Chuvas atrasam colheita da cana e Sucden corta previsão de açúcar do Brasil para 37 milhões de toneladas
Excesso de umidade associado ao El Niño pode deixar milhões de toneladas de cana no campo e reduzir o intervalo de manutenção das usinas antes da próxima safra
Publicado em: 04/11/2026 às 16:00hs
As chuvas intensas que dificultam a colheita da cana-de-açúcar no Brasil levaram a Sucden a reduzir sua previsão de produção de açúcar de 40 milhões para 37 milhões de toneladas nesta safra, uma queda de 7,5% em relação à estimativa inicial. Além de limitar o processamento na temporada atual, os atrasos podem comprometer a preparação das usinas para o próximo ciclo.
O alerta foi apresentado por representantes de tradings durante um evento do setor em São Paulo. Segundo os executivos, as precipitações dos últimos dois meses, associadas ao El Niño, colocam as unidades diante de uma decisão: prolongar a moagem para aproveitar a cana disponível ou encerrar as operações para realizar a manutenção da entressafra.
Sucden estima cerca de 60 milhões de toneladas de cana remanescente
A Sucden projeta que a moagem alcance entre 615 milhões e 625 milhões de toneladas de cana até o encerramento da temporada, diante de uma disponibilidade estimada em 675 milhões de toneladas.
Esse cenário pode deixar cerca de 60 milhões de toneladas de matéria-prima no campo para processamento no início da safra seguinte.
Para Jeremy Austin, diretor-geral da Sucden Brasil, uma das principais incertezas é quantas usinas estarão preparadas para retomar a moagem em março. A resposta dependerá do encerramento das operações atuais e do tempo disponível para os trabalhos de manutenção.
Cana bisada amplia incertezas sobre produção de açúcar
A cana que permanece no campo entre uma safra e outra é conhecida como cana bisada. O adiamento da colheita pode provocar deterioração da matéria-prima e reduzir a quantidade de açúcar recuperável, prejudicando o rendimento industrial.
As estimativas sobre o volume remanescente variam entre as empresas. Mario Barbosa, diretor de estratégia da Louis Dreyfus, prevê aproximadamente 30 milhões de toneladas de cana bisada. Já Paulo Garcia, da Vital Commodities, calcula cerca de 45 milhões de toneladas de cana não colhida em razão das chuvas.
As projeções mostram diferentes avaliações sobre a capacidade de as usinas avançarem com a moagem até o fim da temporada.
Moagem até o Natal pode encurtar manutenção das usinas
Segundo os representantes do setor, algumas unidades planejam manter o processamento até o fim do ano, com possibilidade de operações próximas ao Natal.
A estratégia permite aproveitar parte da matéria-prima que ficou no campo, mas reduz o intervalo para revisão dos equipamentos antes da safra seguinte.
Garcia alerta que uma entressafra mais curta pode dificultar a retomada já em março. Assim, o prolongamento da moagem atual também pode afetar o ritmo de processamento no início da próxima temporada.
Oferta brasileira influencia mercado mundial de açúcar
Como maior exportador mundial de açúcar, o Brasil tem papel decisivo no abastecimento internacional. Segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), o país responde por cerca de 24% da produção global.
As dificuldades da safra brasileira ganham relevância em um cenário no qual chuvas abaixo da média também limitam as perspectivas de produção da Índia, segundo maior produtor mundial.
Em meio às preocupações com a oferta, os contratos futuros de açúcar em Nova York subiram 1,5% na quarta-feira, no segundo pregão de valorização da semana.
Para o setor, os próximos meses serão determinantes para avaliar quanto da cana disponível será processado e como o calendário de moagem afetará a capacidade de produção na temporada seguinte.
Fonte: Portal do Agronegócio
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