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Açúcar cai nas bolsas e em São Paulo após cristal acumular 15 semanas de alta

Expectativa de maior oferta global pressiona contratos em Nova York e Londres; no Brasil, dólar e chuvas sustentaram valorização do cristal no fim de outubro


Publicado em: 04/11/2026 às 11:45hs

Açúcar cai nas bolsas e em São Paulo após cristal acumular 15 semanas de alta

O preço do açúcar iniciou novembro em queda no mercado paulista e nas bolsas internacionais, após uma sequência de valorização no Brasil. Na terça-feira (3), o Indicador CEPEA/ESALQ do cristal branco recuou para R$ 127,33 por saca de 50 quilos, enquanto os contratos de açúcar bruto e branco registraram perdas em Nova York e Londres.

O movimento contrasta com o fechamento de outubro, quando o cristal paulista completou 15 altas semanais consecutivas, a maior sequência desde 2020. Segundo o Cepea, a valorização do dólar intensificou os ganhos naquele período, em um cenário de oferta restrita e atrasos na colheita provocados pelas chuvas.

Cristal encerrou outubro com alta semanal de 2,34%

Entre 26 e 30 de outubro, o Indicador CEPEA/ESALQ do açúcar cristal branco, com cor Icumsa de 130 a 180, no estado de São Paulo, apresentou média de R$ 128,57 por saca de 50 quilos.

O resultado ficou 2,34% acima dos R$ 125,63 por saca registrados na semana anterior.

Na quinta-feira (29), a referência atingiu R$ 129,97 por saca, o maior valor desde junho de 2025. Pesquisadores do Cepea atribuem a intensificação da alta à forte valorização da moeda americana frente ao real.

Além do estímulo cambial, a menor disponibilidade de açúcar continuou sustentando as cotações. As chuvas nas regiões produtoras dificultaram a colheita da cana e mantiveram a atenção sobre o ritmo de produção.

Açúcar recua em Nova York com perspectiva de maior oferta

No mercado internacional, as expectativas de maior disponibilidade global prevaleceram na terça-feira (3), pressionando os contratos de açúcar bruto na ICE Futures U.S.

Conforme os dados da CZ App, os principais vencimentos encerraram o pregão nos seguintes patamares:

  • Março/27: 18,33 cents de dólar por libra-peso, queda de 0,73 centavo;
  • Maio/27: 17,80 cents por libra-peso, recuo de 0,75 centavo;
  • Julho/27: 17,48 cents por libra-peso, baixa de 0,71 centavo.

Os demais contratos também fecharam no campo negativo, com perdas entre 0,32 e 0,66 centavo de dólar por libra-peso.

Açúcar branco acompanha perdas em Londres

Na ICE Futures Europe, os contratos de açúcar branco seguiram a direção de Nova York.

O vencimento dezembro/26 caiu US$ 9,20, para US$ 500,20 por tonelada. O março/27 recuou US$ 12,20, encerrando a US$ 513,90, enquanto o maio/27 perdeu US$ 14,00, para US$ 518,40 por tonelada.

Segundo análise divulgada pelo Notícias Agrícolas, a perspectiva de avanço da produção indiana contribuiu para a pressão sobre os preços internacionais.

Preço do açúcar em São Paulo abre novembro em baixa

No mercado spot paulista, a queda de terça-feira interrompeu o impulso observado no fim de outubro.

O Indicador CEPEA/ESALQ do cristal branco ficou em R$ 127,33 por saca de 50 quilos, redução de 0,79% em relação ao pregão anterior. O acumulado de novembro apresentava o mesmo recuo. Em dólar, a referência correspondeu a US$ 23,21 por saca.

A baixa no início do mês, entretanto, ocorre após um período prolongado de valorização. A sequência de 15 altas se refere às médias semanais até o encerramento de outubro, enquanto o resultado de novembro corresponde à variação diária do indicador.

Etanol hidratado sobe em Paulínia

Na direção oposta à do açúcar, o Indicador Diário do Etanol Hidratado de Paulínia (SP) avançou 1,33% na terça-feira, atingindo R$ 2.968,00 por metro cúbico.

Com o resultado, a referência também acumulou valorização de 1,33% em novembro.

Oferta global e chuvas no Brasil seguem no radar

O mercado do açúcar permanece dividido entre a expectativa de maior produção em importantes países fornecedores e as restrições observadas no Brasil.

No Centro-Sul, as chuvas e a redução da moagem continuam sendo acompanhadas pelos agentes. Ao mesmo tempo, projeções de déficit global e riscos climáticos podem oferecer sustentação às cotações.

Para o mercado brasileiro, o comportamento do dólar, a disponibilidade de cristal e a evolução da colheita seguem entre os fatores que influenciam as negociações. A queda no primeiro pregão doméstico de novembro ainda não permite concluir que houve reversão da tendência observada nas semanas anteriores.

Fonte: Portal do Agronegócio

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