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Saúde Animal

Chuvas elevam risco de mastite e doenças em vacas leiteiras; prevenção protege margem do produtor

Simulação em propriedade de Uberlândia aponta perdas com mastite equivalentes a até 98% da margem bruta anual; umidade e barro também exigem atenção aos cascos e à leptospirose.


Publicado em: 04/11/2026 às 15:30hs

Chuvas elevam risco de mastite e doenças em vacas leiteiras; prevenção protege margem do produtor

O período chuvoso exige reforço no manejo sanitário das propriedades leiteiras. A combinação de umidade, barro e acúmulo de matéria orgânica aumenta a exposição das vacas a agentes infecciosos, favorecendo problemas como mastite, doenças nos cascos e leptospirose.

Os impactos podem comprometer a produção e o resultado financeiro. Uma análise da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), baseada no Projeto Campo Futuro, realizado em parceria com o Cepea/Esalq-USP, estimou prejuízos anuais de R$ 8 mil a R$ 14,4 mil com mastite em diferentes cenários de uma propriedade leiteira típica de Uberlândia (MG).

Os valores corresponderiam a 55% a 98% da margem bruta anual da propriedade analisada. O resultado se refere às condições dessa simulação e evidencia o peso que a doença pode ter sobre a rentabilidade.

Mastite pode reduzir produção sem apresentar sinais visíveis

A mastite é uma inflamação da glândula mamária que afeta a saúde das vacas e a qualidade do leite. Na forma clínica, pode provocar alterações perceptíveis, como grumos no leite e inflamação do úbere.

Já a mastite subclínica não apresenta mudanças visíveis, o que dificulta sua identificação durante a rotina. Segundo o levantamento citado pela CNA, dependendo do agente causador, essa forma da doença pode gerar perdas de 0,18 a 0,88 litro de leite por dia, por teto afetado.

O acompanhamento da contagem de células somáticas (CCS) e a realização de exames complementares, quando indicados, ajudam a identificar e monitorar os casos.

Higiene e drenagem reduzem exposição a bactérias ambientais

Durante as chuvas, áreas de descanso úmidas e instalações com drenagem insuficiente favorecem o contato com bactérias ambientais, como a Escherichia coli, que podem causar infecções mamárias.

Segundo Daniel Miranda, gerente de Produto da linha de Leite da Zoetis Brasil, a prevenção deve combinar cuidados com o ambiente e acompanhamento da saúde do rebanho.

“Durante as chuvas, é fundamental reforçar a higiene das instalações e da ordenha, além de acompanhar de perto a saúde mamária do rebanho”, afirma.

Entre as medidas destacadas estão manter os locais de descanso limpos e secos, evitar o acúmulo de barro, garantir o escoamento da água e realizar corretamente os procedimentos de higiene dos tetos antes e depois da ordenha.

Doenças nos cascos afetam locomoção e desempenho

A umidade excessiva também amplia os desafios relacionados à saúde dos cascos. Entre eles está a dermatite digital, infecção bacteriana que provoca lesões dolorosas e dificulta a movimentação dos animais.

Um estudo científico citado no material apontou que vacas com a doença produziram, em média, 0,7 kg de leite a menos por dia, em uma medida ajustada pelos teores de gordura e proteína, na comparação com animais saudáveis.

A observação da locomoção e de mudanças no comportamento das vacas ajuda a reconhecer problemas que precisam de avaliação. O controle do barro e a manutenção das instalações também integram os cuidados preventivos.

Leptospirose exige biosseguridade e planejamento sanitário

A leptospirose pode ser transmitida pelo contato com água, solo ou alimentos contaminados pela urina de animais infectados. A doença pode causar problemas reprodutivos, incluindo abortos, e também representa risco à saúde humana.

A prevenção envolve medidas de biosseguridade e programas de vacinação definidos conforme as necessidades da propriedade.

A maior umidade pode, ainda, favorecer determinados parasitas e insetos. Por isso, limpeza das instalações, manejo das pastagens e monitoramento dos animais precisam fazer parte de uma estratégia sanitária integrada.

Para Miranda, o produtor deve manter o calendário sanitário atualizado e observar alterações no comportamento do rebanho, com orientação veterinária para estabelecer as medidas adequadas a cada sistema de produção.

Diagnóstico orienta tratamentos e vacinação

Mesmo em propriedades com medidas preventivas, podem ocorrer doenças durante o período chuvoso. A identificação precoce permite avaliar os agentes envolvidos e definir a conduta apropriada.

A escolha de medicamentos e protocolos de vacinação deve ser feita pelo médico-veterinário, considerando o diagnóstico, as condições dos animais, as indicações de bula e os períodos de carência.

O tratamento de infecções nos cascos também depende da identificação da lesão. A Zoetis informa que dispõe do antibiótico injetável Excede para determinadas indicações, cuja utilização deve seguir a avaliação profissional e as recomendações do produto.

A combinação de instalações adequadas, higiene na ordenha e acompanhamento sanitário ajuda a reduzir a exposição aos agentes infecciosos e a preservar a qualidade do leite durante as chuvas.

Fonte: Portal do Agronegócio

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