Estação de monta: vacinação e manejo preventivo ajudam a evitar doenças reprodutivas e perdas na pecuária
Controle sanitário, avaliação da condição corporal das fêmeas e exames dos touros são medidas essenciais para reduzir abortos, perdas embrionárias e repetição de cio durante o período reprodutivo.
Publicado em: 30/10/2026 às 08:00hs
Com a aproximação da estação de monta em importantes regiões pecuárias do Brasil, o planejamento sanitário e reprodutivo ganha relevância para produtores que buscam elevar os índices de prenhez e melhorar a produtividade do rebanho. A prevenção de doenças que afetam a fertilidade e a gestação, associada ao manejo nutricional adequado, ajuda a reduzir perdas e a tornar o calendário reprodutivo mais eficiente.
A preparação deve começar antes da formação dos lotes de reprodução e dos protocolos de inseminação artificial em tempo fixo (IATF). Vacinação preventiva, acompanhamento veterinário e avaliação da condição corporal das fêmeas estão entre as medidas que contribuem para preparar os animais para o período de maior exigência reprodutiva.
Segundo Pablo Paiva, médico-veterinário e gerente de mercado de Gado de Corte da MSD Saúde Animal, algumas enfermidades podem comprometer a reprodução mesmo sem apresentar sinais clínicos evidentes.
“Doenças reprodutivas podem provocar perdas embrionárias, abortos, repetição de cio e nascimento de bezerros fracos. Por isso, o controle precisa começar antes da introdução dos animais nos lotes reprodutivos, com planejamento, vacinação e acompanhamento veterinário”, destaca o especialista.
Doenças reprodutivas podem comprometer os índices de prenhez
Entre os agentes infecciosos que exigem atenção na pecuária de corte estão o herpesvírus bovino tipo 1 (BoHV-1), associado à rinotraqueíte infecciosa bovina e a problemas reprodutivos; o vírus da diarreia viral bovina (BVDV), relacionado a perdas embrionárias, abortos e ao nascimento de animais persistentemente infectados; e diferentes sorovares de Leptospira, que podem provocar abortos e reduzir a eficiência reprodutiva.
Essas enfermidades podem gerar prejuízos que vão além da perda de uma gestação. A repetição de cio, a necessidade de novos procedimentos reprodutivos e o aumento do intervalo entre partos podem elevar os custos de produção e comprometer o planejamento da fazenda.
Por isso, a estratégia sanitária deve considerar os riscos epidemiológicos da propriedade, o histórico do rebanho e as recomendações do médico-veterinário responsável.
Vacinação deve ser planejada antes da estação de monta
A vacinação preventiva é uma das ferramentas utilizadas para reduzir os riscos de doenças infecciosas durante o ciclo reprodutivo. De acordo com a orientação apresentada pela MSD Saúde Animal, a programação pode ser realizada, preferencialmente, entre 30 e 60 dias antes da estação de monta ou dos protocolos de IATF, conforme o produto utilizado, a bula e a avaliação veterinária.
A antecedência permite organizar o calendário sanitário e considerar o tempo necessário para o desenvolvimento da resposta imunológica. Também pode facilitar a integração de diferentes manejos em uma mesma operação, reduzindo deslocamentos ao curral e o estresse dos animais.
A conservação correta das vacinas é outro ponto importante. Os produtos que exigem refrigeração devem ser mantidos entre 2 °C e 8 °C, conforme as instruções de armazenamento da respectiva bula, sem congelamento quando contraindicado.
Nova vacina da MSD Saúde Animal mira doenças reprodutivas
Entre as soluções apresentadas para o manejo sanitário está a Bovilis® Vista® 5 L5, vacina recentemente introduzida no mercado brasileiro pela MSD Saúde Animal, segundo a empresa.
O produto combina componentes voltados à proteção contra agentes virais e cinco sorovares de Leptospira, com foco na prevenção de enfermidades que podem afetar a saúde reprodutiva dos bovinos.
De acordo com Pablo Paiva, a tecnologia utiliza vírus vivos modificados dos tipos 1 e 2 do BVDV, com o objetivo de estimular uma resposta imunológica que contribua para a proteção fetal durante a gestação. O especialista também destaca a experiência internacional da tecnologia, que, segundo a empresa, já foi utilizada em milhões de doses e possui registros em mais de 20 países.
