Açúcar: produção cai 10,29% no Centro-Sul e embarques previstos recuam para 1,7 milhão de toneladas
Moagem de cana cresce na safra 2026/27, mas fabricação de açúcar diminui até agosto; produção de etanol avança e exportações têm menor receita diária em outubro
Publicado em: 23/10/2026 às 18:20hs
A produção de açúcar no Centro-Sul acumulou queda de 10,29% na safra 2026/27 até agosto, apesar do aumento no processamento de cana-de-açúcar. No comércio exterior, a programação de embarques nos portos brasileiros recuou para 1,713 milhão de toneladas na semana encerrada em 21 de outubro, enquanto as exportações apresentaram redução de volume e receita média diária na parcial do mês.
Os dados da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) mostram que as usinas do Centro-Sul processaram 412,37 milhões de toneladas de cana até agosto, crescimento de 1,81% em relação ao mesmo período da temporada anterior.
A fabricação de etanol também avançou, alcançando 21,09 bilhões de litros no acumulado. O desempenho contrasta com o do açúcar, cuja produção ficou em 24,08 milhões de toneladas, ante 26,84 milhões de toneladas um ano antes.
Moagem de cana supera 100 milhões de toneladas em agosto
Somente em agosto, as unidades produtoras do Centro-Sul processaram 100,59 milhões de toneladas de cana, frente a 98,04 milhões de toneladas no mesmo mês da safra 2025/26.
Ao final do período, 255 unidades estavam em operação na região. Desse total, 235 processavam cana-de-açúcar, onze fabricavam etanol de milho e nove eram usinas flex.
Apesar do maior volume de matéria-prima processada, houve redução na concentração de açúcares recuperáveis. O ATR de agosto atingiu 143,09 quilos por tonelada de cana, queda de 2,77% sobre os 147,18 quilos registrados um ano antes.
No acumulado da safra, o indicador ficou em 131,61 quilos por tonelada, recuo de 0,13% na comparação com igual período do ciclo anterior.
Produção de açúcar diminui no mês e no acumulado
A fabricação de açúcar somou 7,09 milhões de toneladas em agosto, redução de 5,61% frente às 7,51 milhões de toneladas produzidas no mesmo mês da safra passada.
Com esse resultado, a produção acumulada até agosto ficou 10,29% abaixo da temporada anterior.
O aumento da moagem, portanto, não se traduziu em crescimento da oferta de açúcar no período. Os números mostram maior processamento de cana acompanhado de menor ATR e de expansão da produção de etanol.
Etanol cresce 13,88% na safra 2026/27
A produção de etanol pelas unidades do Centro-Sul atingiu 4,90 bilhões de litros em agosto, alta de 6,24% na comparação anual.
O etanol hidratado respondeu por 3,08 bilhões de litros, avanço de 11,83%. Já o anidro somou 1,82 bilhão de litros, queda de 2,04%.
No acumulado da safra, a fabricação do biocombustível alcançou 21,09 bilhões de litros, crescimento de 13,88%. Desse total, o levantamento aponta 13,35 bilhões de litros de hidratado, alta de 14,96%, e 7,75 bilhões de litros de anidro, aumento de 12,06%. Os valores por categoria apresentam diferença de arredondamento em relação ao total informado.
Etanol de milho representa 16,59% da produção de agosto
O milho respondeu por 16,59% do etanol produzido no Centro-Sul em agosto. As unidades fabricaram 812,69 milhões de litros a partir do cereal, ante 773,37 milhões de litros no mesmo período do ciclo anterior, crescimento de 5,08%.
Desde o início da safra, a produção de etanol de milho acumulou 4,04 bilhões de litros, avanço de 8,47% na comparação anual.
Programação de embarques de açúcar recua 9,3%
O levantamento portuário da semana encerrada em 21 de outubro apontou 49 navios na programação de embarques de açúcar, com carregamentos previstos de 1,713 milhão de toneladas.
O volume representa redução de aproximadamente 9,3% em relação às 1,888 milhão de toneladas programadas na semana anterior.
O relatório considera embarcações ancoradas, navios aguardando atracação e aqueles com chegada prevista até 25 de novembro. Assim, o total corresponde à programação logística e não apenas a exportações já realizadas ou previstas exclusivamente para outubro.
Santos concentra maior volume de açúcar programado
O Porto de Santos, em São Paulo, liderou a programação, com 1.057.147 toneladas de açúcar previstas para carregamento.
Na sequência aparecem:
- Paranaguá (PR): 481.190 toneladas;
- Maceió (AL): 71,2 mil toneladas;
- Recife (PE): 54 mil toneladas;
- Suape (PE): 27 mil toneladas;
- Itajaí (SC): 25 mil toneladas.
O açúcar VHP concentra a maior parcela das cargas, com 1.420.616 toneladas. A programação também inclui 124,330 mil toneladas de cristal B-150, 46,591 mil toneladas de VHP em sacas, 97 mil toneladas de refinado A45 e 25 mil toneladas classificadas como TBC.
Exportações de açúcar têm queda de receita, volume e preço
As exportações brasileiras de açúcar e melaços geraram US$ 586,161 milhões nos primeiros 11 dias úteis de outubro, segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex).
O volume embarcado atingiu 1.738.405 toneladas, com preço médio de US$ 337,20 por tonelada. A receita média diária ficou em US$ 53,287 milhões, enquanto os embarques alcançaram média de 158,037 mil toneladas por dia útil.
Na comparação com as médias diárias de outubro de 2025, o desempenho apresentou:
- Queda de 28,4% na receita diária, ante US$ 74,437 milhões;
- Redução de 16,5% no volume diário, frente a 189,241 mil toneladas;
- Recuo de 14,3% no preço médio, que estava em US$ 393,30 por tonelada.
A parcial mostra que a redução da receita externa resulta tanto do menor ritmo de embarques quanto dos preços inferiores aos registrados um ano antes. Esse quadro se soma à queda da produção de açúcar no Centro-Sul até agosto e à diminuição semanal dos carregamentos programados nos portos.
Fonte: Portal do Agronegócio
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