Preço do arroz no RS se mantém em R$ 84,05 com oferta restrita e compras cautelosas
Resistência dos produtores sustenta as cotações, mas demanda limitada da indústria impede uma recuperação mais ampla; clima na safra 2026/27 e exportações seguem no radar
Publicado em: 23/10/2026 às 19:00hs
O preço do arroz em casca no Rio Grande do Sul encerrou a semana em R$ 84,05 por saca, sustentado pela resistência dos produtores em negociar com descontos. A baixa liquidez, porém, continua limitando o avanço das cotações, diante de uma indústria cautelosa e com compras ajustadas às necessidades imediatas.
Segundo o analista e consultor de Safras & Mercado, Evandro Oliveira, a menor disponibilidade de lotes para negociação ajuda a manter os preços, mas ainda falta uma disputa mais intensa entre compradores para consolidar uma valorização abrangente.
O Indicador Safras, referente ao arroz em casca com rendimento de 58% a 62% de grãos inteiros e pagamento à vista, ficou estável na comparação semanal. No mês, acumula alta de 1,22%, enquanto a valorização em relação ao mesmo período de 2025 chega a 47,09%.
Produtores restringem oferta, mas necessidade de caixa pode estimular vendas
A retenção de produto nas propriedades reduz a oferta disponível para entrega imediata e dá sustentação às pedidas dos vendedores. Esse comportamento, entretanto, convive com a necessidade de financiar a safra 2026/27 e cumprir compromissos financeiros.
Nesse cenário, podem ocorrer vendas pontuais abaixo dos valores inicialmente pretendidos, especialmente quando a necessidade de caixa se torna mais urgente.
A avaliação de Oliveira é que a resistência dos produtores dificulta descontos generalizados. Ao mesmo tempo, a postura seletiva dos compradores impede que essa restrição de oferta se transforme, por enquanto, em uma alta disseminada no mercado gaúcho.
Indústria de arroz mantém reposição limitada ao giro das vendas
As indústrias seguem comprando conforme o escoamento do arroz beneficiado, procurando preservar o capital de giro em um ambiente de dificuldade para repassar custos ao varejo.
De acordo com o analista, a incerteza eleitoral e o planejamento financeiro para o encerramento do ano também contribuem para adiar aquisições de maior volume. Essa cautela ocorre durante a organização do abastecimento para novembro e dezembro.
A proximidade do fim do ano, contudo, não assegura uma retomada das compras. Sem crescimento efetivo dos pedidos, os estoques nos canais de distribuição continuam limitando a demanda por matéria-prima.
Dólar próximo de R$ 5,00 reduz estímulo às exportações
No cenário descrito pela consultoria, a acomodação do dólar perto de R$ 5,00, após superar R$ 5,20, representa outro fator de atenção para o mercado de arroz.
Mantidas as demais condições, o recuo da moeda norte-americana tende a reduzir a atratividade das exportações brasileiras e a melhorar a competitividade do produto importado.
Esse movimento pode limitar o suporte das vendas externas aos preços domésticos, sobretudo enquanto o consumo interno não apresenta uma reação suficiente para acelerar as compras da indústria.
Balança comercial tem saldo positivo de quase 22 mil toneladas
Até a terceira semana de outubro, as exportações brasileiras de arroz somaram 100,1 mil toneladas, enquanto as importações alcançaram 78,2 mil toneladas, ambas consideradas em base casca. O resultado corresponde a um superávit de aproximadamente 22 mil toneladas.
Embora favorável, o saldo precisa ser analisado em conjunto com o volume de excedente disponível no país e a continuidade dos embarques.
Para Oliveira, uma balança comercial positiva, isoladamente, não demonstra que o escoamento seja suficiente para modificar a formação dos preços. O efeito sobre as cotações dependerá da capacidade das exportações de retirar produto do mercado doméstico de forma consistente.
Clima na safra de arroz 2026/27 amplia atenção sobre a oferta
As condições das lavouras acrescentam incerteza às perspectivas de abastecimento. Há relatos de excesso de umidade, baixa radiação solar, emergência irregular das plantas e necessidade de ressemeadura em determinadas áreas.
Esses problemas representam um risco potencial à produção e podem oferecer sustentação aos preços caso seus efeitos sejam confirmados.
Entretanto, os levantamentos sobre o avanço da semeadura ainda apresentam diferenças. Não há base consolidada para quantificar perdas ou confirmar uma redução da produção além da esperada.
O que pode definir os preços do arroz nas próximas semanas
No curto prazo, o mercado deve continuar condicionado ao equilíbrio entre a resistência dos produtores e a cautela da indústria. A reação das vendas no varejo, a evolução do câmbio e a continuidade dos embarques serão determinantes para o ritmo dos negócios.
Uma recuperação mais ampla das cotações dependerá de aumento efetivo da demanda e do volume negociado. Até lá, a oferta restrita ajuda a sustentar os preços, enquanto a baixa liquidez limita novas altas.
Fonte: Portal do Agronegócio
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