Chuvas aumentam risco de mastite e doenças em vacas leiteiras; perdas podem comprometer até 98% da margem bruta
Umidade elevada, barro e água contaminada favorecem problemas sanitários no rebanho. Estudo da CNA aponta prejuízos de até R$ 14,4 mil por ano em uma propriedade leiteira analisada em Uberlândia (MG).
Publicado em: 05/11/2026 às 07:30hs
O período chuvoso exige atenção redobrada dos produtores de leite com a saúde das vacas e as condições sanitárias das propriedades. O aumento da umidade, o acúmulo de barro e a maior exposição a agentes infecciosos podem favorecer doenças como mastite, infecções nos cascos e leptospirose, comprometendo o bem-estar animal, a produtividade e a rentabilidade da atividade.
Um dos principais riscos é a mastite, inflamação da glândula mamária que afeta a qualidade do leite e pode provocar perdas econômicas expressivas. Um levantamento da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), com base em dados do Projeto Campo Futuro, desenvolvido em parceria com o Cepea/ESALQ-USP, identificou que diferentes cenários de ocorrência da doença em uma propriedade leiteira típica de Uberlândia (MG) poderiam gerar prejuízos anuais entre R$ 8 mil e R$ 14,4 mil.
Nesse estudo específico, as perdas poderiam comprometer de 55% a 98% da margem bruta anual da propriedade analisada, evidenciando o impacto econômico que problemas sanitários podem representar para a pecuária leiteira.
Diante desse cenário, a Zoetis, empresa global de saúde animal, reforça a importância da prevenção, do monitoramento frequente dos animais e do acompanhamento veterinário durante os meses de maior incidência de chuvas.
Mastite bovina: doença pode reduzir a produção e comprometer a qualidade do leite
A mastite está entre os principais desafios sanitários da pecuária leiteira. Durante o período chuvoso, a presença de água e matéria orgânica nas instalações pode aumentar a exposição das vacas a bactérias ambientais, como a Escherichia coli, associada a infecções da glândula mamária.
O risco tende a ser maior em propriedades com áreas de descanso úmidas, drenagem inadequada e falhas nos procedimentos de higiene da ordenha.
Segundo Daniel Miranda, gerente de Produto da linha de Leite da Zoetis Brasil, as condições ambientais influenciam diretamente a exposição dos animais aos agentes causadores da doença.
O especialista destaca que reforçar a limpeza das instalações, manter os cuidados durante a ordenha e acompanhar a saúde mamária das vacas são medidas fundamentais para reduzir a ocorrência de casos e preservar a qualidade do leite.
Mastite subclínica pode passar despercebida pelo produtor
A doença pode se manifestar de duas formas principais:
- Mastite clínica: apresenta alterações visíveis no leite, como grumos, além de sinais de inflamação no úbere.
- Mastite subclínica: não provoca alterações aparentes no leite ou na glândula mamária, o que dificulta sua identificação sem acompanhamento e exames específicos.
A forma subclínica merece atenção especial porque pode comprometer gradualmente a produção sem apresentar sinais evidentes. Conforme os dados apresentados no material técnico, dependendo do agente causador, as perdas podem variar de 0,18 a 0,88 litro de leite por dia, por teto afetado.
O acompanhamento da contagem de células somáticas (CCS), associado a exames complementares quando indicados, contribui para identificar alterações e monitorar a saúde do rebanho.
Como prevenir mastite durante o período chuvoso?
A adoção de medidas preventivas ajuda a reduzir o contato dos animais com agentes infecciosos e a manter melhores condições de higiene na propriedade.
Entre os cuidados recomendados estão:
- Manter as áreas de descanso limpas e secas;
- Evitar o acúmulo de barro e matéria orgânica nas instalações;
- Garantir o escoamento adequado da água da chuva;
- Higienizar corretamente os tetos antes e depois da ordenha;
- Monitorar a saúde do úbere e possíveis alterações no leite;
- Acompanhar os indicadores de CCS;
- Reforçar os procedimentos de higiene dos equipamentos e do ambiente de ordenha.
A identificação precoce de alterações permite que o médico-veterinário avalie os animais e defina a conduta mais adequada, reduzindo o risco de agravamento dos casos.
Chuvas também aumentam a preocupação com doenças nos cascos
Além da mastite, a umidade excessiva e o acúmulo de barro podem favorecer problemas nos cascos, especialmente quando os animais permanecem por períodos prolongados em ambientes inadequados.
Uma das enfermidades que exige atenção é a dermatite digital, infecção bacteriana que provoca lesões dolorosas e dificulta a locomoção dos bovinos.
