Bronquite infecciosa aviária pode reduzir produção de ovos em até 70% e comprometer o desempenho das aves
Altamente contagiosa, a doença pode se espalhar rapidamente pelos lotes, afetar o sistema respiratório, os rins e o aparelho reprodutivo das galinhas. Diagnóstico precoce, biosseguridade, monitoramento e vacinação são fundamentais para reduzir os impactos na avicultura
Publicado em: 30/10/2026 às 07:00hs
A bronquite infecciosa aviária (BI) representa um importante desafio sanitário para a avicultura devido à rápida disseminação do vírus e aos prejuízos que pode provocar na produção de carne e ovos. Em lotes afetados, a enfermidade pode atingir quase todas as aves e comprometer indicadores como consumo de ração, ganho de peso, produtividade e qualidade dos ovos.
Causada pelo vírus da bronquite infecciosa aviária (IBV), um coronavírus que acomete galinhas, a doença é frequentemente associada a problemas respiratórios. Entretanto, algumas variantes também podem afetar os rins e o sistema reprodutivo, ampliando os efeitos sobre a saúde das aves e o desempenho das granjas.
A gravidade dos surtos depende de fatores como idade das aves, condição imunológica, variante viral envolvida, ambiente de criação e presença de outras infecções.
Transmissão rápida aumenta o risco sanitário nas granjas
A bronquite infecciosa aviária apresenta elevada capacidade de transmissão. O vírus pode se disseminar pelo ar, pelo contato direto entre as aves e indiretamente por água, alimentos, equipamentos e roupas contaminadas.
Essa facilidade de propagação exige atenção constante aos protocolos sanitários, especialmente em sistemas de produção com grande concentração de animais.
Segundo Josias Rodrigo Vogt, gerente de Serviços Técnicos de Aves da Zoetis Brasil, a diversidade de manifestações clínicas torna o monitoramento essencial para identificar possíveis problemas sanitários.
O especialista destaca que os sinais nem sempre ficam restritos ao sistema respiratório. Alterações de comportamento, desempenho e produção também devem ser investigadas para identificar a causa e orientar as medidas de controle.
Embora a morbidade — proporção de aves que adoecem — possa se aproximar de 100% em lotes afetados, a mortalidade costuma ficar em torno de 5% na maioria dos surtos. Em situações agravadas por infecções bacterianas concomitantes ou por cepas nefropatogênicas, capazes de comprometer os rins, esse índice pode chegar a 60%, conforme as referências técnicas citadas no material.
Bronquite infecciosa pode derrubar a produção de ovos em até 70%
Os prejuízos provocados pela doença vão além das mortes. Em aves jovens, a infecção pode reduzir o consumo de alimento e prejudicar o ganho de peso, comprometendo o desenvolvimento e a eficiência produtiva.
Nas galinhas poedeiras, os efeitos podem ser ainda mais expressivos. A produção de ovos pode cair até 70%, acompanhada de alterações na qualidade, como:
- Ovos menores ou deformados;
- Cascas finas, enrugadas ou frágeis;
- Redução do volume de produção;
- Recuperação gradual dos indicadores produtivos após o surto.
A retomada dos níveis anteriores de produção e qualidade dos ovos pode levar até oito semanas, segundo as informações técnicas fornecidas.
O período de recuperação reforça a importância de considerar os efeitos da doença mesmo depois que os sinais clínicos mais evidentes diminuem. Dependendo do momento da infecção e dos órgãos comprometidos, os impactos podem persistir e afetar os resultados econômicos da granja.
Prevenção exige vacinação, biosseguridade e diagnóstico
O controle da bronquite infecciosa aviária depende de uma estratégia integrada, que reúna diagnóstico, monitoramento sanitário, biosseguridade e vacinação.
A definição do programa vacinal deve considerar os desafios epidemiológicos de cada região, as características do sistema produtivo e a avaliação do médico-veterinário responsável. A escolha da vacina, o manejo das aves e a aplicação correta também influenciam a proteção ao longo do ciclo de produção.
De acordo com Josias Rodrigo Vogt, não existe um programa preventivo único que possa ser aplicado indistintamente em todas as granjas. É necessário conhecer os agentes circulantes e adaptar as medidas à realidade de cada operação.
Além da vacinação, os procedimentos de biosseguridade ajudam a reduzir as oportunidades de entrada e disseminação de agentes infecciosos. O acompanhamento dos resultados permite identificar alterações e avaliar a efetividade das medidas adotadas.
Vacina integra estratégias de prevenção na avicultura
Entre as soluções disponíveis no portfólio da Zoetis está a Poulvac® Mix-6, vacina inativada que, segundo a empresa, auxilia na prevenção da bronquite infecciosa aviária e de outras enfermidades relevantes para a produção, como doença de Newcastle, Síndrome da Queda de Postura e Coriza Infecciosa Aviária.
A utilização de vacinas deve integrar um programa sanitário definido com orientação veterinária, considerando as condições epidemiológicas e as necessidades de cada plantel.
A prevenção também envolve conhecimento técnico, monitoramento e acompanhamento contínuo das condições de criação. A combinação dessas medidas contribui para orientar decisões sanitárias e reduzir a exposição das aves aos agentes infecciosos.
Manejo sanitário é decisivo para proteger a produtividade
O enfrentamento da bronquite infecciosa aviária exige atenção permanente aos sinais clínicos e aos indicadores de desempenho. Alterações no consumo de ração, no ganho de peso, na postura e na qualidade dos ovos podem sinalizar problemas que precisam ser investigados.
Para a Zoetis, a colaboração entre produtores e médicos-veterinários é importante para desenvolver programas de prevenção alinhados aos desafios específicos de cada granja.
A adoção de medidas preventivas adequadas ajuda a proteger a saúde das aves e a reduzir os riscos de perdas produtivas. Em uma atividade na qual o desempenho sanitário está diretamente ligado aos resultados econômicos, antecipar os desafios continua sendo uma das principais ferramentas para manter a eficiência da produção avícola.
Referências técnicas: Merck Veterinary Manual — Bronquite infecciosa em galinhas; Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA/WOAH) — Bronquite infecciosa aviária.
Fonte: Portal do Agronegócio
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