Fonte: Portal do Agronegócio
◄ Leia outras notícias