O problema afeta diretamente o bem-estar e pode prejudicar o desempenho produtivo. Um estudo científico citado no material de divulgação apontou que vacas com dermatite digital apresentaram redução média de 0,7 kg de leite por dia, considerando a produção ajustada pelos teores de gordura e proteína, em comparação com animais saudáveis.
A dificuldade de locomoção também pode interferir no acesso ao alimento e à água, além de comprometer o comportamento dos animais e sua permanência nas áreas de alimentação.
Por isso, manter pisos e áreas de circulação em boas condições, reduzir a exposição prolongada ao barro e observar alterações na marcha são medidas importantes durante a estação chuvosa.
Leptospirose bovina exige cuidados com água e ambientes contaminados
Outro risco sanitário associado às condições ambientais do período chuvoso é a leptospirose. A doença é causada por bactérias do gênero Leptospira e pode ser transmitida pelo contato com água, solo ou alimentos contaminados pela urina de animais infectados.
Na pecuária leiteira, a enfermidade merece atenção por seus possíveis impactos reprodutivos, incluindo a ocorrência de abortos. Também representa um risco à saúde humana, especialmente para pessoas que trabalham em ambientes contaminados e mantêm contato com animais infectados.
A prevenção exige medidas de biosseguridade, controle dos fatores de exposição e programas de vacinação definidos com orientação veterinária.
A maior umidade também pode favorecer o desenvolvimento de determinados parasitas e a proliferação de insetos, ampliando os desafios sanitários nas propriedades.
Nesse contexto, o manejo adequado das pastagens, a limpeza das instalações e a observação frequente do comportamento dos animais ajudam a reduzir os riscos.
Calendário sanitário e acompanhamento veterinário são fundamentais
O controle das doenças no período chuvoso depende de uma estratégia integrada de manejo. A atenção não deve ficar restrita à mastite, já que problemas nos cascos, enfermidades infecciosas e parasitoses também podem comprometer a saúde e a eficiência produtiva do rebanho.
Daniel Miranda destaca a importância de manter um calendário sanitário atualizado, observar mudanças no comportamento das vacas e contar com orientação veterinária para definir medidas preventivas compatíveis com a realidade de cada propriedade.
A avaliação frequente permite identificar sinais como redução do consumo de alimento, alterações na produção de leite, dificuldade de locomoção e mudanças no comportamento dos animais.
Essas observações, associadas aos exames e indicadores sanitários, ajudam a direcionar as intervenções e evitar que problemas inicialmente discretos evoluam para situações mais graves.
Diagnóstico precoce e tratamento adequado reduzem prejuízos
Mesmo com medidas preventivas, doenças podem surgir durante o período chuvoso. Nesses casos, o diagnóstico correto e a escolha do tratamento adequado são essenciais para preservar a saúde dos animais e reduzir os impactos sobre a produção.
A Zoetis disponibiliza soluções voltadas ao tratamento e à prevenção de enfermidades na pecuária leiteira.
Entre os produtos citados pela empresa estão:
- Spectramast® LC: medicamento intramamário indicado para o tratamento de determinados casos de mastite clínica em vacas lactantes, conforme os agentes envolvidos e as orientações de bula.
- Excede: antibiótico injetável de amplo espectro, com indicações que incluem determinados problemas de casco, doenças respiratórias e metrite.
- CattleMaster® Gold FP 5/L5: vacina multivalente que auxilia na proteção contra a leptospirose e determinadas doenças virais reprodutivas e respiratórias dos bovinos.
A utilização desses produtos deve ocorrer exclusivamente conforme as indicações aprovadas, a avaliação do médico-veterinário e as recomendações de bula. Os protocolos de vacinação e tratamento precisam considerar as condições sanitárias do rebanho e os períodos de carência aplicáveis à produção de leite.
Prevenção sanitária protege a produtividade da pecuária leiteira
Com a intensificação das chuvas, a gestão sanitária ganha ainda mais importância nas propriedades leiteiras. A combinação de instalações limpas e secas, manejo adequado, monitoramento dos animais e acompanhamento veterinário ajuda a reduzir a exposição a agentes infecciosos e a identificar problemas precocemente.
Os números do levantamento da CNA mostram que a mastite pode representar um impacto econômico expressivo, especialmente quando compromete parcela significativa da margem bruta da propriedade.
Para o produtor, investir em prevenção e planejamento sanitário é uma medida estratégica para preservar a produção, manter a qualidade do leite e proteger a rentabilidade da atividade durante os períodos de maior desafio climático.
Fonte: Portal do Agronegócio
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