Soja cai ao menor nível em dois meses em Chicago e trava negócios no Brasil
Colheita americana pressiona cotações e produtores brasileiros priorizam o plantio; Abiove projeta esmagamento recorde de 66 milhões de toneladas em 2027
Publicado em: 23/10/2026 às 18:00hs
Os preços da soja atingiram os menores patamares em dois meses em Chicago, reduzindo o interesse dos produtores brasileiros em negociar. Com o dólar próximo de R$ 5,00 e as referências internacionais pressionadas pela colheita nos Estados Unidos, o mercado físico nacional registrou uma semana de baixa movimentação.
Diante das condições menos atrativas de venda, os agricultores mantiveram uma postura cautelosa e concentraram as atenções no plantio da nova safra. Paralelamente, as projeções da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) apontam maior processamento doméstico em 2027, impulsionado pela demanda do biodiesel.
Colheita nos Estados Unidos pressiona soja em Chicago
Até quarta-feira (21), os contratos futuros da soja haviam acumulado oito sessões consecutivas de perdas em Chicago, antes de apresentar uma reação na quinta-feira (22).
O avanço da colheita americana, favorecido pelas condições climáticas, amplia a disponibilidade do grão e mantém pressão sobre as cotações. A perspectiva de uma produção recorde nos Estados Unidos reforça esse movimento sazonal de oferta.
A demanda pela soja americana, especialmente da China, oferece sustentação ao mercado. Entretanto, as compras ainda não foram suficientes para neutralizar a pressão provocada pela entrada da safra.
Preço da soja varia de R$ 141 a R$ 153 nas praças informadas
No Brasil, a combinação entre câmbio próximo de R$ 5,00 e recuo dos contratos internacionais limitou a disposição dos produtores para fechar negócios.
As referências da saca de soja de 60 quilos, no levantamento apresentado, foram:
- Passo Fundo (RS): R$ 146,00;
- Cascavel (PR): R$ 141,00;
- Rondonópolis (MT): R$ 141,00;
- Porto de Paranaguá (PR): R$ 152,00;
- Porto de Rio Grande (RS): R$ 153,00.
Com os preços sob pressão, os vendedores reduziram a participação no mercado, enquanto o avanço da semeadura passou a concentrar parte importante das atividades nas propriedades.
Abiove prevê processamento recorde de soja em 2027
Apesar do ambiente de negócios mais lento no mercado físico, a demanda industrial brasileira deve crescer no próximo ano.
Segundo projeções divulgadas pela Abiove na quinta-feira (22), o esmagamento de soja poderá alcançar 66 milhões de toneladas em 2027, volume recorde e 3,8% superior ao previsto para 2026.
A expansão será sustentada principalmente pela necessidade de óleo de soja para a produção nacional de biodiesel.
Com maior destinação do grão às indústrias brasileiras, as exportações de soja estão projetadas em 113 milhões de toneladas em 2027, redução de 0,8% na comparação com 2026.
Projeção considera mistura de biodiesel de 16%
As estimativas da Abiove consideram a elevação da mistura obrigatória de biodiesel ao diesel para 16%, a partir de março de 2027, um ponto percentual acima do nível utilizado como referência.
Esse aumento integra o cenário adotado pela entidade e deverá ampliar a absorção doméstica de óleo de soja, favorecendo o processamento do grão.
A maior demanda industrial também altera as perspectivas de comercialização dos derivados, com crescimento da oferta de farelo e menor disponibilidade de óleo para exportação.
Farelo deve ter produção e exportações recordes
A produção brasileira de farelo de soja deverá atingir 50,8 milhões de toneladas em 2027, crescimento de 3,8% e novo recorde, conforme a Abiove.
As exportações do derivado estão estimadas em 26,3 milhões de toneladas, avanço de 4%, também alcançando o maior volume da série histórica.
A projeção acompanha o aumento do esmagamento e amplia a oferta brasileira de farelo para os mercados interno e externo.
Biodiesel deve absorver mais óleo de soja
Para o óleo de soja, a entidade projeta produção recorde de 13,27 milhões de toneladas, alta de 3,7% em 2027.
As exportações, porém, deverão recuar 2,6%, para 1,9 milhão de toneladas, refletindo a maior utilização do produto pela indústria doméstica de biodiesel.
O cenário combina pressão de curto prazo sobre os preços do grão, diante da oferta americana, com expectativa de fortalecimento da demanda industrial brasileira no próximo ano.
Fonte: Portal do Agronegócio
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