A MSD Saúde Animal informa ainda que a formulação se diferencia por utilizar tecnologia de vírus vivos modificados para os componentes virais e por ter protocolo de dose única, conforme a indicação do produto. A aplicação deve seguir rigorosamente a bula, incluindo as orientações sobre categoria animal, situação reprodutiva, contraindicações e necessidade de revacinação.
A escolha da vacina mais adequada deve considerar as características do rebanho e o planejamento sanitário da propriedade, sempre com orientação profissional.
Condição corporal das vacas influencia o desempenho reprodutivo
A eficiência da estação de monta não depende apenas da prevenção de doenças. O estado nutricional das fêmeas também interfere na capacidade de emprenhar e manter a gestação.
O acompanhamento do escore de condição corporal ajuda a identificar animais que precisam de ajustes nutricionais antes do início da reprodução. Fêmeas que chegam à estação de monta com reservas corporais inadequadas podem apresentar desempenho reprodutivo inferior, exigindo atenção especial ao fornecimento de pastagem e suplementação.
O planejamento deve levar em conta a disponibilidade de forragem, a época do ano e os possíveis efeitos de períodos de seca. A avaliação por categoria animal também é importante, especialmente para novilhas, primíparas e multíparas, que apresentam necessidades distintas.
Exame andrológico dos touros deve entrar no planejamento
Nas propriedades que utilizam monta natural, a preparação dos machos também é fundamental. O exame andrológico, idealmente realizado entre 30 e 60 dias antes do início da estação, permite avaliar aspectos físicos, características reprodutivas e qualidade seminal dos touros.
A avaliação contribui para identificar animais que podem apresentar limitações reprodutivas antes de serem colocados com as fêmeas. Com isso, o produtor tem mais tempo para tomar decisões sobre substituição, manejo ou adequação dos lotes.
A proporção entre machos e fêmeas, a condição corporal dos touros e o acompanhamento da atividade reprodutiva também devem fazer parte do planejamento, conforme o sistema de produção adotado.
Monitoramento da IATF e dos diagnósticos de gestação
O acompanhamento técnico precisa continuar durante toda a estação de monta. Os resultados da primeira IATF, os diagnósticos de gestação e a eventual necessidade de ressincronização fornecem informações para orientar as próximas decisões.
De acordo com Pablo Paiva, a análise dos índices de prenhez em conjunto com as condições sanitárias, nutricionais e de manejo ajuda a identificar pontos que precisam de correção ao longo do calendário reprodutivo.
O monitoramento também permite avaliar os resultados por categoria de fêmeas e verificar se os protocolos utilizados estão de acordo com as condições da propriedade.
Checklist para preparar o rebanho para a estação de monta
Para organizar o período reprodutivo, a MSD Saúde Animal recomenda que os produtores adotem medidas como:
- Planejar o calendário sanitário: programar a vacinação com antecedência e orientação veterinária.
- Conservar as vacinas corretamente: respeitar a faixa de temperatura indicada na bula, geralmente entre 2 °C e 8 °C para os produtos que exigem refrigeração.
- Avaliar a condição corporal: identificar fêmeas que precisam de ajustes nutricionais antes da reprodução.
- Realizar o exame andrológico: verificar a aptidão reprodutiva dos touros antes da estação.
- Organizar os lotes: separar novilhas, primíparas e multíparas conforme as necessidades de manejo.
Acompanhar os resultados: monitorar IATF, monta natural e diagnósticos de gestação.
Revisar os protocolos: adaptar as medidas às condições sanitárias, nutricionais e produtivas da fazenda.
Planejamento antecipado favorece a eficiência reprodutiva
A preparação para a estação de monta reúne decisões que influenciam diretamente os resultados da pecuária de corte. A prevenção de doenças, a vacinação adequada, a nutrição das fêmeas e a avaliação dos touros ajudam a reduzir riscos e a aproveitar melhor o período reprodutivo.
Com acompanhamento veterinário e monitoramento dos indicadores, o produtor pode identificar problemas com maior rapidez, corrigir falhas de manejo e organizar as próximas etapas do calendário.
O planejamento antecipado, portanto, é uma ferramenta importante para proteger a saúde do rebanho, reduzir perdas reprodutivas e buscar maior eficiência na produção de bezerros.
Fonte: Portal do Agronegócio
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