Carrapatos em bovinos: prevenção e manejo integrado ajudam a reduzir infestações
Calor e umidade favorecem a multiplicação dos parasitas; acompanhamento veterinário, monitoramento do rebanho e planejamento das pastagens orientam o controle.
Publicado em: 27/10/2026 às 14:30hs
O aumento das temperaturas e da umidade exige maior atenção ao controle de carrapatos em bovinos de corte e de leite. Além de causar irritação e lesões, os parasitas podem transmitir agentes de doenças e comprometer a saúde e o desempenho dos animais.
Segundo Gabriel Krause Piccin, médico-veterinário e gerente regional da Chemitec Agro-Veterinária, a prevenção deve começar antes que a infestação se intensifique. A estratégia envolve observar o rebanho, planejar o manejo das pastagens e definir os tratamentos com o profissional responsável pela propriedade.
Calor e umidade aumentam o desafio nas pastagens
De acordo com Piccin, as condições mais quentes e úmidas, frequentes entre outubro e março em diferentes regiões produtoras, favorecem a multiplicação dos carrapatos.
Como parte do ciclo ocorre no ambiente, o controle precisa considerar tanto os animais quanto as áreas de pastagem. A presença de parasitas no rebanho deve ser acompanhada para orientar as intervenções e avaliar a resposta ao manejo adotado.
O objetivo é evitar que a população de carrapatos aumente a ponto de ampliar os danos aos bovinos e dificultar o controle.
Manejo das pastagens deve integrar a prevenção
Entre as práticas citadas pelo veterinário está o pastejo rotacionado, com divisão da área em piquetes e movimentação planejada dos animais.
Piccin menciona períodos curtos de ocupação, de um a três dias, conforme o sistema utilizado. Entretanto, a contribuição dessa prática para o controle dos parasitas depende do planejamento da rotação e das condições da propriedade. A simples transferência do gado entre piquetes não deve ser interpretada como garantia de interrupção do ciclo do carrapato.
O manejo também precisa considerar a disponibilidade de forragem, a conservação da pastagem e os cuidados periódicos com as instalações.
Tratamento contra carrapatos exige orientação veterinária
O controle pode envolver carrapaticidas e endectocidas, conforme a indicação de cada produto e a avaliação do rebanho. A escolha deve ser feita com acompanhamento veterinário, considerando a situação sanitária e as necessidades da operação.
“Há diferentes tipos de medicamentos e o produtor deve buscar a recomendação do veterinário que acompanha o rebanho”, destaca Piccin.
O uso correto é fundamental para que o tratamento cumpra sua finalidade. Produtos destinados ao controle dos parasitas e medicamentos utilizados contra doenças transmitidas por eles têm funções distintas dentro do programa sanitário.
Tristeza parasitária bovina está entre as principais preocupações
A tristeza parasitária bovina (TPB) está entre os desafios sanitários relacionados aos carrapatos. O complexo inclui a babesiose, causada pelos protozoários Babesia bovis e Babesia bigemina, mencionados pelo especialista.
Além da transmissão de agentes de doenças, Piccin chama a atenção para a irritação e as feridas associadas à infestação. Essas lesões podem favorecer infecções secundárias e aumentar a necessidade de cuidados com os animais.
Por isso, o acompanhamento não deve se limitar à quantidade de carrapatos visíveis, mas incluir a avaliação das condições de saúde do rebanho.
Produtos têm indicações diferentes no programa sanitário
A Chemitec Agro-Veterinária informa que seu portfólio inclui o Beroseg 7% e o Beroseg Plus, destinados ao tratamento da babesiose, e o endectocida Ivertec 1%, indicado para tratamento e controle de parasitas internos e externos, incluindo o Rhipicephalus microplus, conhecido como carrapato-do-boi.
A utilização desses medicamentos deve seguir as indicações de bula e a orientação do médico-veterinário. O tratamento das doenças e o controle do carrapato precisam fazer parte de uma estratégia integrada, ajustada à realidade de cada propriedade.
Fonte: Portal do Agronegócio
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